quinta-feira, 18 de março de 2010

não há alternativa, dizem eles

 


 


É o título de mais uma excelente prosa de José Luiz Sarmento, aqui.


 


Diz assim:


 


"Não há alternativa: foi esta a ideia-chave que levou Margaret Thatcher de vitória em vitória até à derrota final.



Não há alternativa. Conformem-se. Aceitem trabalhar cada vez mais, em empregos cada vez mais precários, em troca de salários cada vez mais baixos. Não há alternativa. Pensar o contrário é irresponsável.



E a frase tem sido incessantemente repetida, incessantemente martelada, por tudo o que é responsável político, dirigente patronal ou economista mediático. Não há alternativa. Conformem-se. Habituem-se.



E chega a parecer verdade. Se o diz toda a direita portuguesa; se o diz toda a direita europeia; se o diz Teixeira dos Santos, dia sim, dia não, ou todos os dias; se o dizem, insistentemente, os economistas com lugar cativo nas televisões; se o diz Durão Barroso; se o diz a OCDE nos seus elogios às políticas de "austeridade" em Portugal; se o diz Angela Merkel quando lhe falam na responsabilidade alemã pela crise actual na Europa; se o diz o Banco Central Europeu; se o consenso aparente é tão completo - então se calhar é verdade. Se calhar, o melhor que temos a fazer é conformar-nos: habituarmo-nos à ideia de sermos cada vez mais pobres num mundo cada vez mais rico. É que não há alternativa: estamos condenados, não há salvação possível.



Mas é mentira. Não devíamos precisar que nos dissessem isto. Deveria bastar-nos a memória dos povos, que sabem muito bem que a principal arma dos tiranos é apresentar a sua ordem artificial como se fosse a ordem natural das coisas. O "não há alternativa" de Teixeira dos Santos ecoa o "é mesmo assim" com que os oprimidos se têm conformado e confortado ao longo dos séculos.



Há sempre alternativa. Há sempre escolhas, e as escolhas são sempre políticas. Três delas estão definidas 
neste relatório e noticiadas aquiaquiaqui e aqui.



"Não há alternativa" é uma das frases predilectas dos sacanas quando pensam que estão a falar para um país de bananas. É tempo de lhes tirar esta ideia da cabeça."

1 comentário:

  1. sempre defendi que da situação do país é complicada financeiramente e que a esse nível não se pode exigir muito mas... havia outras alternativas como por exemplo, congelar os salários a partir de um determinado montante, e congelar também as carreiras.

    Claro que seria necessário igualmente não se gastarem brutalidades com os cargos públicos e com os políticos, como acontece em Portugal, seria necessário fazer-se uma boa gestão dos impostos que todos pagamos e que agora vamos pagar mais. perante esta imoralidade, o PEC não é desculpa porque o que está a acontecer é um vergonha sem nome.

    Na Finlândia, os únicos cargos que têm direito a carro oficial é o Primeiro-Ministro e o Ministro dos negócios estrangeiros. O ordenado mínimo paga 30% de impostos mas ninguém se importa com isso. Vou dar alguns exemplos dos porquês - quando uma mulher fica grávida, recebe um kit para bébé, completo que inclui berço e carrinho. Depois de ter a criança, como não pode tratar da casa, tem direito a ter uma empregada que a ajuda. O mesmo acontece se é operada, por exemplo, e fica incapaz. São apenas alguns exemplos de como os impostos são geridos... Diferente não é? Que legitimidade tem este governo para nos apresentar um PEC destes como desculpa quando o nosso dinheiro é tão mal gerido e quando os gastos a este nível são tão grandes e quando vivemos claramente acima das nossas posses? Contenção é necessária mas só há autoridade para tal quando houver mudança de rumo da política económica.

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