Termina mais um semana alucinante na luta dos professores portugueses.
Teve dois episódios curiosos:
- a não aprovação pela assembleia da República de vários decretos que se destinavam à suspensão da avaliação dos professores;
- e uma primeira reunião de membros dos Conselhos Executivos, estiveram presentes 139 presidentes de Conselho Executivo das escolas e agrupamentos dos ensinos básico e secundário, que decidiu adiar, para data posterior, a possibilidade dos referidos dirigentes se demitirem em bloco (pode encontrar noutra entrada deste blogue o conteúdo completo da moção aprovada).
Tenho lido vários textos onde se detecta a natural desilusão com o desfecho destas reuniões. Escreve-se muito sobre a falta de coragem das pessoas presentes e realça-se, com notória e justa indignação, o comportamento dos deputados do partido socialista que exerceram funções docentes até à sua eleição para estas nobres funções.
Quer num caso quer noutro, verifica-se a falta de um mesmo princípio democrático que merece a necessária discussão e visibilidade: a ausência de limitação de mandatos no exercício de cargos públicos.
Esta limitação só se verifica na mais elevada prática da hierarquia do estado: a presidência da República. É estranho: é mesmo muito estranho que, depois de mais de 30 anos de democracia, tal aconteça.
A limitação de mandatos é um princípio crucial ao exercício democrático. Para além do imperativo refrescamento das ideias e das práticas, a rotatividade dificulta a instalação dos favoritismos que minam o processo democrático e que inibem os responsáveis de decidir do modo mais livre que se conheça. Principalmente no último mandato: a curta história do exercício presidencial mostra-o à saciedade: quando o responsável deixa de agir sem as reservas que um próximo sufrágio requer, acontecem as decisões que revelam o sentido mais corajoso no carácter dos humanos.
Se conhecemos deputados que repetem mandatos sem fim o que é que podemos esperar? Dá ideia, que se norteiam por uma espécie de disciplina que os deixará a salvo na integração das listas para o sufrágio seguinte.
Já no caso dos membros dos Conselhos Executivos a situação tem contornos nada surpreendentes se se considerar a situação pantanosa em que vamos vivendo.
Mais do que profissionalizar ou não a gestão das escolas, interessa que as comunidades possam eleger os melhores professores numa lógica de limitação de mandatos.
E digo os melhores profissionais com toda a convicção: são os que exercem superiormente as funções de gestão e direcção e são aqueles que nunca se refugiam no vergonhoso argumento (muitas vezes ao fim de pouco mais de meia dúzia de anos de exercício, pasme-se) de já não serem capazes de leccionar ou de por ali ficarem até que a reforma dê sinais de vida. Quem não sabe leccionar não pode dirigir uma escola. É até espantoso o modo como os nossos dirigentes se apropriam dos lugares.
Em todo este processo que estamos a viver, constatou-se que foram esses os primeiros a propalar a exequibilidade daquilo que depois se percebeu ser inaplicável. E decidiram assim, porque na maioria dos casos enredaram-se num sistema de pequenos favores que os obrigou, e obriga, a nortear a sua acção debaixo duma síndrome medrosa (dá ideia que se assustam com a própria sombra) que se alastra às suas comunidades (e que faz sofrer os que pugnam pela nobreza do exercício profissional). Nada que a limitação de mandatos não resolvesse; e decretada com efeitos retroactivos. Os professores e a Educação só tinham a ganhar com esse decisão.
Bem sei que este tipo de argumentação divide. Que seja. A unidade é um valor precioso, mas quando se trata de vazar o pântano, só nos resta separar as águas. Já sabemos que é assim e não vem mal nenhum ao mundo.
No caso dos Conselhos Executivos esperemos, então, pela próxima reunião.
E já se sabe: a luta continua em diversas frentes e segue dentro de momentos.
Há muito que defendo a limitação de mandatos para os cargos de gestão escolar. Até aqui, no tempo em que a gestão parecia "democrática, o argumento principal era a quebra das redes clientelares e paroquiais que eternizavam os mesmos no poder. Com os CE submissos às dre's, acabou-se a liderança partilhada...
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ResponderEliminarConcordo em absoluto.
Agora, mais do que nunca, ler o teu blog, o do Guinote, o do Ramiro Marques....., dá-me muito prazer, pois sei que há iluminados no ME que os frequentam diariamente. E assim nasceu o Trabalhador da Silva e outros dementes que são pagos pelo ME para durante o dia andarem pelos blogs mais lidos. Digo-te isto de fonte segura: hoje estive com uma colega (que ambos conhecemos) que me confirmou isso. Que lá andavam, eu sabia. Agora que eram pagos exclusivamente para isso, só mesmo deste ministério, ou melhor deste reino do Pinóquio!
Aguardemos por novos desenvolvimentos. Sempre em defesa da Escola Pública.
Bjo
PS: Vai ao mail que eu conto-te a história. Não vá o TS ou outro primo andar por aqui!
Nada que a limitação de mandatos não resolva, meu caro Miguel.
ResponderEliminarAbraço.
Olá Francisco. Já lá fui: tão oportuno.
ResponderEliminarAbraço.
Já lá vou Isabel. O governo chinês vedou, ao que parece, o acesso ao dos cidadãos do seu país ao google: aprendemos uns como os outros.
ResponderEliminarA ser assim, já nem sei que diga mais.
A blogosfera é livre mas os gastos dos dinheiros públicos não o deveria ser tanto assim.
Beijo.
Concordo plenamente com a pertinência e com o momento em que surge o teu post.
ResponderEliminarNão podemos continuar a ouvir PCE dizer que se não ficarem no executivo se reformam ou que já não sabem dar aulas.
Se isso e verdade, certamente não serão bons Presidentes, mas também ninguém os avalia, pelo contrario pagam-lhes mais 750€!!
Não suporto o silencio e a falta de opinião de alguns PCE sobre este assunto.
Será possível passar por esta luta sem ficar com uns arranhões?
Isso Filipe.
ResponderEliminarVamos ver o que o futuro nos reserva.
Grande abraço.