(Este texto não é inédito. Foi reescrito.
O original foi publicado neste blogue
em 27 de Maio de 2004)
Dividi a auto-estima em duas partes e espero que se perceba o porquê. A primeira pode ser lida aqui.
O desânimo português começou antes de 2002. Conhecem a ideia que diz que a educação de uma criança começa 20 anos antes dela nascer? Aqui o problema é parecido.
Começou em 2000, na temida mudança de milénio. Como o governo dessa época não teve maioria no parlamento, o processo de desânimo teve contornos inauditos; demitiu-se o primeiro-ministro. Entraram governantes inquietados com o poder inesperado. Escolheram culpar os antecessores. Qualquer Hannah Arendt, Chantal Mouffe ou Nicolau Maquiavel, lhes explicaria que essa técnica deve ser usada na dose certa.
Não satisfeitos, passaram as culpas para os portugueses. Concretizaram a lei que considerou que não podiam existir mais do que 5% de muito bons e 25% de bons. O resto seria para excluir. Só uma gestão desesperada pode ter uma ideia que só se aplica no primeiro ano e em 5% dos casos. Talvez só se aplique mesmo num governo que tenha uma ideia dessas. E é assim. Sabemos que as políticas inclusivas dão mais trabalho e demoram mais tempo. Sabemos que negociar pontos de vista cansa que se farta. Quem escolhe caminhos de baixo nível não pode queixar-se da auto-estima dos excluídos. Os sábios só não estão de tanga porque os outros vivem para além disso.
bem visto
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