Há dois factores climáticos que evidenciam a qualidade de uma sociedade: a confiança e a transparência. Escrevo mais: são os motes essenciais da sociedade da informação e do conhecimento.
Penso que a génese da quebra de confiança dos professores portugueses na "mesa de negociação" tem antecedentes na história recente e uma elevada dose de descrença na qualidade da discussão nas matérias que vão para além das questões financeiras e de progressão na carreira.
Os sindicatos necessitam de limitação de mandatos e de períodos efectivos de sala de aula. No que diz respeito aos governos, o caminho é mais longo e mais difícil e resume-se na seguinte formulação: "a questão não está em dizeres-me que confias ou não em mim, mas nos métodos que elegeste para obteres a minha informação."
Ouvi, há tempos, uma bela entrevista na antena 2 da RDP. Dizia o entrevistado: "um diálogo é apenas um encontro de dois monólogos". Lembrei-me de Rilke e de uma das suas ideias sobre a condição humana: "estamos irremediavelmente sós".
Acreditemos mas com realismo.
ResponderEliminarGostei muito do post!
ResponderEliminarum abraço
O último paragrafo é bem verdade. Pior é quando os dois monólogos são de coisas completamente diferentes e nenhum dos intervenientes decide ouvir o monólogo do colega.
ResponderEliminarSubscrevo.
ResponderEliminarTem razão. Este texto do Paulo está genial.
ResponderEliminarGanda argumentação. Muito bem mesmo.
ResponderEliminar"que vão para além das questões financeiras e de progressão na carreira. " - vão muito para além mesmo. Mas parece que só interessa isto!
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