
Quem está nas escolas não pode deixar de reconhecer a degradada atmosfera relacional que se instalou. Devem ser muito poucas as escolas onde isso não aconteceu. Este estado lastimável, mais ou menos visível, mas latente e inaudito, é muito difícil de reparar. Vão passar anos, e talvez só numa próxima geração de professores, até que se consiga atenuar as clivagens que se foram verificando.
E podemos apontar esta ou aquela "adesivagem" - como agora se diz - ou ficarmos indignados com os oportunismos mais descarados. Isso é, foi e será sempre assim. O que nunca se esperou, é que os desígnios propagandísticos de um governo atingissem tal grau de desrespeito pelo poder democrático da escola pública. E essa responsabilidade tem nome: o actual primeiro-ministro e o partido político que o suporta.
A face oculta do "milagre"
"O estudo é da "Data Angel Policy Research Incorporated" e foi apresentado na semana passada na Gulbenkian, em Lisboa. Revela que apenas 1 em cada 5 portugueses é capaz de ler e compreender o que lê de modo a dar resposta a problemas concretos, isto é, que apenas 20% dos portugueses possuem o nível médio exigível de literacia, o que constitui o resultado mais baixo entre todos os países analisados. A notícia não surpreende ninguém, a não ser quem acreditou (ou quis acreditar) no assombroso "milagre educativo" propagandeado pelo anterior Governo, provando aquilo que os criticados "bota abaixistas" vinham dizendo: que o facilitismo educativo pode melhorar artificialmente as estatísticas e povoar o país de diplomados de aviário com computadores "Magalhães" debaixo do braço, mas que ter um diploma não significa necessariamente saber ler e compreender o que se lê (se calhar nem sequer ler e compreender o que diz o próprio diploma). A opção do Governo Sócrates pelas aparências propagandísticas num sector estratégico como o da Educação é uma pesada factura que o país irá pagar durante muito tempo."
Manuel António Pina.
ResponderEliminarQuem é professor compreende o sentido das palavras aqui expressas.
A escola pública está em estado de coma.
A falta de respeito dentro da sala de aula, o desinteresse por tudo que é estudo, esforço e exigência é atroz. Começa mesmo a ser difícil ser professor (com vocação).
Há uma contradição no actual estado do ensino: se por um lado se que passar a imagem que os professores têm de ser mais trabalhadores, mais profissionais, por outro, o "bom " professor é aquele que entra na "onda", não reprova alunos, nada lhes exige e portanto, não contribui para o insucesso estatístico dos resultados da escola.
Estamos fartos.
COMA PROFUNDO.
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