Hospitais com gestão empresarial tiveram prejuízo de 91,1 milhões de euros
"Os hospitais públicos com gestão empresarial (EPE) tiveram um prejuízo de 91,1 milhões de euros no primeiro semestre deste ano, um agravamento de 22,6 por cento em relação ao período homólogo de 2008, apontam dados da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS).
No primeiro semestre de 2008, o resultado líquido foi de 74,3 milhões de euros negativos, o que significa um agravamento de 22,6 por cento, e os resultados operacionais dos hospitais EPE (excluindo da comparação o Hospital Amadora-Sintra) melhoraram 15,7 por cento. Apesar deste aumento, o saldo continua a ser negativo em 84,8 milhões de euros, face aos 100,6 milhões de euros negativos de igual período do ano passado.(...)"
Uma notícia que deve ser lida com toda a atenção. Que se aprenda com os erros do passado e que a recente hecatombe financeira tenha servido para alguma coisa.
Tem toda a razão quando diz que a notícia deve ser lida com toda a atenção. Foi o que fiz.
ResponderEliminarMas vale a pena ler a notícia completa, para se poder retirar conclusões mais informadas.
E o resto da notícia (a parte que está omissa no blog) refere que os resultados operacionais melhoraram 15,7% e o que fez os resultados líquidos piorar foi a quebra nas receitas extraordinárias.
Qual é então a lição que se deve aprender com a "recente hecatombe financeira"?
Se os resultados operacionais melhoraram, então as funções correntes estão a ser desempenhadas de forma economicamente mais eficiente.
Ou pretende-se dizer que se devia voltar a recorrer às receitas extraordinárias, por natureza irrepetíveis (tais como indemnizações recebidas ou receitas provenientes de vendas de terrenos ou edifícios), para que os resultados líquidos deste ano se mantivessem ao mesmo nível do ano anterior?
É uma opção que também se poderia tomar. Foi aliás a solução que Manuela Ferreira Leite adoptou para manter o défice público abaixo dos 3% do PIB quando foi ministra das finanças de Durão Barroso, vendendo parte das dívidas ao estado ao Citibank. A consequência é que acabámos por pagar muito mais por essa opção do que se paga pela dívida pública, mas, lá está, os resultados pareceram mais positivos.
Deveriam os hospitais fazer o mesmo? Não me parece.
Na minha opinião, o fundamental é que os hospitais continuem a ser públicos e façam parte do SNS. Se a gestão empresarial dos mesmos lhes aumenta a eficácia, então tanto melhor.
Mas, mais importante ainda, penso resumir a análise aos resultados económicos do hospitais é muito redutor. O que me interessa saber é se estão a ser prestados melhores cuidados de saúde às populações. Esses dados eu não conheço, mas esses é que valeria a pena analisar e comparar com o desempenho financeiro dos hospitais.
Olhar simplesmente para os custos das funções sociais do estado, sem considerar o bem estar social que produzem, é o tipo de análise que leva a concluir que é melhor privatizar a saúde, a educação, a segurança social, etc.
Não é esse o caminho que eu escolho, mas é uma escolha possível. Há quem a faça.
Viva.
ResponderEliminarQue se aprenda com os erros do passado, onde, por exemplo, tudo o que era estado significava lideranças fracas e desperdício e o que era privado eficiência e eficácia, e que nunca se esqueça o que escreveu e com o qual concordo "Na minha opinião, o fundamental é que os hospitais continuem a ser públicos e façam parte do SNS. Se a gestão empresarial dos mesmos lhes aumenta a eficácia, então tanto melhor.
Mas, mais importante ainda, penso resumir a análise aos resultados económicos do hospitais é muito redutor. O que me interessa saber é se estão a ser prestados melhores cuidados de saúde às populações. Esses dados eu não conheço, mas esses é que valeria a pena analisar e comparar com o desempenho financeiro dos hospitais.
Olhar simplesmente para os custos das funções sociais do estado, sem considerar o bem estar social que produzem, é o tipo de análise que leva a concluir que é melhor privatizar a saúde, a educação, a segurança social, etc.
Não é esse o caminho que eu escolho, mas é uma escolha possível. Há quem a faça."
Cumprimentos.