Qual é a carruagem do nosso tempo? As sociedades da aprendizagem criam uma atmosfera semântica bem-pensante e atractiva, mas de tal modo vaga, imprecisa e não concreta, que se torna um obstáculo pedagógico ao escolar do nosso tempo. Há autores que se socorrem do conceito de governamentalidade de Michael Foucault, em que categorias como sociedade de aprendizagem, sociedade do conhecimento e aprendizagem ao longo da vida são referências de uma estratégia politica. Essas categorias originam ainda formas de governo condutoras dos sujeitos em função das suas habilidades, destrezas e competências, constroem um discurso global, politicamente correcto e aparentemente natural e ingénuo, que termina a gerar no sujeito um permanente estado de ansiedade formativa.
"Foi directo à subjectividade da pessoa, não através do corpo mas por meio da mente, por intermédio de formas, de práticas educativas e pedagógicas que, possibilitando escolhas educativas, moldam a subjectividade das escolhas autónomas". Tradução e adaptação de uma frase de Marshall 2005.
(Já usei este texto noutros posts)
surpreendente... obriga a pensar...
ResponderEliminarParece-me que há conceitos disseminados generalizados pelo discurso actualmente dominante nos campos da psicologia e da sociologia da educação. Trata-se, penso, de teorias que têm uma aplicação prática muito duvidosa pois parece-me que o exercício pedagógico dos professores não mudou dramaticamente nos últimos 50 anos. As consequências são, pois mais da ordem da inibição de ensinar directamente, do constante imiscuir de critérios psico-sociologicos naas decisões pedagógicas, da responsabilização dos profissiionais por factos que eles não podem alterar, atitude que resulta no que tu chamas o módulo da precaução. Talvez Foucault com a sua análise do discurso e do poder faça parte desta constelação teórica paralisante. Se é verdade que o poder é uma legião como diz Barthes, também é verdade que tem que ser exercido democraticamente em todos os níveis.
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