
(encontrei esta imagem aqui)
"Na sua intenção mais profunda, a filosofia é, de facto, uma firme reivindicação da potência, a construção de uma experiência do possível enquanto tal. Não o pensamento, mas a potência de pensar; não a escrita, mas a folha cândida é o que ela, a todo o custo, não quer esquecer."
"Bartleby, Escrita da Potência",
"Bartleby, ou Da Contingência" seguido de "Bartleby,
O Escrivão de Herman Melville" de Giorgio Agamben,
edição de Giogio Agamben e de Pedro A. H. Paixão,
da colecção "disciplina sem nome",
Já dei conta, no professor Bartleby (1), que pode ler aqui, da associação que fiz entre a posição de luta, contra as nefastas políticas do actual governo, de muitos dos professores portugueses e a personagem Bartleby construída pelo genial Herman Melville.
Ora a escrita da potência centra-se nessa infinita possibilidade de alguém dizer um dia: "preferiria de não" ou mesmo "prefiro não". Não só pensar mas a potência de pensar. Não a escrita de um qualquer relatório ou grelha "Kafkiana", mas a livre capacidade da candura da folha ou mesmo do porta-folhas.
Viva António Daniel.
ResponderEliminarNão é atrevimento; eu é que agradeço.
Já passei pelo blogue e voltarei muitas vezes. Gostei dos 2 primeiros posts que li. Só este "inferno" blogosférico é que me impediu de comentar.
Um dias destes incluo na lista de blogues que tenho por aqui.
Abraço e apareça sempre.
Sugiro a quem se interesse pelo ensaio de Agamben, de 1995, que, após lê-lo, confronte a sua com a interpretação de António Bento, da Universidade da Beira Interior - "I would prefer not to" - Bartleby, a fórmula e a palavra de ordem.
ResponderEliminarA potência enquanto princípio do movimento (cf. Aristóteles, Metafísica Livro Thêta), não nos é dada de graça. Ela é uma disposição aquirida através do labor multiforme da inteligência que deseja compreender, vencendo as aporias. O confronto das interpretações, se resistirmos às tentações da misologia, é um ingrediente indispensável do incremento da potência, tão necessária à coragem para dizer não nas situações que desaprovarmos.
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incrementa-se no
Tentarei ir à procura da tua sugestão. Falaremos disso nas nossas apressadas, mas muito agradáveis, conversas.
ResponderEliminar"A potência enquanto princípio do movimento (cf. Aristóteles, Metafísica Livro Thêta), não nos é dada de graça. Ela é uma disposição aquirida através do labor multiforme da inteligência que deseja compreender, vencendo as aporias. O confronto das interpretações, se resistirmos às tentações da misologia, é um ingrediente indispensável do incremento da potência, tão necessária à coragem para dizer não nas situações que desaprovarmos."
Isso. Contundente. Farei deste teu comentário, se me permites, um mote para uma das próximas rubricas do professor bartleby.
Abraço e obrigado.
ResponderEliminarLeituras interessantes.
Concordo: a Filosofia é potência, enquanto possibilidade de pensar a possibilidade. É que a potência (aristotélica) tem uma presença de privação que lhe dá força, é que mesmo não sendo é.
E a potência humana? Não é ela o fundamento da acção? e do conhecimento? Pura potência, acto de vez em quando.
Humm, temos o regresso dos profícuos debates de Vasco Tomás com o pronuncia do norte?
ResponderEliminarSugiro uma consulta do artigo "A potência do pensamento" na Revista Scielo, vol.18 no.1 Niterói Jan./June 2006.
ResponderEliminarDiz Agambem numa passagem desse artigo: "A grandeza - mas também a miséria - da potência humana está no facto de ela ser, também e sobretudo, potência de não passar ao ato, potência para as trevas. Se se considera que skotos, no grego homérico, é antes de tudo as trevas que invadem o homem no momento da morte, é possível medir todas as conseqüências dessa vocação anfíbia da potência. A dimensão que ela destina ao homem é o conhecimento da privação, ou seja, nada menos que a mística como fundamento secreto de todo o seu saber e de todo o seu agir (a idéia medieval de um Aristoteles mysticus mostra, aqui, a sua pertinência). Se a potência fosse, de facto, apenas potência de ver ou fazer, se ela existisse como tal apenas no acto que a realiza (e uma potência assim é aquela que Aristóteles chama de natural e destina aos elementos e aos animais alógicos), então nunca poderíamos ter a experiência do escuro e da anestesia, nunca poderíamos conhecer e, portanto, dominar a steresis. O homem é o senhor da privação porque mais que qualquer outro ser vivo ele está, no seu ser, destinado à potência. Mas isso significa que ele está, também, destinado e abandonado a ela, no sentido de que todo o seu poder de agir é constitutivamente um poder de não-agir e todo o seu conhecer um poder de não-conhecer.
Exacto. É tb por aí que inicia a obra que citei. É uma abordagem muito interessante. Voltarei a fazer entradas sobre o tema.
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