segunda-feira, 24 de maio de 2010

entre o passado e o futuro (1)




 



 


A obra de Franz Kafka não pára de me surpreender. Na leitura de um livro de Hannah Arendt, tropeçei com a seguinte parábola do genial escritor:



"Ele tem dois adversários. O primeiro empurra-o pelas costas, desde a origem. O segundo bloqueia o caminho à sua frente. Ele dá luta a ambos. Na verdade, o primeiro apoia-o no seu combate contra o segundo, ao empurrá-lo para diante; e, do mesmo modo, o segundo apoia-o no seu combate contra o primeiro, ao fazê-lo retroceder. Mas isto é assim apenas em teoria. Pois não existem apenas os seus adversários, existe ele próprio também, e quem sabe realmente quais são as suas intenções? O seu sonho, porém, é ver chegar um momento de menor vigilância - o que exigiria uma noite mais negra que alguma vez se viu - em que pudesse fugir da frente de batalha e ser promovido, à conta da sua experiência de combatente, à posição de árbitro na luta entre os outros dois adversários."





Hannah Arendt,

"Entre o passado e o futuro".

2 comentários:

  1. Interessante! Andamos a ler o mesmo livro (ainda que esteja um pouco atrasada na minha leitura de H . Arendt , por ter outras leituras prioritárias)
    A parábola citada vem ao encontro da primeira citação de R.Char cuja tradução me deixou perplexa. Notre héritage n'est précédé d'aucun testament " ou " A nossa herança não é precedida de nenhum testamento". Estranhamente a tradução para português com ( "foi precedida") inquietou-me, por se tratar para mim de um continum não de uma herança que acabou no passado. Voltamos ao presente e daí H Arendt dizer que a sequência dos acontecimentos fica suspensa.

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  2. Olá Ana. Tinha-te dito: tenho 3 post programados para os próximos dias; ora lê o que vai sair amanhã. Beijos.

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