Temos motivos para sentir vergonha: no nosso país as crianças são um problema e não sabemos como educá-las.
Se associarmos o receio que os portugueses têm em deixar as crianças a brincar com os amigos nos espaços públicos ao armazenamento generalizado da escola a tempo inteiro, temos umas prováveis explicações para o aumento de crianças hiperactivas.
Portugal não tem crianças na rua. Os petizes portugueses estão em casa pregados às consolas, aos televisores ou às redes sociais e nos períodos lectivos são depositados à guarda das instituições escolares; no segundo caso, chegam a passar cerca de 10 horas dentro da mesma sala de aula a realizar as actividades mais diversas. É uma tragédia anunciada.
Nos últimos cinco anos não se ouviu um qualquer governante preocupado com a relação entre os horários de trabalho e o tempo que as famílias dedicam às crianças. Têm apenas uma única e obcecada receita: aumentar o caderno de encargos da escola. Que ninguém tenha dúvidas: degradou-se o serviço da escola pública ao mesmo tempo que a educação das nossas crianças passou a ter encarregados de educação em parte incerta. Só pode dar no seguinte:
Venda de fármacos para crianças hiperactivas continua a aumentar
"João, Maria, José, tanto faz. São só miúdos irrequietos ou serão hiperactivos? São só muito distraídos ou têm um défice de atenção? Resolve-se com paciência e tempo ou é preciso também a ajuda de um químico? Há cada vez mais crianças com o diagnóstico de Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção (PHDA) e, por isso, cada vez mais crianças são medicadas com psicoestimulantes, como a conhecida Ritalina.(...)"
ResponderEliminardepressa nos apercebemos do grau de civilização e progresso dum país, seja ele qual for, pela forma como se tratam "as suas" crianças e idosos... ou não será?
LB