segunda-feira, 16 de novembro de 2009

rasgão

 


 


 



Foi daqui.


 


O PSD abandonou a ideia de suspensão do modelo de avaliação de professores rasgando o "Compromisso da Educação" que tinha assinado com os movimentos de professores, deixando com essa atitude desiludidos muitos dos que confiaram nesta "plataforma" dos partidos da oposição. Não vou, neste texto, discorrer sobre o que está a acontecer na luta dos professores e do poder democrático da escola, mas tentarei apenas invadir a esfera dos compromissos que não se cumprem e das fidelidades à ideia da escola pública de qualidade para todos.


 


Não gosto de advogar-me um estatuto de adivinho, mas escrevi antes das legislativas uns textos que não foram muito bem aceites pelos meus colegas resistentes, como por exemplo este, onde registei a minha impressão para a necessidade de se quebrar a nefasta lógica de arco-do-poder.


 


Pugnei por essa quebra, porque percebi que, com mais ou menos demagogia, era do lado de fora dessa ambiência que se encontrava uma resposta com rumo e significado para a encruzilhada em que se encontra o nosso sistema escolar. Bem sei que o discurso de Ana Drago, por exemplo, não cola com o eduquês que inunda o programa para a Educação do bloco e que as intervenções de alguns dos deputados da CDU estão emaranhados no muro de má burocracia que asfixia o ensino - esta organização responde às minutas com mais minutas, soluciona o excesso de má burocracia com excrescências de má burocracia, revela o mesmo afastamento das salas de aula e tem horror à supressão de procedimentos que é o único caminho que pode salvar o nosso sistema escolar -. 


 


Sempre disse que a agenda do actual PS tinha tiques e inscrições miméticas em comparação com as dos seus parceiros do arco-do-poder e que era abençoada e estimulada pela cooperação estratégica com Belém. E mais: separa-me dessas organizações um princípio básico: é para mim inaceitável que se sustente a asserção "privatização de lucros e nacionalização de prejuízos" em qualquer área da governação, mas muito mais ainda na Educação básica - para já não referir a secundária e a superior como é máxima nas nações desenvolvidas -.


 


O PSD rasgou, sem qualquer convicção e com um exasperante oportunismo, este modelo de avaliação para caçar os votos dos resistentes e rasga agora o "Compromisso da Educação" para não perder o lumpen. Não adianta esperar transmutações de carácter, nem nas pessoas nem nas organizações: o genoma dos princípios é também infalível e nos momentos mais sobreaquecidos dá sempre sinal de si.


 

13 comentários:

  1. Infelizmente, parece - e digo "parece" porque quero acreditar que até ao lavar dos cestos... - que tens razão. E, pelo menos nestas coisas, eu gostaria de afirmar que, afinal, estás (estamos) enganados e que tudo não passa de uma ilusão tua (nossa). Mas a probabilidade disto ser verdade tende para zero.

    Abraço

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  2. Viva João.

    Não fiz qualquer referência ao desfecho desta coisa toda. Isso vamos ver, claro.

    Vá, força aí.

    Um forte abraço

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  3. Sim, claro Miguel. Não está quebrado o conteúdo na tal resolução, mas o princípio está e das duas uma: ou foi tudo precipitado ou muito falso

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  4. Um professor resistente15 de novembro de 2009 às 19:28

    PIM! Paulo. O habitual.

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  5. Nem quero acreditar. O PSD não muda.

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  6. De facto este PSD volta ao mesmo de sempre. De novo não, por amor de deus!.Com a justifcação de não querer problemas e instabilidade para o país... lá vai dando "corda" às más politicas dos sucessivos governos de Sócrates. Não hà remédio !...vamos continuar definitivamente por mais 4 anos com um primeiro ministro sempre com imensos esquemas e trafulhiçes. Afinal que socialista é este que só se governa a si e aos amigos? ...e para mais uns tantos desgraçados que vai distribuido subsidios e rendimento de inserção apenas para poder assim ter os votos e apoios de que precisa para se manter à tona de toda esta porcaria em que o país se está a tornar. Onde estão as pessoas sérias deste país?

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  7. Fantoches.
    Em campanha eleitoral, todos dizem o que dizem, mas depois na realidade, ve-se a faantoochaada de determinados políticos. Cambada se escroques.

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  8. Mas o PSD é de direita? Alguma vez o foi? O PSD foi o centrão, tal como o PS. O PSD envergonhou aqueles que não sendo socialistas votaram nele pois diziam (ainda a semana passada o Aguiar Branco o disse) que iriam suspender o modelo. O acordo com os socialistas para tirar o CDS da presidência da Comissão de Educação já deixava entever este desenlace... Este partido não é credível, é falso e oportunista. Depois de tudo o que disseram em matéria de educação (e tendo a responsabilidade disto tudo não ter sido suspenso em Fevereiro pela falta dos seus 30 deputados) é incrível aliarem-se agora ao inimigo. Felizmente votei CDS e não PSD. Hoje vejo que fiz bem...

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  9. Francisco santos aqui põe o dedo na ferida. E bem.

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  10. Continuo com ligeiro optimismo. Se correr mal vai dar em guerra.

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  11. Quem está surpreendido?
    As excusas são mais que muitas. O PSD também não é governo. É apenas o segundo partido mais votado. O PS tem de negociar tudo com o PSD. A tendência central vai se aprofundar. Ninguém pode responder pelo que disse na campanha eleitoral, pois ninguém tem poder para fazer o que "quer".

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  12. Um professor resistente16 de novembro de 2009 às 16:28

    Boa pergunta.

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