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quinta-feira, 22 de março de 2018

Ainda há quem se surpreenda com estas notícias educativas?

 


 


 


 


Na sequência doutros estudos com conclusões semelhantes (e muito preocupantes), "a Universidade do Minho concluiu que os alunos com melhor desempenho escolar estudam 15 horas semanais para além das aulas, não valorizam outras actividades e revelam pouca criatividade. 40% têm explicações no secundário"Não é, portanto, de estranhar que, com base num grande estudo da OMSaúde, se conclua que "a falta de autonomia dos nossos adolescentes é assustadora"; e sabe-se que tudo começa cedo.


Com toda a prudência em relação às causas, é factual que os últimos anos acentuaram uma sociedade - excessivamente competitiva - que depositou na escola as tarefas educativas. Para além disso, os alunos perderam os espaços não supervisionados. O "espaço livre para brincar" desapareceu. A sociedade ausente até capturou a organização escolar com detalhes elucidativos: pavor com o tempo livre no "furo" escolar, redução de intervalos e supressão de espaços não vigiados. Interroguemos assim: ainda há quem se surpreenda com estas notícias?


 


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domingo, 7 de agosto de 2016

As horas escolares dos alunos europeus - um desenho da OCDE

 


 


Precisamos de mais escola a tempo inteiro ou de sociedade democratizada a tempo inteiro? Em 2014, 11 mil alunos reprovaram no 2º ano (números chocantes) e o insucesso subiu em todos os anos.


 


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sexta-feira, 3 de junho de 2016

"Em Portugal, a falta de autonomia dos adolescentes é assustadora"

 


 


 


Mesmo com toda a prudência em relação às causas da referida falta de autonomia, os últimos anos acentuaram uma sociedade ausente que depositou na escola as tarefas educativas.


 


As crianças não têm tempo não supervisionado. A constatação começa cedo com a supressão da "brincadeira em espaço livre". Se olharmos para pequenos exemplos da organização escolar, percebemos fenómenos semelhantes com os jovens. Desde a eliminação do "furo" escolar até à redução dos intervalos: suprimidos dos horários ou como espaços vigiados. Não é de estranhar que, com base num grande estudo da OMSaúde, se conclua que a "falta de autonomia dos nossos adolescentes é assustadora". Não será também de desprezar o número "interminável" de horas com as novas tecnologias ou em TPC´s (trabalhos de casa); e demasiado cedo.


 


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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

do regresso da norma-travão?

 


 


 


 


Se o Governo quer elevar a escola pública, tem que se divorciar de vez do legado "totalitário" (escola "educadora a tempo inteiro", por exemplo) comprovadamente nefasto de Lurdes Rodrigues; por mais sedutoras, bem-pensantes e poupadas que pareçam as ideias e os mitos.


 


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escola a tempo inteiro até ao 9º ano?

 


 


 


A escola a tempo inteiro foi uma das medidas educatidas mais polémicas dos últimos anos porque acentuou a ideia de escola transbordante numa sociedade ausente. A sensação de escola-armazém instalou-se e "desresponsabilizou" a sociedade e as famílias deixando à escola a "impossibilidade" da "educação a tempo inteiro". O DN tem uma boa peça sobre o assunto e vamos observando os desenvolvimentos desta ideia tão cara aos governos de Sócrates que triplicou a negatividade da experiência ao impor o mesmo programa em todas as latitudes e ao precarizar até a um nível impensável a profissionalidade dos professores.


 


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domingo, 21 de junho de 2015

dos eufemismos escolares e do estado a que isto chegou

 


 


 


 


É natural nos países europeus que as escolas encerrem para férias algumas vezes por ano de modo a que alunos, professores e outros profissionais escolares renovem as energias. É assim e ponto final. Em Portugal é diferente, é o grau sei lá o quê dos eufemismos: os "órgãos" das escolas dizem que interrompem para reflectir e os dos pais que querem os alunos a frequentar a escola durante 11 meses ao ano (e com férias nas escolas, digo eu).


 


Há em Portugal outra perda grave (com mais uns faz de conta à mistura): a autoridade escolar. Como se confunde legitimidade democrática com comunidade educativa e se tratam alunos e filhos como iguais e não como "o outro", a autoridade escolar vive num género de PRECeterno. A ideia do cliente escolar nivelou muito por baixo, como se comprovou.


 


O blogue Atenta Inquietude tem um bom texto, se me permitem, sobre o assunto em que acrescenta uma reflexão sobre a industria dos exames cratiana que tira ritmo às disciplinas "não estruturantes" durante uns cinco meses seguidos.


 


Encontrei um cartoon (já o vi noutras alturas) com uma boa análise da sociedade ausente que remete os tais 11 meses para a escola, como remete os problemas rodoviários, o empreendedorismo, o consumo das pastilhas elásticas, o uso excessivo das tecnologias em casa, a obesidade precoce pelas horas no sofá caseiro, o excesso de doces à venda no café da esquina, a hora tardia a que as crianças se deitam e tudo o que der trabalho a educar.


 


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quinta-feira, 10 de outubro de 2013

plano inclinadíssimo

 


 


 


 


 


Nuno Crato foi muito para além da troika. Ou seja: sabemos do memorando e da condição de protectorado, mas o que se espera de um primeiro-ministro na defesa do país (e Passos, o feitor, fez tudo ao contrário) é o mesmo que se exige a um ministro da Educação em relação ao sistema escolar.


 


Nem no conselho de ministros Nuno Crato deve ter sido uma voz em defesa da escola pública; pelo contrário. Nuno Crato expôs a escola pública às barbarides, como foi exemplo flagrante a seguinte passagem de uma inenarrável entrevista "(...)Uma turma com 30 alunos pode trabalhar melhor do que uma com 15. Depende do professor e da sua qualidade(...)".













É evidente que o achamento-de-armazenamento-de-alunos atinge a educação especial. É o momento mais grave da delapidação da escola pública.


 


Contratar mais 1.000 professores, por exemplo, (o rendimento bruto anual de cada um andará entre os 18.000 e os 20.000 euros) resultará num investimento de cerca de 20 milhões. Este valor é uma migalha no meio dos biliões de corrupção, swaps incluídos e agora omitidos, e da fuga aos impostos para os paraísos como a Holanda. Mas aí não se toca. Como não se toca nas mordomias dos gabinetes ministeriais ou nos empregos para o pessoal dos aparelhos partidários esplhados pelos trezentos e tal concelhos do país.


 


 

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

mais vale acordar tarde do que não acordar

 


 


 


 


 


As causas imediatas deste problema estão identificadas: os cortes a eito armazenaram alunos, a contabilidade dos tempos lectivos incluiu, em regra, mais uma turma nos horários dos professores e os docentes sem componente lectiva andam a ocupar tempos noutros ciclos para que se eliminem do sistema os professores contratados.


 


Basta pensar num grupo disciplinar do secundário com 10 professores e 4 tempos curriculares semanais de 45 minutos: uma turma a mais em cada professor elimina dois horários e seis a oito alunos a mais em cada turma eliminam duas a três turmas em cada dez. É empobrecer e desistir. O holandês que chefia o eurogrupo, e que promove estes cortes a eito (e depois o nosso Governo traduz como delapidação da escola pública), é dum país que instituiu a fuga aos impostos sediando as sedes fiscais de inúmeras empresas europeias. Mas quanto a esse saque nem uma palha se move.


 


Uma série de organizações dos encarregados de Educação e dos sindicatos de professores acordaram para a realidade que faz com que os professores do ensino secundário e do 3º ciclo leccionam as AEC´s no 1º ciclo. O problema não é novo e há anos que testemunho a desorientação de uma boa parte dos professores que são colocados nessas circunstâncias.


 


Podíamos ir mais longe e encontrar causas no modelo de gestão escolar inspirado num qualquer marciano. Foi aí que começou o imperativo dos cortes a eito desenhado por quem tem horror às salas de aula e desprezo pela profissionalidade dos professores. É inadmissível que os professores com mais tempo de serviço tenham mais turmas, e ainda por cima com alunos armazenados, e que os seus colegas sejam colocados nesta situação.


 


 


 

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

pedagogia do silêncio

 


 


 


 



 


 


 


Podemos considerar a pedagogia do silêncio como uma espécie de metáfora que contraria o insuportável caderno de encargos da escola actual, que atribui à instituição um papel centrado na sala de aula e que contraria o excesso de informação e de ruído a que se sujeitam as crianças até no ambiente escolar. A pedagogia do silêncio elege a sala de aula para além do registo tradicional, situando-a no vasto elenco de possibilidades que definem o conhecimento transformacional da categoria aprendizagem que teve uma espantosa evolução.


 


O parágrafo anterior é o que de mais significativo registei na interessante conferência de António Nóvoa que se realizou ontem à noite no auditório da Escola Secundaria Rafael Bordalo Pinheiro e que foi organizada, numa iniciativa que inclui conferências às quintas-feiras, pelo Centro de Formação de Associação de Escolas Centro-Oeste.


 


António Nóvoa sistematizou um modelo que procura respostas para os desafios da escola do futuro através de um olhar atento para o presente e com uma profunda incursão num passado muito enriquecido por relevantes referências.


 


O conferencista continua à procura das palavras certas que ajudem a encontrar um caminho. Nesse sentido, talvez fosse curial reflectir sobre o uso da asserção "escola centrada na aprendizagem". É que foi quase exactamente assim que se instituíram as correntes pedocentristas como de alguma forma sistematizo aqui. Prefiro a "escola centrada no ensino", reconhecendo o risco do regresso ao outro termo da contradição, e talvez a "escola centrada na sala de aula" permitisse uma leitura menos equívoca. O peso das palavras é incontornável.


 


Para António Nóvoa continuamos na pedagogia do século XX e isso deve ser questionado. As ideias de "à sociedade o que é da sociedade e à escola o que é da escola" e "o regresso dos professores" são duas asserções que devem corporizar a ideia de uma "escola centrada na aprendizagem".


 


O conferencista fez analogias entre o que vivemos e o período iniciado com as correntes pedocentristas. As crianças são o "centro da vida". Propôs como fundamental a ideia de "ensinar os alunos que não querem aprender, porque os outros acabam sempre por o fazer" e socorreu-se de Alain que considerou que "difícil é conduzir as crianças a ficarem agradadas, no fim, com aquilo que, no princípio não lhes agradava nada".

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

sem sociedade e sem escola

 


 


 


 


Usei parte deste texto noutros posts.


A redundância tem limites.


 


 


 


Não sou pessimista, mas quem anda pelas escolas regista o estado de desesperança. Se já não tínhamos sociedade, parece que também já temos menos escola.


 


Os governos deste milénio agruparam escolas a eito porque estavam ancorados em maiorias absolutas e porque foram abençoados por cooperações estratégicas e pela opinião publicada. Deram corpo a políticas que misturaram a agenda neoconservadora com salpicos de engenharia social. Os resultados desastrosos acentuaram a ausência de sociedade na Educação das crianças, a desautorização inédita dos professores e a eliminação do decisivo critério de proximidade relacional.




Por mais alertas que se fizessem, a sociedade portuguesa armazenou as crianças e ausentou-se da sua Educação. Não há nada melhor que uma escola possa oferecer a uma família ausente do que um tutor. E sabe-se como essa decisão apenas espelha um estado de desespero e de caminho para o abandono escolar; são raras as excepções.


 


caderno de encargos da escola tornou-se insuportável, como há muito não me canso de escrever. Se até aqui o problema era civilizacional e de ensino, agora passou-se para o domínio da sobrevivência. 


 


É interessante o registo de António Nóvoa que apela a mais sociedade. Chega a afirmar que se continuarmos neste caminho, teremos "ensino no privado e social no público".


 


A inversão da tragédia só se consegue com actos. Não sei se na sociedade o caminho é o apontado por António Nóvoa, mas tenho a certeza que a recuperação da esperança escolar não se fará com as políticas de proletarização dos professores e de ausência de democracia no ambiente escolar.


 


 


Sampaio da Nóvoa defende transferências de competências das escolas para as autarquias


 


"O reitor da Universidade de Lisboa (UL) defende que as escolas têm "excesso de missões", que deveriam ser transferidas para outras instituições, como as autarquias ou famílias. Só assim, considera Sampaio da Nóvoa, os estabelecimentos de ensino conseguem estar focados na aprendizagem. "À escola o que é da escola. À sociedade o que é da sociedade", defende.(...)"

sexta-feira, 15 de junho de 2012

retrato

 


 


 


Não há pior retrato para uma sociedade do que o que indica que não sabe o que fazer com as crianças ou com os idosos. Portugal entrou nesse espiral e vai ser difícil sair.


 


Quando começam as férias escolares, o impensável entra na ordem do dia: o que fazer com as crianças? Quem diria que chegaríamos a este ponto.


 


É o sinal mais evidente de que o abandono escolar precoce aumentará e que a natalidade percorrerá o caminho oposto. Enquanto não encararmos de frente a ideia de que a sociedade não pode estar ausente na educação das crianças e que a escola não pode transbordar de responsabilidades, os nossos indicadores colectivos não pararão de nos envergonhar.


 


As férias estão aí. Para onde vão as crianças a partir de segunda-feira?

sexta-feira, 4 de maio de 2012

sem surpresa

 


 


Com uma sociedade ausente na Educação e com as escolas a serem utilizadas como "armazéns" de crianças, não se devem esperar outros resultados. E podíamos ficar aqui o dia todo a elencar as causas que obrigam à venda deste tipo de medicamentos, mas que também terão consequências nas taxas de natalidade e na subida do insucesso e abandono escolares.


 


Venda de medicamentos para concentração aumentaram 78% em cinco anos


 


"Ontem, um pediatra alertou para o facto de a ruptura de stock de um medicamento para a atenção poder empurrar crianças para o insucesso escolar e a reprovação. Vendas sugerem que há cada vez mais crianças e jovens medicados.(...)"

sábado, 5 de novembro de 2011

necessidades das crianças?

 


Sejamos francos: uma grande parte do mundo ocidental não tem-tempo-nem-vontade-para-educar-os-petizes. A solução é armazená-los. Sabe-se que, para além da subida no consumo de Ritalina, essa decisão provoca o aumento da indisciplina nas escolas e, a prazo, contribui para a baixa da natalidade que é um problema grave para a organização das sociedades.


 


É interessante observar os eufemismos que se foram utilizando, nomeadamente as denominadas necessidades das crianças


 


Winterhoff (2008:80) encontrou uma pérola, em 2007, num jornal alemão: "As torneiras não são propriamente de ouro, mas há um ginásio com as paredes espelhadas, uma elegante zona de bem-estar com sauna, e um motorista à porta. (...) A concorrência para entrar na nova creche de luxo é grande, apesar da mensalidade mínima de 980 euros. (...) Nesta creche bilingue, as crianças têm à sua disposição, entre outras coisas, educação musical, natação, ballet ou ainda aulas de chinês, tudo isto mediante pagamento adicional. Para além disso, os pais, que tantas vezes se encontram extremamente ocupados, podem usufruir, caso o solicitem, de um serviço que leva as crianças à escola e depois as vai buscar. Há também uma sala destinada à fisioterapia. A directora da creche não vê qualquer perigo de exagero, uma vez que as ofertas correspondem às necessidades das crianças".


 


Winterhoff, Michael (2008).


"Por que é que os nossos filhos se tornam tiranos?".


Lisboa. Lua de papel.



quarta-feira, 20 de julho de 2011

pequenos emigrantes do quotidiano

 


 


 


Li há tempos a expressão que escolhi para título. Bem sei que os tempos estão de feição para os cortes na despesa do estado e que os elos mais frágeis ficam mais à mão. Como também estamos inundados pelos flagelo do desemprego, talvez seja despropositado focar a atenção na qualidade da organização do trabalho.


 


Mesmo assim, devemos fazer o que estiver ao nosso alcance para contrariar uma actualidade que nos diz que "(...) temos hoje milhares de pequenos emigrantes do quotidiano, que andam dezenas de quilómetros para ir à Escola. São as vítimas do encerramento cumpulsivo das 5000 pequenas escolas das suas aldeias. Juntam-se a outros milhares de crianças nacionalizadas em nome dum estranho conceito de Escola a tempo inteiro. Todas juntas, constituem uma espécie de órfãs de pais trabalhadores, com quem pouco estão. É preciso debater o papel que este sequestro e este desenraizamento podem jogar no comportamento destas crianças.(...)" O parágrafo que leu é de Santana Castilho (2011:57) em "O ensino passado a limpo".

terça-feira, 5 de julho de 2011

o que fazer com os petizes?

 


 


A interrogação que coloquei como título parece ser a que a sociedade portuguesa mais repete quando se trata de educar as crianças e jovens. Os últimos anos foram ocupados pelo debate à volta do "armazenamento" de alunos. Quanto mais tempo, melhor para os adultos. A concentração de escolas, e a discussão de escalas organizativas, não pára um segundo para pensar no tempo que as famílias devem dedicar à Educação das crianças e jovens. A nossa sociedade não cuida dos petizes. Os governantes eliminaram do seu raciocínio, e do seu discurso, o tempo para as crianças brincarem e a organização do trabalho que se devia preocupar com isso. Vamos lendo que lá para 2100 a nossa população estará reduzida a metade, mas pelos vistos muito mais pesada.


 


Portugal é dos países europeus com mais crianças obesas


"(...)Para Ana Rito, nutricionista do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge, os dados relativos a Portugal são “muito preocupantes” e fazem da obesidade a doença mais prevalente na infância.(...)"


 


 

quarta-feira, 1 de junho de 2011

os tecnológicos nos tempos pós-modernos

 


 


 


Não sabemos educar os petizes. É uma tragédia antiga e os resultados estão aí. As crianças portuguesas são um incómodo e a discussão anda sempre à volta do seu desgraçado armazenamento; quanto mais tempo melhor e a capacidade de argumentação apenas disfarça as reais intenções.


 


Em pleno dia mundial da criança, a notícia é surreal: os portugueses desesperam por manuais para educar os petizes; ao que consta, mesmo que escritos por quem nunca pegou numa criança.


 


Ou seja: o pato-bravismo-tecnológico diz-nos que são raros os que lêem as instruções dos repetidos aparelhos da tecnologia e depois é vê-los a exibir uma coisa que nem sabem bem para que serve. Os petizes, que oferecem a deslumbrante vantagem da singularidade, tem uma particularidade que não apreciamos lá muito: dão trabalho.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

não tarda

 


 


 


Não tarda e antes do teste do pézinho os petizes são sujeitos a um intermédio de matemática. Bem sabemos que as escolas têm de alimentar a estratosfera para que o desemprego não seja praga também aí, mas não se esqueçam que há idades em que a escola-armazém é taxativa: o difícil é sentá-los. O inferno da medição não tem limites.


 



Alunos de sete anos também vão ter provas de Língua Portuguesa e Matemática

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

amontoar

 



 


 


 


Uma das características dos governos deste PS foi amontoar a eito na Educação. Ancorados numa maioria absoluta, abençoados por uma cooperação estratégica e beneficiando dos sorrisos da opinião publicada, os governos do actual chefe do governo deram corpo a um conjunto de políticas que misturaram uma agenda neoconservadora com salpicos de uma engenharia social muito ao jeito das ditaduras de extrema esquerda. Os resultados foram desastrosos. Ausência de sociedade na Educação das crianças e desautorização inédita dos professores.


 


A prepotência confundiu-se com a veia reformista. A forma como se agrupou escolas, ou se impôs um novo modelo de gestão, é um exemplo. O modo como se generalizou o programa de escola a tempo inteiro foi do pior populismo. As conhecidas actividades de enriquecimento curricular envergonham-nos.


 


Inglês. Irregularidades enchem as salas do 1.º ciclo


 


"APPI denuncia professores sem habilitações, alunos sem aulas ou com dois ou três professores num só ano(...)"

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

para além da superfície

 


 


Assuma o estado de sítio o desenho mais variado, é seguro que começa quase sempre pelo emboprecimento que atinge os mais frágeis. Se há fome nas crianças é porque estamos a um passo da hecatombe social.


 


Por mais alertas que se fizessem, a sociedade portuguesa teimou em armazenar na escola as suas crianças e ausentou-se da sua Educação. Não há nada melhor que uma escola possa oferecer a uma família ausente do que um tutor. Para a sociedade sem escola é uma espécie de atestado de desta já me livrei. E sabe-se como essa decisão apenas espelha um estado de desespero e um caminho para o abandono escolar; são raras as excepções. Chegámos ao limiar do absurdo: as crianças estão a ficar sem almofada alimentar.


 


O caderno de encargos da escola tornou-se insuportável, como não me canso de escrever. Se até aqui o problema era civilizacional e do ensino, agora passa-se para o domínio da sobrevivência. Cada vez são mais as crianças que só conseguem comer num dos sítios da sociedade. Onde? Na escola, obviamente.