sexta-feira, 30 de abril de 2010

esquerda ao fundo

 


Cinco anos depois da primeira maioria absoluta de um partido de esquerda (pelo menos teoricamente), e com todas as condições para governar - até com uma cooperação estratégica com o actual presidente da República -, a esquerda portuguesa corre sérios riscos de ser "varrida" do mapa por uns tempos largos. E a suprema das ironias, é que tal acontece numa fase em que as políticas neoliberais empurraram o mundo para a catástrofe que se conhece. O actual PS tem todas as responsabilidades nesta previsível e acelerada queda: não só pelas políticas incompetentes que praticou, mas também por ter cavalgado, de forma despudorada, a agenda económica, financeira e social da direita neoliberal.


 


Resta a presidência da República. Dos dois principais candidatos, não consigo perceber as supostas vantagens de Cavaco Silva nas questões económicas e financeiras; os resultados comprovam-no. Por outro lado, o actual presidente não revela chama nem oratória para mobilizar o país e parece agir condicionado pelos recentes envolvimentos de pessoas da sua confiança em escândalos financeiros. A Manuel Alegre pode apontar-se o risco de promover uma espécie de frentismo de esquerda; mas é apenas uma impressão. O ex-deputado está a partir daí, mas estou convencido - e a exemplo das últimas presidenciais - que com o desenrolar da campanha muita coisa pode mudar. Se Manuel Alegre não for capaz de promover uma dinâmica de vitória, a esquerda ficará à deriva e só o tempo e um outro PS poderão criar uma alternativa válida de poder.


 


Barómetro: PSD ultrapassa PS pela primeira vez desde que Sócrates é líder

3 comentários:

  1. Professor resistente30 de abril de 2010 às 17:51

    Análise muito lúcida.

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  2. ps e psd = dupont e dupond . São tão parecidos,tão parecidos que são quase gémeos, como revela a ortografia dos seus nomes. De facto, o único detalhe físico que permite distinguí-los é a forma dos bigodes. O de Dupont gira e o de Dupond é direito. PS e PSD ambos sempre acolitados pelo CDS são muito iguais na forma como destruíram a produção nacional e na forma como destruíram a agricultura e na forma como detruiram as pescas, e na forma como fizeram deste país o mais desigual da europa e na forma como privatizaram entregando "a pataco" as empresas que eram de todos Nós. E também são tão iguais na forma como atacam e roubam os desempregados, fazendo destes o bode espiatório da incompetência dum bloco central de interesses da burguesia que roça uma brutal vulgaridade como classe social.Vejam só os ataques do especulaores dos últimos tempos.Os especuladores têm rosto : são a banca usurária que foi auxiliada pelos governos dos estados com o dinheiro dos Povos para aguentar o seu sistema bancário capitalista. Depois de auxiliados pelos Povos fazem depois mais um roubo aos que os auxiliaram.

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  3. Acertado. Manuel Alegre não é solução e Cavaco é um mal menor.

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