É inegável que Portugal tem feito progressos nos números da escolaridade. O analfabetismo está quase erradicado e a taxa de abandono escolar precoce tem diminuído apesar de ainda estar acima dos 30%. Tenho ideia que cada vez existem mais portugueses competentes, qualquer que seja o ângulo de análise. Mas estamos obviamente insatisfeitos. Nem é por essa ser uma das características dos humanos, é porque alguns dos números apresentados envergonham-nos.
Sabemos há muito que, e em números redondos, 60% do sucesso escolar se deve às famílias, 30% à organização escolar e 10% aos professores. Escolas com um número aceitável de alunos, grupos socialmente heterogéneos e turmas com cerca de 20 ou menos estudantes são três condições básicas. Mas mesmo isso pode não ser suficiente, se a sociedade estiver ausente e se a educação dos petizes não for uma objectivo primeiro. Não adianta pensar que tudo se muda alterando apenas a escola e seja em que sentido for. Não se eleva a educação nem a escolaridade transformando a escola num local de passagem, de entretenimento e de guarda de crianças; estas intenções podem mesmo ser desastrosas.
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