domingo, 7 de março de 2010

valha-nos deus para tanta obstinação; e agora?

 


 



Foi daqui


 


 


A jornalista do Público Alexandra Campos assina uma peça na edição impressa que não está disponível online. Li-a e fiquei enjoado com o conteúdo.


 


O secretário-geral do PS foi ao Porto, acompanhado de Isabel Alçada, falar para as estruturas locais e para professores militantes da região.


 


Sempre desconfiei que as nefastas políticas da Educação estavam muito ligadas ao chefe do governo e quanto mais o tempo passa mais essa sensação se afirma como uma certeza.


 


Para além de ficar conhecido como aqui (o primeiro primeiro-ministro - duas vezes primeiro que é como ele deve gostar - a depor numa comissão de inquérito na AR), este senhor é dono de uma prosápia e de uma obstinação que me deixam boquiaberto.


 


Já em tempos o ouvi numa entrevista radiofónica a debitar sabedoria sobre a avaliação de professores com uma falta de humildade que me deixou surpreendido. Não conhecia, nessa altura, o perfil do chefe do governo e considerei essa intervenção como uma infantilidade grosseira e passageira. Mas não.


 


José Sócrates tem todo o direito político de opinar sobre qualquer matéria, mas devia ser mais comedido quanto se mete em assuntos que não domina. Não o faz e bem pelo contrário: é atrevido, teimoso e roça a obstinação.


 


Das suas intervenções na cidade invicta transcrevo algumas. Deixou claro que a mudança no modelo de gestão das escolas foi positivo e aproveitou para citar Bill Clinton: "Nunca vi uma boa escola sem uma boa liderança". Ora, qualquer relação entre as duas coisas só pode vir da cabeça de uma pessoa obstinada e com pouco ou nenhum conhecimento da matéria. Nada a fazer: este político dá ideia de viver obcecado com a propaganda, com a imagem e de ser de um plástico muito preocupante.


 


Mais à frente fez umas afirmações sobre o estatuto e a avaliação que devem ter deixado os defensores do acordo governo/sindicatos arrepiados e arrependidíssimos. "Duas reformas que começaram por ser controversas mas já estão interiorizadas e consensualizadas". Valha-nos deus, não é?


 


Entretanto a notícia ficou online; aqui.

13 comentários:

  1. Os sindicatos que assinaram o acordo não podiam adivinhar que as pessoas dissessem uma coisa e fizessem outra. A adesão a esta greve é decisiva.

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  2. Também comprei o Público e desde essa hora tenho andado enjoada.
    Acho que é doença. E ninguém o manda tratar-se. Isso é que me faz confusão!

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  3. ... valha-nos deus não é?

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  4. Um professor resistente28 de fevereiro de 2010 às 21:18

    Oh sindicalista, enxergue-se homem!!!!!

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  5. Obstinação: inflexibilidade. Onde está a novidade? Muitas vezes termina em obsessão. Também não é novidade.

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  6. Este Sócrates tem um descaramento fora do normal.

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  7. Viva Isabel.

    Tens toda a razão. Vai ser mesmo até ao fundo dos fundos, ou qualquer coisa do género. Arre

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  8. Também digo. Excelente análise do Paulo.

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  9. Estive nessa reunião. Houve 12 intervenções. Em duas ou três bastante prosélitas, procurou fazer-se passar essa ideia. Todas as outras o negaram. Todas. Seja como for, é completamente falso que tivesse sido essa a ideia que resultou do encontro. Saí das Caldas para ir ao Porto a convite do PS local. Como tinha andado muito de automóvel nesse dia, pedi a palavra. Apresentei-me. Apresentei a nossa escola. Quando me pediram para falar, queria que entendesse uma única coisa: que nada faz equivaler liderança a um qualquer modelo de gestão. Respondeu-me. Aplaudiu uma coisa que eu disse e disse-me cara a cara que não concordava comigo sobre a importância da gestão democrática porque não aceita que sejam os professores os únicos a determinar a gestão e o futuro de uma escola. Não fiquei excessivamente surpreendido pela ingenuidade precária da resposta. Não pude retorquir. Inesperadamente, no fim do encontro, veio ter comigo expressamente. Gentilmente, pediu desculpa - curial, naturalmente - por não concordar comigo. Disse-lhe que não tem que pedir-me desculpa por coisa nenhuma. Deu-me oportunidade para que lhe explicasse o que havia dito. Pude então dizer-lhe que nenhum professor pensa que o que ele disse é "gestão democrática". Disse-lhe que somos a favor de uma ampliação dos cadernos eleitorais para permitir uma maior representatividade da direcção de uma escola. Disse-lhe que a autonomia do professor, da escola, da gestão, dos municípios, das regiões, das agências municipais de educação, da sala de aula, enfim, são princípios inexoráveis que havemos, tarde ou cedo de perseguir. Anuiu, pensativo. Terminou ali a conversa.

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  10. Viva Rui.

    Ainda bem que fizeste uma intervenção desse teor.

    Vamos aguardar, mas já tanto mal foi feito que vão ser necessários muitos anos para colocar a escola pública no lugar onde estava quanto mais para a fazer progredir.




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  11. Ainda bem que lá foste e falaste. E bem. Mas porque será que nos jornais nunca sai tudo? Não estava lá o "Sol"?

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