segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

a esquerda, a direita e o oxigénio

 



Foi daqui


 


 


 


A desburocratização da actividade docente é o oxigénio que permitirá a possibilidade do ensino e, como alguns defendem, um dos passos essenciais para a redefinição do poder democrático da escola nesta sociedade de incertezas e de abundância de informação.


 


Em Portugal tem sido discutida a responsabilidade na origem do problema: mais à esquerda ou mais à direita?


 


Pela prática política - nalguns casos político-sindical - ou pelo que se escreve, não há qualquer dúvida: a contaminação tem sido transversal e as propostas de solução inserem-se no tradicional "mais do mesmo". O que encontramos é um consenso que asfixia e que muitos denominam de eduquês. Basta conhecer o histórico de quatro ou cinco matérias:



  • decisões ao nível do bloco de organização escolar;

  • secundarização dos conteúdos de ensino em favor das competências de aprendizagem;

  • estatuto do aluno;

  • invenções técnico-pedagógicas;

  • critérios de avaliação dos alunos:


Peguemos nalguns exemplos.


 


É incomparável a carga burocrática que se inventou para a fundamentação de uma nota negativa em relação a uma positiva. Essa desconfiança generalizada nos professores é transversal, não recebe uma voz institucional de protesto e não beneficia quem quer que seja muito menos os alunos necessitados de educação especial.


 


Mas os professores também não se livram do contributo para o estado de sítio burocrático. Como bem escreveu José Luiz Sarmento, do blogue "As minhas leituras", aqui, mais do que esquerda e direita (neste caso de análise interna da escola) devemos falar de racionalidade versus inutilidade.


 


Socorramo-nos pois de um exemplo recorrente no século passado. Quando alguém passava a dirigir um qualquer órgão, conselho executivo, pedagógico ou de departamento, e tinha de apresentar o programa de acção respectivo, procedia como? Em vez da racionalidade de apresentar uma proposta escrita, iniciava a primeira reunião com a seguinte formulação: "gostava de saber quem são os voluntários para redigir o programa (ou o projecto)".


 


Esta demissão impregnada de democraticidade (muitas vezes para esconder uma notória incapacidade em estabelecer propósitos concretos) deixava o ambiente embaraçado, era de uma evidente inutilidade, gerava desperdício de tempo, em regra burocratizava o processo e terminava numa cópia do primeiro exemplar externo que aparecesse pelo caminho.


 


Este estado de inoperância organizacional alastrava-se, conduzia as instituições a uma improdutividade exasperante e era assumido à esquerda e à direita. 

18 comentários:

  1. Um professor resistente26 de janeiro de 2010 às 20:43

    Um amigo meu costuma dizer: em grande forma.

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  2. É mesmo verdade :"demissão impregnada de democraticidade", ui há tanto disso por tanto lado. Não apresentam o que quer que seja e então delegam nos grupos de trabalho. É a democracia a funcionar.

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  3. No século passado Paulo? É estratégia dos oportunistas para o que estamos a viver.

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  4. Absolutamente de acordo. Não é só no público, no privado pululam os "mando fazer" para esconder que nada sei.

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  5. Clareza na exposição e no raciocínio.

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  6. Vamos a arrancar árvores! Papel, papel, papel, muito papel.... Registo impresso. Muito registo, mas impresso.

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  7. Dia mundial da floresta é único. Os outros são para corte. AR PURO!!!!

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  8. Pululam por todo o lado. É mesmo verdade. Escondem a ausência de projectos , de trabalho, de ideias, de saberes nos " grupos de trabalho". deles, dos que devem dar o exemplo, nada. Até isto a blogosfera desmonta. Há mais informação e mais rápida. os bloggers (alguns) são "moscardos"que "acordam as consciências do sono dogmático". O pensamento crítico é a melhor estratégia para combater a manipulação.

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  9. Subscrevo. Agora sim. Desculpe.

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  10. Visão certeira. Parabéns aos dois. Os blogues são uma lufada de ar fresquíssimo.

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  11. Claro. E o Paulo sabe disso.

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