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domingo, 31 de julho de 2011

tempos sem norte

 


 


 


 


Dá ideia que a encruzilhada ocidental está sem receita. Estamos estonteados e apenas os gananciosos conhecem o caminho que lhes é habitual.


 


A crise da escola é antiga. Está num auge e adequada aos tempos. A contradição mais evidente é uma espécie de bússola desmagnetizada. Por um lado, pedem-se mais políticas de mérito para todos (alunos professores e funcionários) e por outro advoga-se a necessidade de inclusão. A organização é avaliada, simultaneamente, por indicadores de inclusão e de exclusão. Uma charada sem solução.


 


Para incluir alunos, a escola tem de ter um clima organizacional correspondente e uma atmosfera relacional que estimule a cooperação e a mobilização (dois nomes proscritos).


 


A síntese destes opostos revela uma face da encruzilhada ocidental e mereceria uma aturada atenção dos mentores do nefasto SIADAP e dos sistemas semelhantes. É imperdoável não aprender com a história; mais ainda, quando o desconhecimento se relaciona com o que acabámos de viver e nos levou ao desespero em que estamos. Excluir garante um aura mais austera e popular nos tempos que correm, mas revelar-se-á muito mais dispendiosa e perdedora no médio prazo.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

no meio de nós

 


 


Os nossos ês já não cabem nos dedos de uma mão. Ao eduquês associaram-se o economês, o justicês e por aí fora. É uma praga de linguagem bem pensante e sedutora que inferniza a sociedade.


 


bullshit também se instalou nos nossos comentadores como se vê sempre que o assunto é a avaliação de professores. Mesmo que nada saibam sobre o que acontece nas escolas, debitam uma série de generalidades porque o silêncio foi eliminado das inteligências.


 


Em muitas das nossas escolas acontece mais ou menos o mesmo sobre a avaliação do desempenho. O rol de mesquinhez e de incompetência, ao jeito do legislês, preenche demasiadas cabeças que não podem ficar em roda livre. É triste, mas é assim. O ês minou-lhes o raciocínio e não há simplex que lhes valha. A má burocracia é o seu metabolismo de sobrevivência.


 


Não adianta remeter para a ilusão, para a precipitação ou para o radicalismo. O actual governo, pela voz do primeiro-ministro, prometeu suspender aquela coisa revoltante e kafkiana. Não há argumento que justifique a falta de palavra num assunto tão sério. Basta ler os relatos dos últimos dias. Não compreender a indignação que se instalou nos professores é desconhecer dois significados: de dignidade e de seriedade.

domingo, 8 de maio de 2011

para chegar a grande é preciso somar inúmeros pequenos

 


 


 



 


 


 


 


A avaliação externa promove a ineficiência e dá um forte contributo para o mergulho na papelada inútil que alimenta o metabolismo das nossas escolas e que atinge um pico patológico no final dos períodos lectivos ou nas semanas que antecedem a presença dos ditos avaliadores - as impressoras costumam gemer de tanto fumegar -.


 


Mas não se podia fazer de outro modo? Claro que sim; não só podia como se devia. Embora remeter a avaliação externa para uma política de poupança vegetal, de saúde mental e psicológica, de eficácia organizacional e de respeito e confiança nos professores dê algum trabalho na fase inicial.


 


Dizia uma especialista em qualidade total da gestão das organizações e que tem trabalho realizado com a inspecção-geral da Educação, que as correntes actuais de avaliação externa sugerem que o fundamental é ir à procura do modelo organizacional - da sua coerência e eficácia - de cada instituição. Para além disso, devem estimular procedimentos modernos na gestão da informação e nunca o contrário.


 


Portugal está às avessas: a inspecção-geral define expressamente o que quer obter para justificar a sua existência e as escolas ficam alienadas com a obtenção de informação que não vão utilizar e que repetem até à exaustão. Para que nada falhe, os membros da direcção das escolas são avaliados pelo grau de proficiência na acumulação do desperdício.


 


Nem num período de PEC´s se caminha no sentido da racionalização. As tentativas são sempre com o mesmo registo: um transporte de objectos, ou de pessoas, de um lado para outro; apenas sintaxe, digamos assim. A semântica dos procedimentos e a organização como um valor precioso parece terem fugido de Portugal a sete pés e levaram consigo o que restava do sonho e da poesia.


 


1ª edição em 22 de Junho de 2010

quinta-feira, 1 de abril de 2010

a desgraça da avaliação externa

 


 


 



Foi daqui


 


 


 


Já escrevi por diversas vezes e já tive a oportunidade de o dizer nos locais "próprios" e cara-a-cara: a avaliação externa das escolas portuguesas é uma desgraça, como pode ler aquidá um forte contributo para o mergulho na papelada inútil que alimenta o metabolismo das nossas escolas e atinge um pico descomunal no final dos períodos lectivos ou nas semanas que antecedem a presença dos ditos avaliadores - as fotocopiadoras costumam gemer de tanto fumegar -. Mas não se podia fazer de outro modo? Claro que sim; não só podia como se devia. Embora, e no que diz respeito à gestão escolar, remeter a avaliação externa para uma política de poupança vegetal, de saúde mental e psicológica, de eficácia organizacional e de respeito e confiança nos professores dê algum trabalho na fase inicial.


 


Mas foquemos o pensamento no cerne da questão. Dizia uma especialista em qualidade total da gestão das organizações e que tem trabalho realizado com a inspecção-geral da Educação, que as correntes actuais de avaliação externa sugerem que o fundamental é ir à procura do modelo organizacional, da sua coerência e eficácia, de cada instituição. Para além disso, devem estimular procedimentos modernos na gestão da informação e nunca o contrário - mas como se sabe, ninguém estimula o que desconhece -. O que acontece em Portugal é exactamente o contrário: a inspecção-geral define expressamente, e de modo impresso, o que quer obter para justificar a sua existência e as escolas ficam alienadas com a obtenção de informação que não utilizam e que repetem até à exaustão. Mas mais: para que nada falhe, os membros da direcção das escolas são avaliados pelo grau de proficiência na acumulação do desperdício e agora também na gestão do silêncio: uma tragédia, como se comprova no que pode ler a seguir.


 


Pais dizem que escolas que denunciam violência são penalizadas na avaliação

sábado, 13 de março de 2010

cinco anos depois

 


 


 


 


Custe o que custar, ou seja, com a possibilidade de se remeter o que vou escrever a seguir para o domínio da subjectividade por parte dos que advogam em sentido contrário, temos de concluir: estamos numa fase alta das consequências da ofensiva pública do anterior governo contra os professores portugueses. A questão do momento tem uma simples formulação e uma difícil solução: quanto tempo vai demorar a reerguer a escola pública?


 


Ninguém sabe quantos anos que vão ser necessários, mas todos percebem que é crucial um reset em alguns diplomas (e não basta ficar quieto porque os efeitos vão em bola de neve): estatutos (professores e alunos), avaliação dos professores, gestão escolar, escola-armazém, horários dos professores, excesso de burocracia (programas de avaliação externa que visem, exclusivamente e apenas, esse objectivo) e organização curricular.