sexta-feira, 5 de junho de 2009

até arrepia

 


 


 



(encontrei esta imagem aqui)


 


 


 


"O que proponho é mais trabalho para professores e alunos"


 


"Foi deputada do PS, foi assessora para a Educação do Presidente da República Jorge Sampaio e assumiu agora a presidência do Conselho Nacional da Educação (CNE). Ana Maria Bettencourt é professora e investigadora. É o contacto com as escolas do Norte da Europa que a faz ter a certeza que para conquistar o sucesso escolar é preciso mais trabalho, de professores e de alunos. Ainda não sabe qual vai ser a agenda do CNE para os próximos quatro anos, mas quer dar continuidade ao parecer sobre a educação dos 0 aos 12 anos, assim como a outro sobre o alargamento da escolaridade obrigatória para 12 anos. “Como organizar a escola, para que todos aprendam”, é a grande questão a responder em ambos os pareceres.(...)"


 


 


“As escolas não prepararam os professores” 


 


 


"(...)As escolas superiores não prepararam os professores para o mundo complexo que é a educação. Não posso generalizar, mas todos os professores que encontro no terreno não preparam bem os futuros professores para responder à diversidade e a diferenciação entre os alunos. Há um problema com a formação inicial e também com a contínua. Neste momento em que não precisamos tanto de formar novos professores, a formação contínua tem que ser a grande aposta. Os recursos da formação inicial devem ser canalizados para a contínua.(...)"


 


 


É uma entrevista que até arrepia. Ana Maria Bettencourt, a nova presidente do Conselho Nacional de Educação fala para o jornal Público sobre Educação. Tem algumas ideias interessantes e até toca em algumas das componentes críticas da formação de professores. Mostra-se fascinada pela Finlândia mas só nos aspectos que não comprometem o governo e as políticas apoiadas pelo partido político onde ela se integra. Mas depois cai no mais aflitivo eduquês, com ideias que só podem sair da cabeça de quem está há décadas sem por os pés numa escola. O que mais me arrepia é a ideia de concentrar nas competências dos professores a quase exclusividade no combate ao abandono escolar desresponsabilizando o resto da sociedade na luta contra esse flagelo. E di-lo com receitas de formação e de "trabalho quotidiano". Isto é trágico. Do Conselho Nacional da Educação espera-se "aconselhamentos" sobre o modo com se educa as nossas crianças e recomendações sobre o tempo que as famílias dedicam a essa decisiva tarefa e se a sociedade colabora nesse sentido.


Passei pelos blogues do Paulo Guinote e do Ramiro Marques e encontrei dois comentários sobre o assunto que subscrevo.


 


Paulo Guinote;


 


"Entrevista de Ana Maria Bettencourt ao Público. Algumas ideias vagamente interessantes, envoltas num discurso embevecido com o Norte da Europa e deslumbrado com leituras de há 25 anos, ignorando que antes da cereja é preciso fazer o bolo. E assim temos mais uma especialista na arte que não pratica."


 


Ramiro Marques:


 


"É uma entrevista cheia de lugares comuns e de propostas requentadas. (...)E quer que os professores trabalhem ainda mais. (...)O que Ana Maria Bettencourt propõe é uma nova dose reforçada de políticas educativas à Maria de Lurdes Rodrigues. Os alunos não aprendem? A culpa é dos professores que "dão sempre mais do mesmo" e trabalham "para uma aluno imaginário". Os alunos têm problemas na aprendizagem da Matemática? O que fazer? Ela responde: "os professores têm de trabalhar mais". Nem uma palavra sobre a necessidade de os alunos se esforçarem mais. Nem uma frase sobre o número excessivo de alunos por sala ou o número exagerado de turmas por professor nos 2º e 3º CEB. Nem um lamento sobre o excesso de burocracia nas escolas ou os horários sobrecarregados dos professores.(...)"

3 comentários:

  1. pronúncia do norte5 de junho de 2009 às 18:29


    Arrepia mesmo.
    Todos os pareceres Têm validade com excepção da voz dos professores que nunca são ouvidos.
    Como diz Carlos Fiolhais, " podem sair". E a saída começa domingo.

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  2. Zé da Burra o Alentejano12 de junho de 2009 às 16:35

    Uma coisa é a obrigação dos jovens frequentarem 12 anos de escola ou uma qualquer formação profissional até aos 18 anos, medida com que concordo; outra é colocar a escolaridade mínima obrigatória no 12º ano: i.e. todos os jovens terem que atingir com sucesso o 12º ano de escolaridade, medida com que não concordo e que só seria possível se se baixasse de tal forma a qualidade e a exigência de aprendizagem que deixava de ter qualquer interesse e era até perverso para aqueles que desejam prosseguir estudos.

    Assim, não se deverá exigir no futuro o 12º ano para a obtenção de uma carta de condução ou para o desempenho de muitas profissões modestas que não carecem de grandes conhecimentos académicos, sob pena de exclusão de uma grande parte dos futuros jovens que não foram capazes de obter o 12º nem uma qualquer outra qualificação profissional. O país precisa e continuará a precisar de gente sem qualificação para vários trabalhos que não precisam ser aqui indicados.

    Zé da Burra o Alentejano

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