A política portuguesa anda há 30 anos a propagar a autonomia escolar e os sucessivos governos limitam-se a cruzar os braços perante uma tentacular traquitana ministerial que asfixia o privilégio de ensinar nas escolas portuguesas. Para além disso, o ministério da Educação também parece capturado pelos partidos políticos ao servir de espécie de prateleira dourada para executivos que cessam funções.
Lembrei-me disso também a propósito de uma frase de João Formosinho (1984) que encontrei numas coisas que estava a ler. Caracterizando a situação portuguesa, considerou a inadequação da administração burocrática centralizada a principal impossibilidade da autonomia da gestão escolar. Afirma que “a conclusão principal a tirar desta análise é de que é difícil a renovação pedagógica a partir das escolas e dos professores num sistema onde predomina a lógica do centralismo burocrático”.
Tenho ideia que se não estamos pior do que nessa altura, estamos pelo menos mais mergulhados e asfixiados em má burocracia.
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