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quinta-feira, 24 de outubro de 2024

Reformas e Remédios (1)


 



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É recorrente a febre com que se "anuncia a roda" (ou novos paradigmas) no sistema escolar; e talvez daí a intemporalidade do benuron. Mas o que é engraçado, e sem ter graça nenhuma, é que passa o tempo e recuperam-se ideias antigas como se fossem novidades. Parece um percurso circular.

Escrevia, algures em 1998, para uma revista sobre educação. Pediram-me que escrevesse sobre reformas. Lembrei-me dos remédios. Fui ler a literatura do “Benuron” - medicamento para todas as dores e para todas as maleitas gripais e constipais - inspirei-me no folheto e fui andando. Foi uma noite bem passada. 26 anos depois publico de novo. É a 4ª vez que o faço em 20 anos de blogue e talvez não seja a última. Quem acompanha o blogue há muito já deve ter lido. Mas se não estiver com muita pressa, leia que talvez se divirta. Confesso que me impressionou a actualidade dos 16 remédios onde até se antecipavam (1998), no remédio propedêutico, os efeitos nos alunos das escolas por internet ou televisão.

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Interdisciplinaridade.

Registo da patente: acredita-se que teve início da década de 80, mas sem registo da patente devido à provisoriedade dos diversos governos de então.

Composição: a plenitude dos saberes integrados.

Indicações terapêuticas: eliminar todos os bloqueios que impedem a comunicação entre os diversos saberes.

Contra-indicações: o seu tempo de eficácia é cirúrgico (julga-se que o medicamento é desconhecido por quem se dedica a fazer programas escolares).

Precauções especiais de utilização: quando utilizada de forma demasiado optimista pode provocar sérias indigestões aos alunos de todos os escalões etários.

Prazo de validade: resiste a várias intempéries; provoca inúmeros seminários e colóquios sobre a problemática dos prefixos, inter, trans, pluri e multi?; rapidamente pode mudar de nome e transformar-se, ainda, em algo compulsivamente quase obrigatório (área escola) ou mesmo obrigatório (área de projecto).

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Pedagogia não directiva.

Registo da patente: registada pelo psicoterapeuta Carl Rogers, apenas começou a ser falada em Portugal após a reforma Veiga Simão. 

Composição: relações plenas e empáticas.

Indicações terapêuticas: elimina conflitos e contradições e dispõe para a aprendizagem como nenhuma outra corrente pedagógica.

Contra-indicações: só pode ser aplicada a um aluno de cada vez;

Precauções especiais de utilização: quando aplicada a mais do que um aluno tem consequências desastrosas, entra-se e sai-se da sala de aula sem se perceber onde estava o do(c)ente;

Prazo de validade: é utilizada todos os dias pelos menos atentos à validade dos medicamentos, mas o autor declinou a responsabilidade no acto de registo da patente.


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Magistercentrismo.

Registo da patente: as suas origens perdem-se nas memórias do tempo; em Portugal teve os maiores laudos doutrinários durante o Salazarismo.

Composição: relações inexistentes entre o mestre e os outros.

Indicações terapêuticas: alimenta a inquestionável e douta sabedoria do mestre; ideal para memorizar os afluentes dos rios ultramarinos e os inúmeros apeadeiros dos caminhos de ferro dos continentes e das ilhas adjacentes.

Contra-indicações: não recomendado para estados de patologia democrática.

Precauções especiais de utilização: deve administrar-se nos trajes mais cinzentos e formais e nunca, mas nunca, o administrador deve abdicar do ar mais austero e sisudo.

Prazo de validade: desconhecido.


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Plano da turma.

Registo da patente: equipa coordenadora dos programas escolares na reforma Roberto Carneiro em 1989.

Composição: plano miraculoso que descreve o que foi ensinado.

Indicações terapêuticas: permite a cada docente conhecer, necessariamente, o que foi ensinado, no ano imediatamente anterior, em cada uma das disciplinas;

Contra-indicações: provoca a desflorestação do país e a entropia no sistema das arrecadações das secretarias escolares ao produzir 3 biliões 430 milhões 348 mil e 986 folhas de papel de relatórios pedagógicos.

Precauções especiais de utilização: deve administrar-se em dois parágrafos com oito palavras cada um. Prazo de validade: 24 horas.


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Ciclo preparatório.

Registo da patente: início da década de 70 com a reforma Veiga Simão. 

Composição: dois anos de escolaridade.

Indicações terapêuticas: preparar a brusca transição entre a escola primária e a escola secundária.

Contra-indicações: não são conhecidas.

Precauções especiais de utilização: devido ao seu autorizado sucesso, tem tendência para se arrastar aos ciclos antecedentes ou precedentes.

Prazo de validade: apesar da sua constante mudança de nome não tem prazo de validade.


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Autonomia e gestão das escolas.

Registo da patente: equipa do Ministério da Educação conduzida pelo Ministro Marçal Grilo.

Composição: sistema complexo de órgãos de decisão.

Indicações terapêuticas: estabelece regimes democráticos eficientes e plenamente participados, em que a repetição das agendas das reuniões consagra o seguinte princípio pedagógico: repetir para aprender; respeitando a posologia e tomado de forma consistente, transforma qualquer escola num espaço organizativo verdadeiramente português: muitos patamares de decisão com órgãos e mais órgãos convenientemente dispersos;

Contra-indicações: em estabelecimentos de ensino com menos de 1000 docentes, 300 não docentes e 10000 alunos, tende a tornar-se num processo em que as mesmas pessoas encontram-se vezes sem conta para discutir os mesmos assuntos.

Precauções especiais de utilização: sempre que se verifiquem as contra-indicações indicadas, todos devem fazer, o mais possível, de conta.

Prazo de validade: depende da capacidade de resistência às doenças.


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Gestão flexível dos currículos.

Registo da patente: equipa do Ministério da Educação conduzida pelo Ministro Marçal Grilo.

Composição: sistema complexo que pretende reduzir o número de aulas dos alunos.

Indicações terapêuticas: a sua principal finalidade terapêutica é permitir aos alunos o estudo acompanhado e, finalmente, realizar projectos com integração de saberes.

Contra-indicações: para respeitar o aforismo lusitano, em que o que se faz em dois anos pode-se fazer em três ou em quatro, este medicamento inclui as disciplinas todas nos anos todos (a saber, sequência disciplinar), nem que seja com uma aula semanal por disciplina.

Precauções especiais de utilização: tomada em doses elevadas, pode obrigar alunos dos 2º e 3º ciclos a terem que frequentar aulas nocturnas para completarem todo o currículo flexível.

Prazo de validade: espera-se a eternidade considerando o seu carácter flexível.


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Avaliação contínua.

Registo da patente: foi registada, em 1974, por Gilbert de Landsheere, docente de docimologia na Universidade de Liége; era correcto defendê-la em Portugal a partir de 1976.

Composição: sistema composto, entre outros, por diversos momentos e tipos de avaliação .

Indicações terapêuticas: a sua principal finalidade terapêutica é garantir solidez a todo o edifício escolar; garante aos docentes horas e mais horas de trabalho.

Contra-indicações: medicamento concebido para eliminar os exames escolares sujeita, no entanto, - e na maioria das vezes - os alunos a frequentes exames mensais em todas as disciplinas dos currículos;

Precauções especiais de utilização: respeitada na integra a posologia pode provocar curvas de Gauss de valor médio infinito.

Prazo de validade: como não foi concebida para ser aplicada nos diversos sistemas escolares também não se estabeleceu o prazo de validade.


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Taxonomias.

Registo da patente: taxonomia do domínio cognitivo registada por Bloom em 1948; taxonomia do domínio psicomotor registada por Harrow em 1972; taxonomia do domínio afectivo registada por Krathwohl em 1966; a sua divulgação em Portugal ocorreu, principalmente, a partir de 1976.

Composição: listagem hierarquizada dos comportamentos humanos.

Indicações terapêuticas: ilumina a prática docente reforçando a arrumação dos alunos em gavetas (em linguagem científica, níveis de aprendizagem).

Contra-indicações: à sua medicação deve ser associada um anti-depressivo, pois os medicados perdem-se nas listagens hierarquizadas, porque na maioria das vezes é necessário um ano lectivo para caracterizar um só aluno.

Precauções especiais de utilização: transforma-se facilmente em dogma e origina autênticas perturbações na percepção docente, ou seja, os docentes esquecem-se com facilidade da presença dos alunos.

Prazo de validade: não passou da fase de laboratório.


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Objectivos.

Registo da patente: Viviane e Gilbert de Landsheere em 1976; em Portugal divulgou-se no mesmo ano.

Composição: listagens de indicadores, digo, de conteúdos, digo de competências, apresentadas com a conjugação do verbo no imperativo, digo, no presente do indicativo, digo, no pretérito perfeito do indicativo.

Indicações terapêuticas: ordena a prática docente, clarifica o que tem que ser ensinado e elimina o que tem que ser aprendido.

Contra-indicações: pode provocar sobredosagem se tomado em associação com concorrentes ou derivados (por exemplo - conteúdos, indicadores, competências, gerais, específicos, terminais, operacionais, iniciais...).

Precauções especiais de utilização: se não está muito seguro não o utilize.

Prazo de validade: três séculos e 23 dias.


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Propedêutico.

Registo da patente: VII Governo Constitucional Português em 1978.

Composição: conteúdos multimédia da idade média.

Indicações terapêuticas: entretém os jovens enquanto as universidades não abrem; prepara os jovens para o século XXI.

Contra-indicações: tomado sem vigilância médica, pode provocar alterações filogenéticas; nessas circunstâncias, alguns jovens podem começar a indiciar o nascimento de uma pequena cauda ou sentirem pequenas saliências no topo da cabeça que, nos casos testados, se supõe serem umas intrigantes antenas.

Precauções especiais de utilização: exige a máxima concentração e implica a utilização de televisores sem comando à distância.

Prazo de validade: três anos, salvo seja.


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Desenvolvimento pessoal e social (DPS).

Registo da patente: equipa coordenadora dos programas escolares na reforma Roberto Carneiro em 1989.

Composição: 3 mg de creme de flores de harmonia, 4 mg de extractos de pétalas de entendimento e 3 ml de soluto de sódio de resolução de todos os problemas.

Indicações terapêuticas: desenvolve os jovens pessoal e socialmente; prepara os jovens para a sua vida pessoal e social; ajuda os jovens a encarar o futuro, quer na vertente pessoal quer na vertente social; e é, ainda, totalmente eficaz no desenvolvimento pessoal e social dos jovens com problemas;

Contra-indicações: pode provocar sérias perturbações na normal e abençoada aplicação da concordata.

Precauções especiais de utilização: não pode ser utilizado em alternativa à educação moral e religiosa católica.

Prazo de validade: 50 minutos.


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Escola cultural.

Registo da patente: não tem a patente registada, mas podemos considerar o ano de 1984 como o momento da sua divulgação em Portugal.

Composição: práticas culturais intensivas; hábitos culturais com elevado grau de contágio; resumos concentrados do manual "“tudo é cultura". 

Indicações terapêuticas: estimula, de forma irreversível, os apetites culturais de toda uma nação em apenas meia geração; estimula a ideia que a produção cultural requer apenas 10 por cento de esforço e 90 por cento de inspiração;

Contra-indicações: cria a sensação de que tudo é mesmo cultura; tomado nas doses certas, pode provocar, anos depois, o aparecimento de incómodas erupções cutâneas com o nome científico de músicas de uma nota só (outros investigadores optaram pela denominação pimba”).

Precauções especiais de utilização: só pode ser vendido mediante receita médica; só deve ser receitado após, o suposto utilizador, ter frequentado 254 colóquios, 367 seminários e ter obtido 196,45 unidades de crédito devidamente certificadas pelo conselho científico de uma qualquer faculdade da universidade técnica de Lisboa.

Prazo de validade: não se chegou a estabelecer.


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Sociometria.

Registo da patente:
os estudos nesta área foram iniciados por Northway em 1967 e introduzidos em Portugal em 1972.

Composição: matrizes sociométricas, gráficos sociométricos, diagramas sociométricos, sociogramas sociométricos, folhas pautadas sociométricas e canetas sociométricas.

Indicações terapêuticas: indica, com clareza, qual é o aluno em que o docente se deve apoiar em momentos de aperto; permite conduzir à porta de saída os alunos problemáticos, com a certeza antecipada da popularidade do seu (docente) gesto.

Contra-indicações: para o tratamento dos dados são necessários conhecimentos básicos de mecânica quântica.

Precauções especiais de utilização: em humanos dos 0 aos 18 anos tem que ser feita uma verificação horária considerando as naturais oscilações das suas preferências.

Prazo de validade: com toda a segurança, meia hora.


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Créditos.

Composição: três folhas A4 devidamente encadernadas, sendo a primeira destinada à capa e a última preenchida pelas unidades de crédito devidamente certificadas.

Indicações terapêuticas: estimula o desempenho escolar dos docentes; justifica as avultadas despesas com os diversos programas de formação contínua financiados pela Europa dos quinze.

Contra-indicações: não é recomendado a docentes exigentes e ou insatisfeitos;

Precauções especiais de utilização: devido ao grande volume de matérias docimológicas nele contidas, exige-se a sua apresentação, impreterivelmente, 60 dias antes do fim do prazo de validade.

Prazo de validade: um escalão.


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Perfil do aluno. 

Registo da patente:
equipa coordenadora dos programas escolares na reforma Roberto Carneiro em 1989.

Composição: registo preciso e rigoroso do estado do produto aluno somados x anos de laboração.

Indicações terapêuticas: impede desvios acentuados nos complexos processos de apreciação global dos alunos; facilita a criação de mecanismos rigorosos de análise transversal do desempenho de humanos sujeitos ao agressivo contexto escolar.

Contra-indicações: pode provocar ligeiras dores de cabeça quando verificada a sua articulação com os programas escolares das disciplinas dos anos terminais de ciclo.

Precauções especiais de utilização:
não deve ser aplicado a alunos muito curiosos nem aos que se posicionem de frente ou de costas.

Prazo de validade: um ciclo escolar, precisamente.

sábado, 22 de junho de 2024

Pelo Parlamento na discussão do Projecto Maia

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A delegação de peticionários: Ricardo Silva, Dália Aparício, João Aparício e Paulo Prudêncio. O Paulo Guinote e a Eulália Paulo não puderam acompanhar.

 

Estive (21 de Junho de 2024) pelo Parlamento na discussão do Projecto Maia. Acima de tudo, importa concluir que os partidos do "pacto de regime para a Educação" - que vigora desde os primórdios deste milénio para as questões essenciais e que é responsável pela queda da escola pública e pela estagnação dos notáveis progressos na Educação preparada nos 30 primeiros anos da democracia -, nada aprenderam, nem sequer com a falta estrutural de professores. A questão nuclear centra-se na desconfiança nos professores assente num inferno burocrático, e que dá asas ao clima escolar vigente.

 

Como várias vezes escrevi, trata-se de uma espécie de inversão do ónus da prova. Resumidamente, desde que há escolas que os professores sabem que prestam duas contas a qualquer momento: como gerem o programa da disciplina que leccionam e como avaliam os alunos. A espécie de inversão do ónus da prova foi o sinal máximo da desconfiança e do inferno da burocracia e a súmula da proletarização.

 

Se um professor necessita de 7.500 descritores para avaliar um aluno, ou de registar duas centenas de feedbacks por aula, é um problema seu. Se necessita de formação contínua para o realizar, volta a ser um problema seu. O que não é admissível, é que o queira generalizar e impor nas organizações, ainda por cima sem qualquer software moderno de tratamento da informação, e que o poder central estimule e verifique a aplicação.

 

No Parlamento, a petição MAIA discutida era clara. Veja o canal da Assembleia da República. O PS (as duas deputadas foram uma lástima), PSD e PCP fizeram figuras tristíssimas e o PAN, Livre, IL, BE e Chega não.

 

Estive por lá mais de duas horas. Os deputados deste último partido portavam-se de modo mal-educado e ruidoso. Como alguém disse, "são especialistas em vitupérios".

 

Assim, não vamos lá em relação à recuperação do exercício de professor.

quarta-feira, 26 de outubro de 2022

Os 5 minutos escolares e os "Maluquinhos de Arroios" (2)


A profissão de professor é, de longe, a mais escrutinada em Portugal. Até o verniz da bancocracia estalar de vez, era a culpada pelo estado da nação. A devassa permitiu tudo.


Uma hora escolar foi de 50 minutos durante décadas. No final do milénio passado, a duração passou para 45 ou 90. Ou seja: a redução de 50 para 45 originou um imbróglio lusitano de 5 minutos (já vai quase em 20 anos sem solução à vista). Crato equacionou a possibilidade dos 50 (mas cheia de perversidades), sem eliminar os 45 e os 90. Se para que as escolas abram todas em Setembro não fossem suficientes alunos, professores, outros profissionais e horários, algumas estavam décadas a organizarem-se. 


Os ""Maluquinhos de Arroios", como lhes chamou, veja-se lá, Vasco Pulido Valente no Público, tiveram outra epifania: passar a hora escolar para 60 minutos. Andaram as escolas a operacionalizar a "possibilidade austeritária" que se esfumou de imediato por falta de racionalidade.


Se Vasco Pulido Valente escreveu (13 de Janeiro de 2013) o que pode ler a seguir, e que se mantém, é altura de interrogarmos o futuro imediato. 


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domingo, 11 de setembro de 2022

Recuperando a Série "Tijolos do Muro"




 


 


(a rubrica "tijolos do muro"


insere-se numa temática


mais vasta a que o correntes


se tem dedicado)


 


Relatório.


Avaliação externa às escolas portuguesas promovida pelo Ministério da Educação.


Dimensão: organização e gestão escolar.


Domínio: sistemas de informação.


Indicador: registo das faltas dos professores.


Informação obtida:



  • Escola A: um professor falta: o auxiliar de acção educativa (AAE) do respectivo bloco lança a ocorrência no mapa 3354.doc; o chefe dos AAE lança as ocorrências diárias verificadas em todos os blocos no mapa 3355.doc; a assistente administrava do sector de pessoal lança o produto das ocorrências semanais no mapa 3356.doc; a tesoureira lança o produto das ocorrências mensais na base de dados de pessoal e vencimentos (bdpv.xls).

  • Escola B: um professor falta: o AAE do respectivo bloco lança a ocorrência, utilizando um dos terminais da rede informática, na base de dados de pessoal e vencimentos; o sistema notifica o professor respectivo.


Descritores com a respectiva pontuação (optou-se por lista de verificação):



  • mapa 3354.doc preenchido - 10 pontos; mapa 3354.doc não preenchido - 0 pontos;

  • mapa 3355.doc preenchido - 10 pontos; mapa 3355.doc não preenchido - 0 pontos;

  • mapa 3356.doc preenchido - 10 pontos; mapa 3356.doc não preenchido - 0 pontos


Somatório neste indicador a inserir no ranking das escolas de boas práticas:



  • escola A - 30 pontos;

  • escola B - 00 pontos.


Recomendação:



a observação registada na "Escola A" deve constar do relatório OCDE2.pt na mesma rubrica em que o relatório OCDE1.pt refere o seguinte:


"As principais alavancas do processo, tais como a Ministra e os Directores Regionais, não são funcionários públicos independentes, mas políticos nomeados e sintonizados com os objectivos da política governamental. São apoiados por serviços de dados actualizados ao minuto, que permitem uma tomada de decisão inteligente e bem informada."



 


(reedição. 1ª edição em 29 de Janeiro de 2009)



sábado, 16 de julho de 2022

Faltas Escolares e Administração


Numa sociedade saudável, a gestão administrativa das faltas escolares tem a justificação como ponto de partida. Ou seja, os sistemas de informação são programados para que o lançamento inicial seja como falta justificada.


Nas sociedades ausentes ou doentes, o ponto de partida administrativo da falta escolar é a injustificação. Ou seja, a desconfiança prevalece e este pequeno detalhe provoca uma sucessão de procedimentos para justificar uma maioria de faltas que são justificadas. Parece uma coisa desmiolada, mas é mesmo assim. É até um bom exemplo, risível para quem não lida com tanto absurdo, para explicar o inferno burocrático que caracteriza estas sociedades. Aliás, registam um queixume constante em relação ao excesso de burocracia e um permanente passar de culpas entre actores viciados em desconfiança; uma espécie de espelho.


2ª edição.


 


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sábado, 24 de abril de 2021

Um Desafio de Economia

A desconfiança nos professores, que se instituiu em má burocracia, começou há quase duas década e disseminou-se a partir daí. O "eduquês organizacional" alimentou-se também do modo digital. Os ficheiros que circulam nas redes escolares são intratáveis e atingirão valores não mensuráveis. Aquele anúncio da PT, que afirmava a capacidade em sediar na Covilhã toda a informação do planeta, não considerou o MEC e o sistema escolar.


A cultura anti-professor desenvolvida nos serviços centrais generalizou-se e só se percebe se incluirmos no "modelo" a exigência de impressão de documentos para uma leitura atenta e imparcial. A impressão e a racionalização de tinteiros de impressoras explica a desconfiança nos professores que parece suportar a sua origem no que pode ler a seguir. Tem os resultados depois da imagem.


 


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Daniel Kahneman (2011:91), "Pensar, Depressa e Devagar". 


Temas e Debates. Círculo de Leitores. Lisboa.


É a 3ª edição deste post. 


 


Resultados: 5 e 47.

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Dos Modismos no Escolar

 


 


 


Fui parar a uma entrevista de Agosto de 2016 de quem coordenou o perfil do aluno no final do 12º ano. 


Regressei, pela enésima vez, a este post


Começa assim: 



A febre reformista no sistema escolar em Portugal não é nova: é mesmo imparável. O que é engraçado, e com o passar do tempo, é que vemos recuperar ideias antigas como se de grandes novidades se tratassem. Parece um percurso circular. 


Escrevia, algures em 1998, uns textos para uma revista sobre educação e o coordenador pediu-me que inscrevesse algumas ideias sobre o assunto. Lembrei-me dos remédios. Fui ler a literatura do “Benuron” - medicamento para todas as dores e para todas as maleitas gripais e constipais - peguei no seu modelo organizativo e fui andando. Foi uma noite bem passada. Quase 16 anos depois, e aproveitando as competências do blogue, publico-as de novo. Só dois detalhes antes de começar: se em 1998 era possível este grau de má burocracia e eduquês, não é de admirar que com mais 17 anos intensivos isto tivesse chegado a este estado.



Republico apenas o perfil do aluno. Para os restantes medicamentos terá que ir ao original no link referido.


 


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Perfil do aluno. 

Registo da patente: equipa coordenadora dos programas escolares na reforma Roberto Carneiro em 1989. 

Composição: registo preciso e rigoroso do estado do produto aluno somados x anos de laboração. 

Indicações terapêuticas: impede desvios acentuados nos complexos processos de apreciação global dos alunos; facilita a criação de mecanismos rigorosos de análise transversal do desempenho de humanos sujeitos ao agressivo contexto escolar. 

Contra-indicações: pode provocar ligeiras dores de cabeça quando verificada a sua articulação com os programas escolares das disciplinas dos anos terminais de ciclo. 

Precauções especiais de utilização: não deve ser aplicado a alunos muito curiosos nem aos que se posicionem de frente ou de costas. 

Prazo de validade: um ciclo escolar, precisamente.


quinta-feira, 1 de novembro de 2018

A confiança nos professores e o que diz a lei

 


 


 


artigo 42º do Estatuto do Aluno é taxativo e devia atenuar, no mínimo isso, o inferno de invenções burocráticas (incluindo a digital) que alimenta a cultura organizacional de muitas escolas estimulada, em grande parte, pelos serviços centrais do respectivo ministério.


 


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segunda-feira, 10 de setembro de 2018

reedição da série "Tijolos do Muro"?

 


 


 


 




 


 


(a rubrica "tijolos do muro"


insere-se numa temática


mais vasta a que o correntes


se tem dedicado)


 


 


 


Relatório.


 


 


Avaliação externa às escolas portuguesas promovida pelo Ministério da Educação.


 


Dimensão: organização e gestão escolar.


 


Domínio: sistemas de informação.


 


Indicador: registo das faltas dos professores.


 


Informação obtida:


 



  • Escola A: um professor falta: o auxiliar de acção educativa (AAE) do respectivo bloco lança a ocorrência no mapa 3354.doc; o chefe dos AAE lança as ocorrências diárias verificadas em todos os blocos no mapa 3355.doc; a assistente administrava do sector de pessoal lança o produto das ocorrências semanais no mapa 3356.doc; a tesoureira lança o produto das ocorrências mensais na base de dados de pessoal e vencimentos (bdpv.xls).

  • Escola B: um professor falta: o AAE do respectivo bloco lança a ocorrência, utilizando um dos terminais da rede informática, na base de dados de pessoal e vencimentos; o sistema notifica o professor respectivo.


 


Descritores com a respectiva pontuação (optou-se por lista de verificação):



  • mapa 3354.doc preenchido - 10 pontos; mapa 3354.doc não preenchido - 0 pontos;

  • mapa 3355.doc preenchido - 10 pontos; mapa 3355.doc não preenchido - 0 pontos;

  • mapa 3356.doc preenchido - 10 pontos; mapa 3356.doc não preenchido - 0 pontos


 


Somatório neste indicador a inserir no ranking das escolas de boas práticas:



  • escola A - 30 pontos;

  • escola B - 00 pontos.


 


Recomendação:


 



a observação registada na "Escola A" deve constar do relatório OCDE2.pt na mesma rubrica em que o relatório OCDE1.pt refere o seguinte:


 


"As principais alavancas do processo, tais como a Ministra e os Directores Regionais, não são funcionários públicos independentes, mas políticos nomeados e sintonizados com os objectivos da política governamental. São apoiados por serviços de dados actualizados ao minuto, que permitem uma tomada de decisão inteligente e bem informada."



 


 


(reedição. 1ª edição em 29 de Janeiro de 2009)



 

sexta-feira, 20 de julho de 2018

dos modismos e do perfil do aluno

 


 


 


 


Fui parar a uma entrevista de Agosto de 2016 de quem coordenou o perfil do aluno no final do 12º ano.


 


Lembrei-me deste post.


 


Começa assim:  


 



A febre reformista no sistema escolar em Portugal não é nova: é mesmo imparável. O que é engraçado, e com o passar do tempo, é que vemos recuperar ideias antigas como se de grandes novidades se tratassem. Parece um percurso circular.

Escrevia, algures em 1998, uns textos para uma revista sobre educação e o coordenador pediu-me que inscrevesse algumas ideias sobre o assunto. Lembrei-me dos remédios. Fui ler a literatura do “Benuron” - medicamento para todas as dores e para todas as maleitas gripais e constipais - peguei no seu modelo organizativo e fui andando. Foi uma noite bem passada. Quase 16 anos depois, e aproveitando as competências do blogue, publico-as de novo. Só dois detalhes antes de começar: se em 1998 era possível este grau de má burocracia e eduquês, não é de admirar que com mais 17 anos intensivos isto tivesse chegado a este estado.



 


Republico apenas o perfil do aluno. Para os restantes medicamentos terá que ir ao original no link referido.


 


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Perfil do aluno. 

Registo da patente: equipa coordenadora dos programas escolares na reforma Roberto Carneiro em 1989. 

Composição: registo preciso e rigoroso do estado do produto aluno somados x anos de laboração. 

Indicações terapêuticas: impede desvios acentuados nos complexos processos de apreciação global dos alunos; facilita a criação de mecanismos rigorosos de análise transversal do desempenho de humanos sujeitos ao agressivo contexto escolar. 

Contra-indicações: pode provocar ligeiras dores de cabeça quando verificada a sua articulação com os programas escolares das disciplinas dos anos terminais de ciclo. 

Precauções especiais de utilização: não deve ser aplicado a alunos muito curiosos nem aos que se posicionem de frente ou de costas. 

Prazo de validade: um ciclo escolar, precisamente.


sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

da subtracção

 


 


 


 


O tratamento da informação no sistema escolar não se adequa à sociedade da informação e do conhecimento. Está longe disso.


Grande parte da informação obtida não é relevante para o processo de tomada de decisões, nem contribui para que os professores, principais fornecedores de informação, concentrem a energia na preparação e realização das actividades lectivas.


Exige-se a alteração do que existe. Os sistemas de informação necessitam de uma grande depuração com um objectivo de sentido contrário ao habitual: escolher os campos de obtenção de informação essencial (que são muito menos do que os que existem); e é fundamental impedir a repetição no lançamento de dados: do nome do aluno às classificações que obtém até aos conteúdos dos relatórios mais diversos. É uma reforma essencial.


 


(Já usei esta argumentação noutros posts)

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

da desconfiança como herança (pesada); e em modo irónico

 


 


 


 


A desconfiança nos professores, que se instituiu em má burocracia, começou há mais de uma década, mas disseminou-se a partir daí. O "eduquês organizacional" alimentou-se também do modo digital. Os ficheiros que circulam nas redes escolares são intratáveis e atingirão valores não mensuráveis. Aquele anúncio da PT, que afirmava a capacidade em sediar na Covilhã toda a informação do planeta, não considerou o MEC e o sistema escolar.


 


A cultura anti-professor desenvolvida nos serviços centrais generalizou-se. Se considerarmos que o "modelo" exige impressão de documentos para uma leitura atenta e imparcial (), estará na má impressão motivada pela racionalização de tinteiros de impressoras a explicação para a desconfiança nos professores e que parece suportar-se no que pode ler a seguir. Tem os resultados depois da imagem.


 


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Daniel Kahneman (2011:91), "Pensar, Depressa e Devagar". 


Temas e Debates. Círculo de Leitores. Lisboa.


 


Resultados: 5 e 47.


 


2ª edição.

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Da subtracção (operação tão digna como as outras)

 


 


 


O tratamento da informação no sistema escolar não está adequado à sociedade da informação e do conhecimento. Está muito longe disso.



Grande parte da informação obtida não é relevante para o processo de tomada de decisões, nem contribui para que os professores, principais fornecedores de informação, concentrem a energia na preparação e realização das actividades lectivas.


 


Exige-se a alteração do que existe. Os sistemas de informação necessitam de uma grande depuração com um objectivo de sentido contrário ao habitual: retirar os campos de obtenção de informação que não suportam a tomada de decisões. Deve ser de lei a proibição da repetição no lançamento de dados: do nome do aluno às classificações que obtêm até aos conteúdos dos relatórios mais diversos. É uma reforma essencial.

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Mais do que simplificar, trata-se de eliminar

 


 


 


"Há escolas que querem lançar na plataforma digital as actas das eleições dos delegados de turma e dos representantes dos encarregados de educação. Fazem isto porquê e para quê?", dizia-me o impaciente programador de uma empresa de software escolar. E tem razão para a saturação. Este é um bom exemplo, entre dezenas, da falta de confiança na palavra dos professores que gera hiperburocracia e burnout. Durante décadas houve delegados de turma e representantes dos encarregados de educação (há menos tempo no segundo caso), indicados pela palavra do professor que procedia à eleição e não consta que houvesse qualquer problema. Este exemplo demonstra que o digital só por si não simplifica; trata-se de eliminar, como no desenho, os procedimentos burocráticos. E a digitalização de todas as actas escolares, devidamente parametrizadas e sem repetições ou redundâncias, é assunto para uns posts.


 


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sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Os 5 minutos escolares e os "Maluquinhos de Arroios"

 


 


 


 


A profissão de professor é, de longe, a mais escrutinada em Portugal. Até o verniz da bancocracia estalar de vez, era a culpada pelo estado da nação. A devassa permitiu tudo.


 


Uma hora escolar foi de 50 minutos durante décadas. No final do milénio passado, a duração passou para 45 ou 90. Ou seja: a redução de 50 para 45 originou um imbróglio lusitano de 5 minutos (já vai quase em 20 anos sem solução à vista). Crato equacionou a possibilidade dos 50 (mas cheia de perversidades), sem eliminar os 45 e os 90. Os horários dos professores passaram a ser contados ao minuto e os intervalos dos petizes a quimeras; valha-lhes não sei o quê e ficou tudo como estava. Se para que as escolas abram todas em Setembro não fossem suficientes alunos, professores, outros profissionais e horários, algumas estavam décadas a organizarem-se. 


 


Os ""Maluquinhos de Arroios", como lhes chamou, veja-se lá, Vasco Pulido Valente no Público, tiveram outra epifania: passar a hora escolar para 60 minutos. Andaram as escolas a operacionalizar a "possibilidade austeritária" que se esfumou de imediato por falta de racionalidade.


 


Se Vasco Pulido Valente escreveu (13 de Janeiro de 2013) o que pode ler a seguir, e que se mantém, é altura de interrogarmos o futuro imediato. 


 


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sexta-feira, 9 de setembro de 2016

“Não existe uma escola que faça algo que não está escrito que não tenha a inspeção à perna”

 


 


A frase é de Joaquim Azevedo e está na agenda mediática. Há muitos que defendem que este ex-SE de Cavaco Silva (os ajudantes, segundo o chefe) acordou agora e acham sei lá o quê. Como já me habituei a este sono alternado dos nossos investigadores, comento o estudo com um post de 2 de Julho de 2009 (o muro que asfixia a escola e os professores); tem na coluna direita do blogue, a das etiquetas, inúmeros textos sobre o mesmo assunto e tem também um livro com o título "Por Precaução".


 



O muro que asfixia as escolas e os professores.


 


Quem quer que se meta na aventura de reflectir sobre o estado do sistema escolar português pode escolher os mais variados pontos de partida. A minha opção navega na história mais recente e concentra-se no tratamento da informação.


Podia optar por "sistema escolar por blocos". Mas o conceito de bloco da precaução torna mais inteligível o que quero exprimir e reforça duas ideias: é, como espero que se veja, o bloco que mais asfixia o privilégio de ensinar e contamina de modo decisivo os outros dois: o do ensino e o da organização escolar. 


Este bloco da precaução, que foi construído paulatinamente e que criou um muro de burocracia na gestão da informação escolar, é quase tão difícil de derrubar como foi o muro de Berlim.


O bloco da precaução caracteriza-se por um universo informativo que é obtido apenas para arquivo e que existe porque está determinado de modo central através das invenções técnico-pedagógicas do ministério da Educação. E é aqui que encontramos um imenso elenco de invenções burocráticas: inúmeras actas e relatórios sem parâmetros indicadores de informação estruturante, projectos educativos impossíveis de avaliar, projectos curriculares de turma e de escola, definição de objectivos com variadas designações de acordo com os gostos e os feitios dos promotores de ocasião. A lista é interminável.


A institucionalização do bloco da precaução, e a sua aparente autoridade, parte dos serviços centrais do ministério da Educação (Inspecção-Geral como elemento central) e alastra-se de modo quase acéfalo à organização de muitas das escolas. As invenções burocráticas devidamente preenchidas são, por precaução, a única consciência profissional de muitos estabelecimentos de ensino; isso retira sentido de autonomia e de responsabilidade e gera fenómenos de subserviência e de medo.


Só assim foi possível verificar um conjunto denominado de boas práticas que tornava "exequível" aquilo que depois se provava ser inaplicável: é essa uma parte crucial da história recente da avaliação do desempenho dos professores e do arrastamento insuportável desta coisa sem pés nem cabeça. Quando se tentou perceber as boas práticas das escolas ditas de referência, o ridículo eliminou rapidamente a visibilidade mediática que se quis impor. Também por precaução se deixou de falar nisso.


 


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domingo, 14 de agosto de 2016

Do perfil do aluno e dos modismos

 


 


 


 


Li uma entrevista, dada com desassombro, de quem vai coordenar o perfil do aluno no final do 12º ano.


 


Lembrei-me deste post.


 


Começa assim:  


 



A febre reformista no sistema escolar em Portugal não é nova: é mesmo imparável. O que é engraçado, e com o passar do tempo, é que vemos recuperar ideias antigas como se de grandes novidades se tratassem. Parece um percurso circular.

Escrevia, algures em 1998, uns textos para uma revista sobre educação e o coordenador pediu-me que inscrevesse algumas ideias sobre o assunto. Lembrei-me dos remédios. Fui ler a literatura do “Benuron” - medicamento para todas as dores e para todas as maleitas gripais e constipais - peguei no seu modelo organizativo e fui andando. Foi uma noite bem passada. Quase 16 anos depois, e aproveitando as competências do blogue, publico-as de novo. Só dois detalhes antes de começar: se em 1998 era possível este grau de má burocracia e eduquês, não é de admirar que com mais 17 anos intensivos isto tivesse chegado a este estado.



 


Republico apenas o perfil do aluno. Para os restantes medicamentos terá que ir ao original no link referido.


 


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Perfil do aluno. 

Registo da patente: equipa coordenadora dos programas escolares na reforma Roberto Carneiro em 1989. 

Composição: registo preciso e rigoroso do estado do produto aluno somados x anos de laboração. 

Indicações terapêuticas: impede desvios acentuados nos complexos processos de apreciação global dos alunos; facilita a criação de mecanismos rigorosos de análise transversal do desempenho de humanos sujeitos ao agressivo contexto escolar. 

Contra-indicações: pode provocar ligeiras dores de cabeça quando verificada a sua articulação com os programas escolares das disciplinas dos anos terminais de ciclo. 

Precauções especiais de utilização: não deve ser aplicado a alunos muito curiosos nem aos que se posicionem de frente ou de costas. 

Prazo de validade: um ciclo escolar, precisamente.


segunda-feira, 27 de junho de 2016

será ingovernável (1)?

 


 


 


O despacho normativo nº4-A/2016 (Organização do Ano Lectivo) diz no múmero 5 do artigo 10º:



"5 - Sem prejuízo do disposto no número anterior, até duas destas horas podem ser atribuídas a outro docente do conselho de turma que seja responsável pelo acompanhamento dos alunos da turma."



Se a intenção fosse a seguinte, "o secretário do conselho de turma ou outro professor do conselho de turma podem ter até duas horas não lectivas para trabalho de conselho de turma", concluiríamos que o ME era ingovernável. Em vez do espírito simplex anunciado, institucionalizava-se o secretário da hiperburocracia.

sábado, 25 de junho de 2016

da blogosfera - O Meu Quintal

 


 


 



A Escola Burrocrática


 


 



Este post inclui imagens de um assunto nuclear: o inferno de má burocracia escolar. É impossível não ficar com a passagem seguinte e com as imagens:


 



"(...)O documento de orientação para as reuniões de final de ano tem 18 páginas e é um hino, uma sinfonia, ou melhor, um requiem pelas pobres almas assassinadas por tanta papelada. Não culpem (só) o ME, porque há mézinhos com alma revestida a alpaca e toda betumada nas comissuras, um pouco por todo o país. O excerto contempla parte das páginas 8-9(...)".



 


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quarta-feira, 15 de junho de 2016

a lei e a confiança nos professores

 


 


 


 


Decorrem ainda as avaliações de alunos do final do ano e deve recordar-se que o artigo 42º do Estatuto do Aluno é taxativo e devia atenuar, no mínimo isso, o inferno de invenções de má burocracia (incluindo a digital) que alimenta a cultura organizacional de muitas escolas.


 


 


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