terça-feira, 12 de janeiro de 2010

materialismos

 



 


 


Só quem se distrai com facilidade pode acusar os professores portugueses de remeterem as causas da sua luta para as questões salariais. Bem sei que os tempos são o que são, que não se vive do ar e que o acordo financeiro entre os sindicatos e o governo tem como pano de fundo um leve desassossego material.


 


Noutro dia, um economista da área do bloco central, talvez mais do PSD e cujo nome não me recordo por agora, atirou-se sem contraditório à massa salarial dos professores responsabilizando-a pelo défice orçamental actual. Fiquei estupefacto. Em dois ou três anos o dito passou de 2,8 para 8 ou 9 e, nesse período, os professores viram as suas carreiras congeladas. Mas mais: "o volume salarial da função pública passou de três por cento do produto interno bruto para menos de dois".


 


Por aí o caminho é difícil mas já o foi mais, por incrível que pareça. Estamos melhor do que há quatro anos.


 


O que me preocupa nesta fase é a inexistência de interlocutores que discutam, e que decidam, sobre o muro de má burocracia que asfixia a possibilidade do ensino e que associado aos desígnios da OCDE afoga o poder democrático das escolas. E escrevo-o com a mais firme convicção: a mesa de negociação está preenchida por interesses que ficam à porta das salas de aula.

3 comentários:


  1. "a mesa de negociação está preenchida por interesses que ficam à porta das salas de aula."

    Excelente.

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  2. Um professor resistente12 de janeiro de 2010 às 21:13

    Nem mais.

    "A «revolução conservadora» tinha graça há duas décadas quando valia a pena construir o edifício. Hoje, ele está deficiente. Em primeiro lugar, chamem os professores. Os professores-professores — não os técnicos em Ciências da Educação que não dão aulas há vinte anos. Chamem os professores que contactam com os alunos, que dão aulas, que passam pelos corredores e sabem do que se fala quando se fala de educação. A tentação da reforma a todo o custo cria vítima insuspeitas; para legislar sobre o «modelo de avaliação dos professores» a primeira coisa que fizeram foi afastar os professores. Não queiram fazer a reforma curricular afastando-os de novo. Basta ouvir, tomar notas, recolher histórias reais. Isto não são os cientistas da pedagogia que o podem fazer; eles não têm histórias reais para contar — aliás, lendo o que eles escrevem nas introduções aos programas escolares e nos materiais ideológicos produzidos pelo Ministério da Educação, até é legítimo supor que não falam Português."

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  3. Ele(s) não nos quere(m) deixar comprar "umas calças brancas"...
    ( ) sérgio

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