A avaliação externa promove a ineficiência e dá um forte contributo para o mergulho na papelada inútil que alimenta o metabolismo das nossas escolas e que atinge um pico patológico no final dos períodos lectivos ou nas semanas que antecedem a presença dos ditos avaliadores - as impressoras costumam gemer de tanto fumegar -.
Mas não se podia fazer de outro modo? Claro que sim; não só podia como se devia. Embora remeter a avaliação externa para uma política de poupança vegetal, de saúde mental e psicológica, de eficácia organizacional e de respeito e confiança nos professores dê algum trabalho na fase inicial.
Dizia uma especialista em qualidade total da gestão das organizações e que tem trabalho realizado com a inspecção-geral da Educação, que as correntes actuais de avaliação externa sugerem que o fundamental é ir à procura do modelo organizacional - da sua coerência e eficácia - de cada instituição. Para além disso, devem estimular procedimentos modernos na gestão da informação e nunca o contrário.
Portugal está às avessas: a inspecção-geral define expressamente o que quer obter para justificar a sua existência e as escolas ficam alienadas com a obtenção de informação que não vão utilizar e que repetem até à exaustão. Para que nada falhe, os membros da direcção das escolas são avaliados pelo grau de proficiência na acumulação do desperdício.
Nem num período de PEC´s se caminha no sentido da racionalização. As tentativas são sempre com o mesmo registo: um transporte de objectos, ou de pessoas, de um lado para outro; apenas sintaxe, digamos assim. A semântica dos procedimentos e a organização como um valor precioso parece terem fugido de Portugal a sete pés e levaram consigo o que restava do sonho e da poesia.
1ª edição em 22 de Junho de 2010
- as fotocopiadoras costumam gemer de tanto fumegar -. Nem mais...
ResponderEliminarExcelente. É isso mesmo. Monta-se um circo, em cada escola, que mais não é do que uma farsa conduzida pelas direções
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ResponderEliminarA avaliação externa, como é feita, é inútil!