terça-feira, 28 de setembro de 2010

dilacerante

 


 


Encontrei um texto imperdível no blogue do Paulo Guinote; aqui. Era bom que os arautos da escola a tempo inteiro lessem mesmo o texto. É dilacerante. Vai ao osso. Emocionou-me, sou franco.


 



Apetece-me partilhar o que sinto.
Será que as aulas introduzidas este ano de enriquecimento curricular,no meio das aulas curriculares, estarão a decorrer bem de norte a sul?
Que cansaço!..
Que tortura!..
Que inferno!..
Mas a OCDE não pode cá mandar uns rapazes ou raparigas para ver o estado em que a coisa chegou?..
Ando com vontade de fazer um filmezinho sobre um dia de aulas num TEIP, com o novo modelo de AECS pelo meio das aulas, e espetar com ele no Youtub.
Um TEIP que tem na escola mais problemática do 1º ciclo apenas 1 prof de apoio. Prof de ensino especial, é uma miragem. Ou não chegam, ou adoecem.. Tudo para os titulares de turma.
A rapazeada não pode ver o trabalho à frente. Tento convencê-los o dia inteiro da importância de saberem mais, mas não resulta muito.
Quando os tento acalmar e fazer um trabalho sério, lá se vai tudo. Acabou de chegar o prof de hip-hop.. Berros espojamentos no chão…
Eu tento retirar-me para um canto da escola para esperar e entrar novamente em cena,e acabar uma aula de matemática que tinha iniciado pela manhã, e eis que me deparo com uma luta de um jovem de 9 anos que já tinha batido numa empregada e tinha acabado de atirar ao chão 4 ou 5 cadeiras.
Chamada a polícia, esta coincidiu com a entrada dos meus infantes que regressavam da sua aula de hip-hop. Fascinados pelo cenário tb quiseram assistir. Difícil, foi convencê-los que tinham que subir para a sala, para concluir a aula anterior.
Mas, eis que chega a professora de dança, que só hoje se apresentou e leva-os, para terem a sua primeira aula. Hoje não dançaram, foi apenas apresentação.
Eu humildemente, retirei-me e procurei o cantinho da escola que tinha procurado, na aula anterior, quando do hip-hop.
Mas esta aula de dança, como a aula de teatro, como a de expressões fazem parte de um outro projecto da escola, e os professores são obrigados a estarem presentes e a interagir. Subi e instalei-me na minha cadeira, a tentar descansar um pouco, visto ser apresentação. A aula de dança acabou, mas tinha o Apoio ao Estudo. A hora ia avançada, e aqui a rapazeada olhou-me, implorou-me: _Professora, nós estamos cansados. Eu li nos olhos deles, que aquela hora não podiam estar de outra maneira. Eu tb estava estourada. Não conseguia fazer mais nada!
Quanto ao que devia ter feito e não fiz, o problema não é meu. Dos alunos tb não.
Foi pouquíssimo o que consegui fazer hoje.
Quem sabe se amanhã não consigo acabar a aula de hoje…
Se não acabar ficará para o próximo dia. Eu irei lá estar todos os dias em príncipio..
Horas de apoio na sala? 2h 50 m semanais.
De referir que estou a falar de uma turma de 4º ano, com níveis de aprendizagem que passam pelo 1º, 2º, 3º e 4ºanos. Dois dos alunos são de Ensino Especial.
Possivelmente, quem ler isto, pensará que estou a inventar. É pura verdade e passa-se numa escola portuguesa.
Amanhã há outro dia e o sol nascerá de novo.
Só peço que o possa ver nascer. Isso será o mais importante.
Quanto a fazer coisas sérias e com alguma qualidade, faz parte do passado. Esse já não volta..


 


 


Luana




5 comentários:

  1. Foi por estas epor outras que deixei o ensino.Mais por outras, mas também por estas.No século XXII teremos um analfabetismo igual ao do sec.XVIII mas seremos campeões do uso do telemovel(3 per capita) e a TMN será sómente portuguesa.

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  2. Pois é isto que eu ouço diariamente dos meus colegas todos. Só quem lá passa sabe dar o valor.
    E lembrar-me eu que nada disto havia aqui!
    Já escrevi aqui muitas vezes sobre isto. Não há decerto escola que nas suas reuniões não tenha já (sempre) feito alusão aos malefícios destas AEC. Mas as Câmaras continuam a fazer orelhas moucas e borrifam no assunto.
    O ME, esse nem se fala. É autista. E a escola pública continua a degradar-se por muitas razões, mas também por esta invenção anti -pedagógica chamada AEC.

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  3. anix (professora e Enc. de Educação)29 de setembro de 2010 às 23:37

    Mais do que doer, REVOLTA. Sabemos no que vai dar, sabemos o que estamos a sofrer e NINGUÉM nos dá ouvidos.
    Até quando? Onde estão os pais quando mais precisamos deles? Não são eles os que devem lutar por um ensino de QUALIDADE para os seus filhos? Como podem tantos pais aceitar que os seus "mais que tudo" passem tantas horas na escola?
    O rumo que o ensino persegue vai acabar mal, mas quem se LIXA é sempre o mais pequeno porque se cala e se conforma.
    Somos mesmo um país conformista e egoista.

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  4. Só uma curiosidade:
    Que percebem os senhores das câmaras de didáctica e de pedagogia?
    Percebem de gestão de pessoal e de contas! Deixem-se de TRETAS, não inventem mais. Devolvam a infância às crianças e deixem de zelar pelos superiores interesses dos pais.

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