sábado, 28 de março de 2009

quantos seremos?

 


 






 

 

 

 

 

Não sei quantos seremos, mas que importa?!

Um só que fosse, e já valia a pena

Aqui, no mundo, alguém que se condena

A não ser conivente

Na farsa do presente

Posta em cena!

 

Não podemos mudar a hora da chegada,

Nem talvez a mais certa,

A da partida.

Mas podemos fazer a descoberta

Do que presta

E não presta

Nesta vida.

 

E o que não presta é isto, esta mentira

Quotidiana.

Esta comédia desumana

E triste,

Que cobre de soturna maldição

A própria indignação

Que lhe resiste.

 

 

Miguel Torga, Câmara Ardente

4 comentários:

  1. Olá. Tens um troféu no meu blogue.
    Tu mereces!

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  2. "A não ser conivente
    Na farsa do presente
    Posta em cena!"
    Mas que lufada de ar fresco! Lindo.
    De Miguel Torga lembro-me de um conto fabuloso, VICENTE, o corvo, que desafia Deus.Um dos melhores contos de OS BICHOS. Um hino à liberdade.

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  3. Viva Francisco.

    Obrigado.

    Já fiz um post com a justa retribuição.

    Abraço.

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