domingo, 26 de junho de 2011

excessos

 



 


 


Se há quem se queixe da ausência de debate ideológico, o sistema escolar em Portugal não o pode fazer. Os tempos recentes têm sido preenchidos pela discussão ideológica à volta das correntes da pedagogia. Como já escrevi várias vezes, tenho a impressão que a opção por qualquer das correntes fica à porta das salas de aula. Afirmo a sua importância na formação dos professores, na didáctica do ensino e na utilização dos diversos estilos. Mas remeto para a personalidade de cada professor a intemporalidade na forma de gerir grupos de pessoas e de a associar aos estilos de ensino


 


As correntes magistercentristas (professor rei) são as mais criticadas por terem uma conotação com os extremos totalitários. A revolução francesa deu início ao direito do aluno e provocou uma série de novas correntes, que se afirmaram no construtivismo, nas chamadas pedagogias modernas e não directivas. Com o tempo, e com o avanço ideológico, as primeiras foram arrumadas no não democrático e as segundas na promoção da igualdade de oportunidades.


 


Só que, tudo isso e repito, foi ficando à porta das salas de aula e ainda bem. O aluno como um igual, e não como o outro que tem de aprender, nunca passou do debate ideológico e do lugar do politicamente correcto. Pior: construíram-se máquinas de má burocracia que se destinaram a advogar o aluno réu perante o professor juíz e asfixiaram-se a liberdade de ensinar e, por muito inesperado que possa parecer, a igualdade de oportunidades para aprender. O caderno de encargos da escola tornou-se insuportável. Infantilizou-se o clima relacional fora das salas de aula e dificultou-se a afirmação do saber no seu interior.


 


Parece-me que é isto que custa perceber a quem se bate pela manutenção da ideia do aluno como um igual herdada da revolução francesa e que acusa de sei-lá-o-quê quem o questiona.


 


A questão chave parece-me de simples formulação. Dentro da sala de aula todos os estilos de ensino são válidos. O que estará sempre em causa é a personalidade de quem os usa, a disciplina que é leccionada e a intencionalidade didáctica pretendida.

5 comentários:

  1. Muito bem. Concordo completamente. Além de que o texto está muito bem escrito e muito bem posto.
    As pedagogias são todas boas em teoria e conhcê-las é muito importante. Agora o que de facto é importante é que o professor queira - e saiba - trabalhar com os alunos que se lhe apresentam. E quanto a isso, não há Crato que se interponha! Nem MLR, nem ninguém.
    O grande, enorme, grave problema é que os professores deram em... Calimeros...

    Obrigada pelo belo texto.

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  2. outro excelente

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  3. Excelente.

    Brilhante.

    Genial.

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  4. Embora se possa questionar, a analogia com os pais-educadores penso que corrobora a "tese" do Paulo: quem tem vários filhos, coisa cada vez menos frequente (vou puxar dos meus galões - tenho três), sabe que o que funciona para um filho pode não funcionar com outro.
    Nesse sentido, ser pai ou mãe é uma arte, tal como ser professor. Tem muito de intuitivo, de emocional, de ... tanta coisa!
    Por isso, quanto a mim nem faz muito sentido fazer juízo de valor sobre a qualidade do artista: depende do apreciador. E ainda menos juízos em bases supostamente objectivas (exames).

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