Os posts dos últimos dias foram programados uns tempos antes. A necessidade de descansar é imperativa. Se é certo que tenho todo o gosto em manter este blogue, também é seguro que a sua manutenção diária é uma tarefa exigente. Há muitos temas que me despertam a curiosidade e escrever é uma actividade que me dá prazer. O mais difícil é abordar assuntos que possam interessar quem passa por aqui e que sejam actuais. A procura da actualidade é talvez a obrigação mais cansativa.
Estava a ler a edição impressa do Público quando dei com a notícia que pode ler aqui e que se refere a um grupo privado português, a cooperativa GPS, que pretende investir no espaço da lusofonia e que tem alargado em Portugal, e de modo exponencial, a sua rede de escolas particulares e cooperativas. Já escrevi por diversas vezes: não concordo com a privatização dos lucros no ensino básico, muito menos com os financiamentos provenientes do orçamento do estado. Num país em que há imensas turmas sobrelotadas, escolas com milhares de alunos e famílias com tantas carências, é quase chocante que não se façam todos os esforços financeiros para a elevação do patamar qualitativo.
No concelho em que resido, e já escrevi sobre este assunto por diversas vezes na comunicação social local, a sobrelotação das escolas básicas e secundárias atingiu níveis de rotura no início do século. Foi desenhada uma escola pública para o centro da cidade - o projecto de construção iniciou-se mas uma polémica com terrenos acabou numa choruda indemnização à empresa construtora - que nunca se concretizou e por alturas do governo do primeiro-ministro Santana Lopes nasceu dentro do perímetro urbano - proibido por lei - uma escola da cooperativa GPS. Foi tudo muito rápido. Quando li a notícia que linkei neste post, reparei que o secretário de estado da Educação e o director regional da Educação de Lisboa que participaram na polémica e apressada decisão são agora membros da referida GPS. Factos são factos.
E os professores que têm horário zero? Em vez da transferência para a nova escola pública são desterrados para fora do concelho e entram para as privadas professores sem concurso. TUDO PAGO PELO ESTADO!!!!
ResponderEliminarA Comunicação Social, essa sim, pode fazer moça, é a denúncia que estes senhores temem, mas na forma de escândalo nacional. Assédio moral no trabalho é uma realidade diária, circulação de docentes numa "eterna" precaridade entre as várias unidades igualmente ( cartas assinadas pelos docentes datadas por forma a que possam ser utilizadas no ao final do ano lectivo a belo prazer dos directores). Os processos em Tribunal chovem, vejam o caso do INTEP, e a investigação da PJ em Cantanhede, por desvio de verbas. A valiação de desempenho pidesca, aulas assistidas sem pré-aviso, funcionários e colegas hiper-vigilantes prontos a cortar a cabeça a alguém desde que não seja a deles. Decidem quem pode trabalhar com quem, não vão as pessoas entender-se e conspirar...
ResponderEliminarPaulo, são tantas as ilegalidades, na abertura e no funcionamento, destes colégios que é espantoso como ainda nenhum órgão de comunicação social se interessou a sério pelo caso. Mas ainda tenho esperança que um dia isto seja tema de abertura de um telejornal. É a escola pública, que tão bem defendes nestas páginas, que está em perigo. O facto de anteriores titulares de cargos políticos fazerem parte do grupo de conselheiros do GPS diz tudo ou quase tudo... O próprio "dono" do GPS foi autarca e deputado socialista, chegando a fazer parte da comissão parlamentar de educação!
ResponderEliminarOuvir as lamentações dos colegas que têm o infortúnio de trabalharem no, e pelo, medo é cada vez mais difícil de suportar mas só eles podem denunciar, inequivocamente, toda esta história. Entretanto, o que podemos fazer contra esta maré com tantos polvos (que agora se vai internacionalizar...)?
Um abraço
INDÍCIOS FORTES DE CORRUPÇÃO!!!
ResponderEliminare viva o SLB
ResponderEliminarA comunicação social que faça o seu trabalho, pois os políticos calam-se todos.
ResponderEliminarE viva a
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