sábado, 27 de junho de 2009

vamos brincar às quotas?

 



(encontrei esta imagem aqui)


 


Ainda me custa a digerir as recentes declarações da ainda ministra da Educação sobre o regime transitório da aplicação de quotas na avaliação dos professores. É o desnorte absoluto e um inqualificável desrespeito pelas escolas e pelos professores.


 


Noutro dia escrevi assim:


 


 


Este modelo começou por ser um monstro burocrático que concretizou um somatório de procedimentos inaplicáveis. Inscreveu depois duas ideias impensáveis: ser de generalização automática sem qualquer teste em amostra reduzida e ser aplicado aos professores todos nos anos todos.


 


Mas não satisfeitos com tanta desmesura, os responsáveis ainda conseguem apresentar uma solução informática para recolha e tratamento (?) de dados apenas no final do processo. Julgo que prevêem o início do lançamento da informação depois de algumas escolas terem encerrado o modelo em datas anteriores.


 


Nem vou argumentar no sentido da importância do período de análise que antecede a construção de um qualquer sistema de informação para obtenção de dados por web ou mesmo numa rede interna. Isso é tão antigo e óbvio que chega a ser demasiado redundante dar-lhe visibilidade na actualidade. Mas é isso que o ministério da Educação faz. E isso choca. Já cansa sublinhar tanta incompetência. Mas nunca é excessivo colocar a nu a imensa falta de respeito pelos princípios básicos de planeamento, pela profissionalidade dos professores e pelos critérios mínimos em que se deveria exercer a gestão pública em pleno século XXI.


 


E para ilustrar ainda melhor tudo o que acabei de escrever, importa salientar que a aplicação informática publicitada esta semana pelo ME inclui uma valência que simula a aplicação das quotas em cada um dos agrupamentos (ou amontoados, se se quiser ser rigoroso) de escolas ou nas escolas como unidades autónomas (expressão cada vez mais em desuso). Digam-me lá se isto não é brincar às escolas?(com todo o respeito pela ideia de brincar, claro; aliás, é uma coisa de que as nossas actuais crianças nem saudades vão chegar a ter).


 

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