sábado, 27 de novembro de 2010

da escola inclusiva

 


 


Convidaram-me, enquanto presidente de Conselho Executivo de uma escola portuguesa, para fazer uma conferência sobre segurança escolar. Já dei uma visto de olhos na papelada e não encontrei o certificado, mas tenho quase a certeza que foi na primavera de 2004. Foi, seguramente, em Óbidos, na Casa da Música, e organizada pela Direcção Regional de Educação de Lisboa.


 


Quando me telefonaram a fazer o convite, lembro-me de lhes ter perguntado: "Sobre segurança? Porquê eu?". "Porque a tua escola estava mergulhada em indisciplina e em insegurança e hoje tudo isso é mais do que residual". Respondi-lhes: "Como habitualmente, só vou dizer o que penso o que provavelmente não é aquilo que vocês querem ouvir "(também pressentia o que se viria a passar a seguir no sistema escolar (começou a desenhar-se em 2002) de perseguição aos professores, embora nunca imaginasse que fosse tão mau como foi).


 


Dei um vista de olhos pelos tópicos que utilizei e faço uma síntese:



  • participação empenhada em diversos programas que envolveram a segurança na zona envolvente da escola, nomeadamente com os projectos escola segura e malhoa;

  • dados todos tratados em sistemas de informação construídos na escola;

  • construção e desenvolvimento de um núcleo de comunicação social que produz o website escolar, o jornal escolar e uma página na edição impressa do jornal local com mais audiência;

  • eliminação, mas eliminação mesmo, da má burocracia (vulgo papelada) e construção de horários escolares adaptados, mas adaptados mesmo, ao projecto educativo e aos transportes escolares dos alunos;


  • trabalho persistente e muito bem preparado ao nível da rede escolar, com a preocupação de reduzir o número de alunos por turma e de encontrar outras soluções de escolaridade para os alunos com um percurso a indiciar abandono escolar;

  • ausência de campainhas;

  • intervalos das aulas de 90 minutos adequados à conveniência pedagógica e didáctica da responsabilidade de cada professor;

  • celebração diária dos aniversários de todos (o nosso quadro de mérito);

  • vasos com plantas todos os dias e não apenas nos dias das visitas institucionais;

  • papel higiénico, saboneteiras e secadores de mãos em todas as casas de banho;

  • regras simples, transparentes e exequíveis para os casos de indisciplina (começou com uma expulsão (embora a rede social não tivesse sido descurada), seguiram-se várias suspensões (em regime sumaríssimo e sempre em articulação com a associação de pais e com os encarregados de educação em causa) com leitura do texto da sanção em todas as salas de aula e em tempo útil, e nos últimos três anos nada disso aconteceu);

  • e, finalmente, o mais importante: a escola não é apenas inclusiva para os alunos (honra-nos muito que a DREL indique a escola para os alunos com necessidade educativas especiais) mas é-o também para os professores e para os funcionários (e isso significa confiança, mas confiança mesmo, e respeito pelas pessoas) como fazem as organizações bem sucedidas (mas só o modo como isso se faz dava para outra conferência). Temos todo o cuidado em proporcionar as melhores condições para a realização das aulas e nesta escola só resolve os problemas sozinho quem quer.


 


Registei o apoio da plateia e um evidente embaraço nos dirigentes que comigo ocupavam a mesa do palco.


 


(1ª edição em 10 de Maio de 2010)

26 comentários:

  1. Bravo, Paulo!

    Excelente post. Concordo.

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  2. Excelente, mas excelente mesmo Paulo. Saudades!!!

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  3. perdi-umas-quinhentas24 de março de 2010 às 23:07

    Que saudades da nossa escola SANTO ONOFRE, onde nos sentíamos ......felizes..........

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  4. bravo carissimo amigo Paulo e como todos sabemos que isso é verdade

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  5. Sabes, tenho saudades do postal que recebia em casa, num determinado dia do ano. Era um gesto tão simples, mas que dizia e fazia sentir muito.
    Outro aspecto que recordo prende-se com o respeito pelo outro e pela sua valorização enquanto profissional e ser humano.

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  6. Pois é. Lembro-me bem.
    Lembro-me também do que era a EBI quando nasceu. Lembro-me de haver EE que iam de roupão e chinelos de quarto à escola. Lembro-me de haver garotos a quem se dava banho à chegada e mudava de roupa. Lembro-me de a EBI ser uma escola de intervenção prioritária e ninguém querer lá pôr os filhos. Lembro-me daquela família que colou um papel na porta a dizer que só atendia assistentes sociais à terça-feira à tarde.
    Era a escola do Bairro das Morenas.
    Em poucos anos tudo foi mudando, e de repente toda a gente queria lá pôr os filhos. E de tal maneira, que cheguei a estar horas com a São (que saudades!) e a D.Lídia a conferir se os telefones correspondiam às moradas que eram dadas na matrícula. Chegou-se a recusar gente e mais gente. Uma das coisa que me lembro de ver nos pedidos para os filhos frequentarem a EBI era a alusão ao Projecto Educativo, ao "Projecto de Articulação entre Ciclos"(se ele acabar, muitos alunos sairão de certeza da EBI) e à segurança.
    Lembro-me que a questão da rede era por ti preparada com muita antecedência e com diálogo com os executivos das outras escolas da cidade, antes da reunião com a DREL. Havia trabalho, para não deixar sair os bons alunos. Os menos bons também não eram "despachados" como noutros lados acontecia.
    Nós, docentes e não docentes vivíamos noutro clima. Era a escola onde todos gostavam de estar e onde muitos ansiavam ir parar.
    E hoje? Hoje assusta-me ver professores a quererem a aposentação rápida, outros a quererem concorrer (eu só para África!), outros estafados e com tão pouco tempo de serviço.









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  7. paulo guilherme trilho prudêncio25 de março de 2010 às 09:22

    Viva a todos.

    Obrigado.

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  8. Um professor resistente25 de março de 2010 às 13:36

    Sei disso.

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  9. BRAVO!!!! Comovente.

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  10. Eu também estive lá. Grandes tempos.

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  11. A simplicidade dos grandes feitos e nada mais.

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  12. que saudades da escola dos petiscos

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  13. Que saudades da nossa escola!
    Bj
    Mena

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  14. Viva Isabel.

    Só agora reparei no "só para África". Quem passa por Moçambique

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  15. estás perdoado, volta

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  16. Pois é Paulo! Fiquei fascinada como sabes, com a calma que aquela terra transmite, com o clima, com a beleza e muito fascinada com os miúdos- calmos, olhar doce, bem educados, respeitadores,não gritam, sabem brincar sem ser aos encontrões... Tudo o que os nossos meninos tinham antes da playstation, dos ténis de marca, do telemóvel, da família não estar para os aturar e não os educar...

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  17. Viva.

    Quem é que tem de ser perdoado? Essa é boa meu caro amigo

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  18. Viva Isabel.

    Tens toda a razão. Há muito tempo que em Portugal não se ouve uma linha sobre o modo como educamos as crianças nem com a necessidade de ajustar os horários de trabalho de modo a que as famílias tenham tempo para os miúdos

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  19. o Sérgio é bem-vindo , pode voltar na sua bicycle ...

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  20. Esta já não é a nossa escola, é mais uma escola entre outras...

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  21. por um ensino laico...
    Os agrupamentos de escolas já não podem ter nomes de santos ou santas, segundo a politica governamental.
    É um problema para o vosso agrupamento. Vão ter que abrir um concurso para eleger um nome adequado às características da vossa comunidade escolar.

    A bem da República

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