O romance "O Velho e o Mar" (The old man and the sea) de Ernest Hemingway (1952) é uma obra-prima.
Li-o pela primeira vez na adolescência, na época do "Moby Dick", de Herman Melville - o autor do também fascinante Bartleby -, e julgo que nunca mais o voltei a ler.
Era já vaga a ideia sobre a história. Um velho e pobre pescador que havia tempo que não conseguia pescar e que tinha uma forte amizade com um rapaz. Certo dia, pescou o maior peixe da sua vida. Voltou a terra apenas com o esqueleto do enorme espadarte, porque não conseguiu impedir o furioso ataque de esfomeados tubarões. Reencontrei-me com a história e fiquei com a ideia que está tudo ali.
Não resisto a transcrever-vos um pedaço da tradução de Jorge de Sena:
- Que tens para comer? perguntou o rapaz.
- Um tacho de arroz de peixe. Queres? perguntou o velho.
- Não. Como em casa. Queres que eu acenda o lume?
- Não. Acendo-o eu depois. Ou como o arroz frio.
- Posso levar a rede?
- Claro que podes.
Não havia rede, o rapaz lembrava-se de quando a tinham vendido, mas todos os dias representavam esta cena. Também não havia tacho de arroz, o que o rapaz também sabia.
Sem comentários:
Enviar um comentário