O "excesso" de meritocracia, ou a meritocracia insensata e mergulhada no capitalismo selvagem, elimina a meritocracia como alicerce das sociedades democráticas do nosso tempo. É uma conclusão que vai ganhando força e que não é contraditória. E depois existe uma questão antiga que Michael J. Sandel, em "O que o dinheiro não pode comprar", sintetiza de forma simples e bem actual: "há valores que o mercado diminui ou perverte".
Os meus textos e os meus vídeos
quarta-feira, 22 de junho de 2022
sábado, 4 de setembro de 2021
Recordando Manuel António Pina - Das Crises

"A crise quando chega toca a todos, e eu já não sei se hei-de ter pena dos milhares de homens e mulheres que, por esse país fora, todos os dias ficam sem emprego se dos infelizes gestores do Banco Comercial Português que, por iniciativa de alguns accionistas, poderão vir a ter o seu ganha-pão drasticamente reduzido em 50%, ou mesmo a ver extintos os por assim dizer postos de trabalho.
A triste notícia vem no DN: o presidente do Conselho Geral e de Supervisão daquele banco arrisca-se a deixar de cobrar 90 000 euros por cada reunião a que se digna estar presente e passar a receber só 45 000; por sua vez, o vice-presidente, que ganha 290 000 anuais, poderá ter que contentar-se com 145 000; e os nove vogais verão o seu salário de miséria (150 000 euros, fora as alcavalas) reduzido a 25% do do presidente. Ou seja, o BCP prepara-se para gerar 11 novos pobres, atirando ainda para o desemprego com um número indeterminado de membros do seu distinto Conselho Superior. Aconselha a prudência que o Banco Alimentar contra a Fome comece a reforçar os "stocks" de caviar e Veuve Clicquot, pois esta gente está habituada a comer bem."
domingo, 1 de março de 2020
"Andar, Respirar, Sentar!"
![]()
E depois. há aquele textos que se diz após as primeiras frases: nem mais!
domingo, 15 de dezembro de 2019
Reféns

"Vivemos em permanente medição, quantificação e avaliação. Nada escapa. Coisas, pessoas, actividades ou instituições. Obcecados com números, rankings, ratings ou likes, já nem nos damos ao trabalho de pensar. O nosso espaço mental é uma tabuada. Consumimos percentagens como se fossem ansiolíticos. Vivemos em cálculo permanente. Desiste-se de elucidar, de reflectir ou persuadir.(...)" É assim que Vítor Belanciano começa "a sua crónica" no Público com o título "reféns da sociedade da quantificação". E ainda esta semana, a agenda comunicacional repetiu um raciocínio falacioso para descansar as consciências e instituir mais inacção na falta de professores: "nos próximos 4 anos reformam-se 18 mil professores e também haverá menos 101 mil alunos". E depois? E isso significa o quê? Olhemos pela tabuada: na última década, a redução de professores (30 mil) e a de alunos (160 mil) foram mais acentuadas e a crise de professores agravou-se. Para além disso, se reduzirmos o abandono (o precoce e o outro) e o insucesso escolares para números decentes, teremos acréscimo na frequência escolar. Por outro lado, devíamos introduzir critérios de qualidade e de sustentabilidade desde os alunos por turma à escala das organizações. Aliás, já há países a questionar os sacrossantos indicadores do PIB, cuja aritmética mais não tem feito do que aumentar as desigualdades (os ganhos da produtividade concentram-se numa minoria) e degradar o ambiente (as organizações de grande escala entraram em crise irreversível). E acrescenta Vítor Belanciano: "(...)Em vez de basear toda a análise na evolução do PIB, o Governo islândes deseja conciliar factores como a educação, saúde, boa governança, cidadania, saúde da democracia, protecção ambiental, acesso à cultura ou gestão equilibrada do tempo.(...)"
Imagem: encontrei a imagem no site da "exposição - Urbano - neste meio de mar"
quinta-feira, 10 de outubro de 2019
domingo, 29 de setembro de 2019
Como Salienta o Cronista

"A relação entre Trump e Tancos é evidentemente absurda, e no entanto, há coincidências que fazem pensar. Será que vivemos num mundo onde os códigos de conduta políticos ou éticos correm o risco de ser reduzidos a comportamentos absolutamente irresponsáveis, inverosímeis e grotescos? Como se explica tal deriva e que consequências devemos temer? Não será preocupante que essas coincidências sejam o reflexo de acontecimentos passados que tendem a repetir-se e a amplificar-se?(...)". Este início da habitual crónica semanal de Vicente Jorge Silva, hoje ("Trump em Tancos") na impressa do Público, retrata a preocupação dos que olham com perplexidade para o desfile de irresponsabilidades. Aliás, a 1ª página do Expresso, um dos jornais dito de referência que sobra, destaca: "Tancos - PS aponta para conspiração do MP" e acrescenta que "Marcelo não atendeu telefone a Costa e ponderou pedir ao CE para depor no processo". É óbvio que este ambiente só interessará aos inimigos da democracia que espreitam nas esquinas mais inesperadas. Vai valendo que não será, realmente, "tudo a mesma coisa", mas temendo-se pelo prazo de validade; como salienta o cronista (reforçado em “Nenhum país está imune ao populismo").
Nota: é óbvio que a ascensão destes comportamentos é um resultado da queda do espaço dos "governos responsáveis" que eclodiu em 2008 e que está longe de terminar (em Portugal também).
quarta-feira, 6 de março de 2019
Em Vão

Macron, aflito e inspirado no desenho do Quino, inscreve "o renascer europeu" para transformar a Europa num pólo de "liberdade, protecção e progresso" (LPP). A Europa perdeu esse espaço porque ficou refém dos mercados financeiros. Cada vez mais europeus esperam pelo comboio LPP; em vão. Em 2016, Joseph Stiglitz antecipou: "não é correcto chamar de populista um candidato que diz preocupar-se com os 90% de pessoas que um governo deixou para trás. Não é merecedor de crítica. O populismo pode ser um remédio contra o elitismo." O Nobel da economia (2001) preferiu o termo demagogia e deu um exemplo: "Números "surgidos" do nada como o limite de 3% do défice."
Os portugueses duplicam a espera pelo LPP; em vão. É um desfile carnavalesco único na Europa, se considerarmos que já não há país com a banca neste estado por causa de 2007. Para além da disciplina orçamental, os portugueses ainda têm a banca. O que esperam que seja explicado no Novo Banco, e a partir de hoje no Parlamento e pondo nomes a escriturários, compradores e vendedores, é simples se imaginarmos o seguinte exemplo: um activo imobiliário foi escriturado em 2006 por 10 milhões, foi hoje vendido pelo valor executável de 4 milhões (portanto, 6 milhões de imparidades suportados por empréstimos dos contribuintes a 30 anos) e amanhã é comprado por 9 milhões.
Os professores assistiram, neste Carnaval, a mais um desfile do "arremesso ao professor". Já não há paciência para desconstruir as acusações (e muita desconsideração) de intransigência e progressões automáticas, nem sequer para a epifania dos 600 milhões. Para além disso, os "tudólogos", e as "tudólogas", são transversais. É mentira que os professores queiram um regime de excepção na contagem do tempo de serviço. A generalidade da administração pública já o contou na totalidade, bem como os professores das regiões autónomas (mesmo que de forma faseada). Por incrível que pareça, sobram os corpos especiais (professores, magistrados, militares e polícias). Afinal, o estatuto de especial triplica a espera, em vão, LPP: défice orçamental, banca e sacerdócio.
domingo, 3 de março de 2019
Recordando Manuel António Pina

"A crise quando chega toca a todos, e eu já não sei se hei-de ter pena dos milhares de homens e mulheres que, por esse país fora, todos os dias ficam sem emprego se dos infelizes gestores do Banco Comercial Português que, por iniciativa de alguns accionistas, poderão vir a ter o seu ganha-pão drasticamente reduzido em 50%, ou mesmo a ver extintos os por assim dizer postos de trabalho.
A triste notícia vem no DN: o presidente do Conselho Geral e de Supervisão daquele banco arrisca-se a deixar de cobrar 90 000 euros por cada reunião a que se digna estar presente e passar a receber só 45 000; por sua vez, o vice-presidente, que ganha 290 000 anuais, poderá ter que contentar-se com 145 000; e os nove vogais verão o seu salário de miséria (150 000 euros, fora as alcavalas) reduzido a 25% do do presidente. Ou seja, o BCP prepara-se para gerar 11 novos pobres, atirando ainda para o desemprego com um número indeterminado de membros do seu distinto Conselho Superior. Aconselha a prudência que o Banco Alimentar contra a Fome comece a reforçar os "stocks" de caviar e Veuve Clicquot, pois esta gente está habituada a comer bem."
sábado, 12 de janeiro de 2019
quarta-feira, 23 de maio de 2018
"A Depressão dos Professores"
Um texto de Carmo Machado com um retrato do estado a que isto chegou. O texto foi publicado pela revista Visão e colo-o na totalidade porque é um testemunho impressionante.
segunda-feira, 7 de maio de 2018
“Sócrates urdiu uma teia de enganos. Mentiu, mentiu e tornou a mentir”
Desenvolvimentos de um processo de implosão:
Fernanda Câncio: “Sócrates urdiu uma teia de enganos. Mentiu, mentiu e tornou a mentir”
"O ex-primeiro-ministro “mentiu tanto e tão bem” que conseguiu que muita gente séria não só acreditasse nele como o defendesse, em privado e em público, aponta Fernanda Câncio, jornalista e ex-namorada de José Sócrates, num texto de opinião publicado esta segunda-feira no “Diário de Notícias”
José Sócrates “mentiu ao país, ao seu partido, aos correligionários, aos camaradas, aos amigos” e aos que tinha “mais próximos”, escreve Fernanda Câncio - jornalista com quem o primeiro-ministro socialista manteve uma relação próxima no passado -, num texto de opinião publicado esta segunda-feira no “Diário de Notícias”.(...)"
quarta-feira, 4 de abril de 2018
Recordando Manuel António Pina - crónica de Outubro de 2010

"A crise quando chega toca a todos, e eu já não sei se hei-de ter pena dos milhares de homens e mulheres que, por esse país fora, todos os dias ficam sem emprego se dos infelizes gestores do Banco Comercial Português que, por iniciativa de alguns accionistas, poderão vir a ter o seu ganha-pão drasticamente reduzido em 50%, ou mesmo a ver extintos os por assim dizer postos de trabalho.
A triste notícia vem no DN: o presidente do Conselho Geral e de Supervisão daquele banco arrisca-se a deixar de cobrar 90 000 euros por cada reunião a que se digna estar presente e passar a receber só 45 000; por sua vez, o vice-presidente, que ganha 290 000 anuais, poderá ter que contentar-se com 145 000; e os nove vogais verão o seu salário de miséria (150 000 euros, fora as alcavalas) reduzido a 25% do do presidente. Ou seja, o BCP prepara-se para gerar 11 novos pobres, atirando ainda para o desemprego com um número indeterminado de membros do seu distinto Conselho Superior. Aconselha a prudência que o Banco Alimentar contra a Fome comece a reforçar os "stocks" de caviar e Veuve Clicquot, pois esta gente está habituada a comer bem."
segunda-feira, 3 de abril de 2017
da lógica do cliente escolar - até dói
Ao que chegámos! O que é isto?
Hoje morreu um professor, mas isso não foi notícia
sábado, 25 de março de 2017
"Trump não é um epifenómeno"
José Pacheco Pereira, no Público, e Clara Ferreira Alves, no Expresso, entre outros, claro, escrevem textos de arrepiar (esta semana parece que combinaram na análise do trumpismo), mas que retratam, se me permitem, as sociedades actuais a partir de um ângulo de análise certeiro. Há um estilo de exercício do poder ("Trump não é um epifenómeno", de Pacheco Pereira) que se faz através do bullying. É triste, mas é assim; embora o feitiço se acabe por virar, e como sempre, contra o feiticeiro, como também parece ser o caso Trump.

domingo, 5 de fevereiro de 2017
De Trump e da indiferença perante a crueldade
"(...)Pior do que a crueldade, sempre gratuita, é esta indiferença perante a crueldade. As pessoas que resolvem olhar para o lado, fugir com o rabo à seringa, pretendendo não ver. As pessoas que têm horror da resistência. Os facilitadores. Os cúmplices. Os assalariados. Os corrompidos. Os cobardes. Os amorais. Os neutros.
O que assusta em Trump não são as políticas de Trump. O que assusta é a crueldade, traço evidente para quem viu os episódios de "O Aprendiz" ou os primeiros debates contra os republicanos, quando ele não esperava ganhar.(...)"
Clara Ferreira Alves (2017.02.04:03)
Revista do Expresso
sexta-feira, 15 de abril de 2016
do Baú de recordações
também aqui - Setembro de 2011
"Muitos criticavam o presidente da República (PR) por não dizer nada sobre os buracos postos a descoberto nas contas da Madeira, agravando os défices de 2008, 2009 e 2010 e a factura dos "sacrifícios" impostos aos portugueses (o PR aparentava ser o único português sem coisa nenhuma a dizer sobre o assunto).
O caso afigurava-se ainda mais estranho considerando o memorável dia em que o PR interrompeu umas merecidas férias no Algarve para falar ao país do ingente problema de um artigo do Estatuto dos Açores.
Afinal, o PR só aguardava o momento propício para dizer de sua justiça. E o momento chegou ontem (nos Açores, onde haveria de ser?). O país ficou a saber o que o PR pensa não só sobre a Madeira mas também sobre os demais problemas que afligem os portugueses e mantêm o país em estado de alerta laranja: "Ontem eu reparava no sorriso das vacas, estavam satisfeitíssimas olhando para o pasto que começava a ficar verdejante".
Trata-se de uma tomada de posição enigmática mas que, devidamente decifrada, decerto tranquilizará os portugueses: quem sabe se "vacas" não será uma metáfora de "mercados" e se o "pasto que começava a ficar verdejante" não significará a diminuição do défice ou que o ministro Álvaro irá finalmente aparecer numa manhã de nevoeiro?
Ganha assim sentido o misterioso conceito de "magistratura activa" que Cavaco não se cansou de prometer aos portugueses durante a sua campanha eleitoral."
quinta-feira, 14 de abril de 2016
sábado, 9 de abril de 2016
o panamá e a frustração portuguesa
Nota-se a frustração portuguesa com os primeiros dados do "Panamá Leaks". Há alternativas para que não se elimine a vontade de um mundo melhor? Claro que haverá. É muito interessante o exemplo relatado hoje na revista do Expresso.
"OS JORNALISTAS VÃO GASTAR MESES E ANOS A TRATAR DADOS ENCRIPTADOS DE QUE NINGUÉM, DAQUI A UNS DIAS, QUERERÁ SABER EXCETO SE FOREM CARAS CONHECIDAS. OS PEIXES GORDOS SOBREVIVERÃONunca ninguém ouviu falar de Crickhowell. É uma cidade do País de Gales que fica à beira de uma das autoestradas do Reino Unido. O nome em galês foi traduzido para inglês para não tornar a cidade impronunciável. Tem um castelo, duas escolas, uma biblioteca, igrejas e hotéis, uma rua principal com lojas, cafés, pubs, restaurantes. Os hotéis explicam-se pela popularidade de Crickhowell com os amantes da natureza. Campismo, caravanismo, montanhismo. Os estabelecimentos comerciais são quase todos negócios familiares, alinhados nas ruas e calçadas do centro da cidade. Nunca ninguém ouviu falar de Crickhowell até Steven Lewis, dono de um café e restaurante, se irritar. O senhor Lewis é um militar durão, reformado, que resolveu revoltar-se, juntamente com os outros comerciantes da cidade, contra o sistema de impostos. A cidade nunca aceitou a vinda das multinacionais e não tem um Starbucks. Ou qualquer uma das cadeias gigantes de retalho. O senhor Lewis descobriu que tinha pago 21% de IRC no último ano, equivalente a 31 mil libras, 38.500 euros. E que a multinacional Facebook tinha pago, no mesmo ano, 4327 libras, 5380 euros. Exatamente. Um sétimo das taxas de Mr. Lewis. Um montante inferior ao IRS de um contribuinte inglês médio. Os comerciantes de Crickhowell descobriram o que todos sabiam ou deviam saber, que todos sabemos ou devemos saber. Que os ricos, sobretudo as grandes corporações, não pagam impostos. Google, Facebook, Apple, Starbucks, muitos outros, não precisam de usar os expedientes de firmas como a Mossack Fonseca, basta instalarem-se, através de um sistema multiplicador de evasões perfeitamente legais desenhadas por grandes e respeitáveis escritórios de advogados, em território europeu. Na Irlanda, na Holanda, no Luxemburgo, entre outros. Países que funcionam como offshores numa escala superior ao Mónaco, a Malta ou Jersey. Os sistemas fiscais europeus autorizam estas manobras, encorajadas e toleradas por governos democráticos. Parte da ‘recuperação’ irlandesa tem que ver com a sua capacidade para funcionar como sede fiscal e mecânica das multinacionais tecnológicas. Steven Lewis, com a sua experiência militar na Irlanda do Norte e no Médio Oriente, resolveu arregimentar os comerciantes de Crickhowell e marchar contra o ‘inimigo’. O Governo britânico. Resolveu replicar a manobra e tentar que a cidade pagasse impostos, como um coletivo, num paraíso fiscal. O Governo disse não, porque as cidades, ao contrário das empresas, não podem registar-se offshore. A cidade queria ter os mesmos direitos das empresas. Steven Lewis não desistiu e afirmou em público que enfrentaria o Governo com as táticas que aprendera a usar contra o terrorismo. “Vamos à jugular”, disse. “E vamos ser brutais”. Numa estimativa baixa, os impostos sonegados às autoridades fiscais do Reino Unido devem andar pelos 3,8 biliões em 2014. E os impostos das corporações são mais baixos do que nos Estados Unidos. Um padeiro de Crickhowell descobriu que tinha pago mais impostos do que o Facebook. E não tem dinheiro para expandir o negócio, ao contrário das multinacionais. Os habitantes de Crickhowell tornaram-se peritos em táticas de evasão fiscal. Têm autocolantes nas janelas que dizem Fair Tax Town, e continuam a reivindicar pagar impostos offshore e coletivamente. Mais 27 cidades aderiram à iniciativa. Steven Lewis quer ainda um sistema de rating por estrelas para acusar as corporações que pagaram menos impostos, e toda a gente ficar a saber. Transparência, fim do segredo.Esta forma de luta, ou os tachos e os iogurtes e bananas atirados contra o Parlamento da Islândia, são tanto ou mais eficazes como a publicação dos “Panama Papers”. Os jornalistas vão gastar meses e anos a tratar dados encriptados de que ninguém, daqui a uns dias, quererá saber exceto se forem caras conhecidas. Os peixes gordos sobreviverão. As várias firmas Mossacks Fonsecas, saídas de um livro de John Grisham, continuarão. Os governos que deixam que o Facebook pague impostos ridículos ficarão. E Londres foi comprada pelos mesmos plutocratas. Daqui a uns dias, a frívola atenção das massas esmorece, por excesso de informação. E arranja outro tema. Arranja sempre. Lembram-se do “pequeno Aylan”?"
segunda-feira, 14 de dezembro de 2015
da meritocracia
O "excesso" de meritocracia, ou a meritocracia insensata e mergulhada no capitalismo selvagem, elimina a meritocracia como alicerce das sociedades democráticas do nosso tempo. É uma conclusão que vai ganhando força e que não é contraditória. E depois existe uma questão antiga que Michael J. Sandel (leio que é "o maior filósofo vivo), em "O que o dinheiro não pode comprar", sintetiza de forma simples e bem actual: "há valores que o mercado diminui ou perverte".
terça-feira, 1 de setembro de 2015
ai se os gregos miassem...
Há quem diga que os refugiados sírios ou líbios teriam a vida mais facilitada se miassem ou ladrassem. Não há muito pensei o mesmo sobre os gregos. João Miguel Tavares tem um texto muito interessante, hoje no Público, com uma passagem lapidar: "(...)É pena os refugiados sírios ou líbios não ladrarem ou miarem em vez de falarem línguas incompreensíveis, porque aí teriam um partido português a defendê-los e uma longa lista de abaixo-assinados prontos a reclamar pelos seus direitos. Se eu fosse refugiado e quisesse chamar a atenção, acho que ladrava em vez de falar, até porque o que não falta nas Avenidas Novas, onde toda esta cena se passou, são clínicas veterinárias impecáveis, algumas das quais abertas 24 horas por dia.(...)"
-
O discurso, em Davos, de Mark Carney, PM do Canadá, é corajoso. O texto - a prosa é mesmo sua e publico a tradução como recebi por email de...
-
O cartoon "One year of Trump" é de Gatis Sluka. Encontrei-o na internet sem restriçoes de publicação. Sabemos que o centro de gr...
-
O Correntes mudou de casa. A nova morada é em https://correntesprudencio.blogspot.com/ A mudança da SAPO para o Blogspot deve-se ao encerr...

