
Encontrei uma entrevista a Maria Helena da Rocha Pereira, professora de estudos clássicos na Universidade de Coimbra, com a passagem que a seguir destaco:
"A cultura grega nunca foi para mim algo enterrado historicamente. Por isso trabalhei bastante sobre a sua presença na literatura portuguesa contemporânea, verificando que os melhores poetas contemporâneos têm um sentido profundo do helenismo: Sophia de Mello Breyner, Eugénio de Andrade, Miguel Torga, etc. (...) Vejo sempre tudo através dessa mediação (a cultura grega e latina como mediação para observar o mundo contemporâneo) e verifico que há características positivas e negativas dos tempos actuais que também existiram na Antiguidade. Ao contrário da ideia dos historiadores de que a História não se repete, há algo que se está a repetir: a perda dos padrões éticos, como no final do Império Romano."
Esta é uma ideia que me assoma e me assombra muitas vezes...a queda do império, com a consequente barbárie que demorou séculos a atenuar-se...
ResponderEliminarO Império TEM de cair.
Lamento que a Helena Rocha Pereira tenha dito isso. É que acho que não tem razão nenhuma.
ResponderEliminarO Império caiu no século V, por razões externas, pelas invasões dos povos germânicos.
Há historiadores que avançam motivos ecológicos e tecnológicos internos, mas creio que estas causas são de longa duração e não explicam um facto que aconteceu em muito poucos anos.
A tese da transição do modo esclavagista para o modo feudal de origem marxista também não encontra nem justificação teórica nem documental satisfatória.
Mas voltemos à moralzinha que me parece mais própria dum Toynbee ou dum Spengler do que dessa estudiosa tão querida para mim que é a Helena Rocha Pereira.
No século I, logo a seguir a Augusto e Tibério, temos imperadores cujas atitudes e valores éticos se encontram no fundo de qualquer escala possível.
Passaram séculos e o império cristianizou-se. Equivalerá o cristianismo a decadência moral? Mesmo não sendo cristão, discordo inteiramente.
A verdade é que Roma sempre se defendeu expandindo-se. Creio que é possível observar a história de Roma sob esta perspectiva: uma entidade política que se expande lutando pela sobrevivência. Primeiro, as cidades etruscas, depois, os gauleses, os cartagineses, os macedónios, etc. Todos foram uma ameaça. Roma esteve sempre a lutar para sobrevier, mesmo no reinado do pacífico Marco Aurélio.
Que no século IV e V enormes deslocações de povos, hunos, germânicos e outros, fossem uma ameaça demasiado grande, é uma explicação demasiado plausível.
Ao contrário do que sugerem as teorias da decadência moral, o Império Romano continuou a ser a referência da Cristandade, tanto que surgiram sucedâneos que se consideravam a sua continuidade (o de Carlos Magno, o sacro-germânico, mesmo Napoleão e o III Reich, estes já descristianizados).
Isto não consigo discutir contigo
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