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domingo, 15 de maio de 2022

Revoluções e Evaporações

Sociólogos da educação desenharam, na primeira década do milénio, uma revolução nas escolas portuguesas inspirada na estrutura vertical da organização militar. A aplicação dessas teses noutras organizações do mundo do trabalho provocou convulsões inimagináveis que resultaram em precariedade e burnout e noutros fenómenos sociais, e até psiquiátricos, graves. Está documentado. Mas os revolucionários escolares teimam em não assumir o desaire. É estranho; e é pena porque se evitavam tantos problemas de saúde pública. Aliás, é também surpreendente a teimosia revolucionária porque é frequente a literatura da sociologia citar Franz Kafka: “Cada revolução evapora-se deixando atrás de si apenas o depósito de uma nova burocracia.”


3ª edição.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

Revoluções

Sociólogos da educação desenharam, na primeira década do milénio, uma revolução nas escolas portuguesas inspirada na estrutura vertical da organização militar. A aplicação dessas teses noutras organizações do mundo do trabalho provocou convulsões inimagináveis que resultaram em precariedade e burnout e noutros fenómenos sociais, e até psiquiátricos, graves. Está documentado. Mas os revolucionários escolares teimam em não assumir o desaire. É estranho; e é pena porque se evitavam tantos problemas de saúde pública. Aliás, é também surpreendente a teimosia revolucionária porque é frequente a literatura da sociologia citar Franz Kafka: “Cada revolução evapora-se deixando atrás de si apenas o depósito de uma nova burocracia.”


2ª edição.

domingo, 28 de julho de 2019

Das Revoluções (das escolares também)

 


Sociólogos da educação desenharam, na primeira década do milénio, uma revolução nas escolas portuguesas inspirada numa estrutura vertical ao jeito da organização militar. A aplicação dessas teses noutras organizações do mundo do trabalho provocou convulsões inimagináveis que resultaram em precariedade e burnout e noutros fenómenos sociais, e até psiquiátricos, graves. Está documentado. Mas os revolucionários escolares teimam em não assumir o desaire. É estranho; e é pena porque se evitavam tantos problemas de saúde pública. Aliás, é também surpreendente a teimosia revolucionária porque é frequente a literatura da sociologia citar Franz Kafka: “Cada revolução evapora-se deixando atrás de si apenas o depósito de uma nova burocracia.”

domingo, 19 de julho de 2015

segue imperturbável a engrenagem dos professores colocados no vazio

 


 


 


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"O MEC e os sindicatos reuniram e concluíram: os professores do quadro do processo "colocados no vazio" que reclamem". Foi mais ou menos assim que há cerca de um mês se noticiou a saga dos professores do quadro que  foram colocados noutras escolas em vagas sem horário.


 


E repete-se a estupefacção kafkiana:


 



E se estão, naturalmente, satisfeitos com a nova colocação e não reclamam?


 


E se não estão, naturalmente, satisfeitos mas colocaram essa escola no concurso?


 


E como é que reclamam os que não correram e que passaram para horário zero porque o colocado com erro é mais graduado?


 


Nas seguintes seis variáveis encontramos explicação para a coisa:


 


1. o MEC errou no lançamento das vagas a concurso;


2. a aplicação informática está errada;


3. o Mec errou no apuramento das vagas;


4. as escolas erraram no planeamento;


5. as escolas erraram a lançar as vagas;


e 6. as escolas erraram no lançamento e o MEC não corrigiu mesmo que avisado.


 


Havendo esta objectividade, o MEC e os sindicatos passam a responsabilidade para os professores através do tal recurso hierárquico?


 


É impressionante a cultura portuguesa de apropriação do bem comum e de irresponsabilidade.


quinta-feira, 25 de novembro de 2010

metamorfose

 


 



 


 


Na passagem pela blogosfera dei com uma prosa que me fez sorrir. O desafio que lhe coloco é que leia a parte que escolhi e que depois vá saber o nome da autora.


 


"(...) Reduzir rendimentos legitimamente auferidos, como é o caso de salários e pensões, corresponde a tributar esses rendimentos com uma taxa elevadíssima que não existe no nosso sistema fiscal. É uma medida prepotente que só se aplica a alguns e que é irracional porque não ajuda o problema orçamental e agrava a situação económica.


Paira no ar um ambiente de 'PREC' que recorda um "caminho para a igualdade" dos baixos rendimentos e os respetivos efeitos perversos no crescimento do país. (...)"


 


O resto está aqui; e a identificação também, claro.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

entre o passado e o futuro (1)




 



 


A obra de Franz Kafka não pára de me surpreender. Na leitura de um livro de Hannah Arendt, tropeçei com a seguinte parábola do genial escritor:



"Ele tem dois adversários. O primeiro empurra-o pelas costas, desde a origem. O segundo bloqueia o caminho à sua frente. Ele dá luta a ambos. Na verdade, o primeiro apoia-o no seu combate contra o segundo, ao empurrá-lo para diante; e, do mesmo modo, o segundo apoia-o no seu combate contra o primeiro, ao fazê-lo retroceder. Mas isto é assim apenas em teoria. Pois não existem apenas os seus adversários, existe ele próprio também, e quem sabe realmente quais são as suas intenções? O seu sonho, porém, é ver chegar um momento de menor vigilância - o que exigiria uma noite mais negra que alguma vez se viu - em que pudesse fugir da frente de batalha e ser promovido, à conta da sua experiência de combatente, à posição de árbitro na luta entre os outros dois adversários."





Hannah Arendt,

"Entre o passado e o futuro".