domingo, 7 de agosto de 2011

câmara ardente

 


 


 


 


 


 


Não sei quantos seremos, mas que importa?!

Um só que fosse, e já valia a pena

Aqui, no mundo, alguém que se condena

A não ser conivente

Na farsa do presente

Posta em cena!

 

Não podemos mudar a hora da chegada,

Nem talvez a mais certa,

A da partida.

Mas podemos fazer a descoberta

Do que presta

E não presta

Nesta vida.

 

E o que não presta é isto, esta mentira

Quotidiana.

Esta comédia desumana

E triste,

Que cobre de soturna maldição

A própria indignação

Que lhe resiste.

 

 

Miguel Torga, Câmara Ardente

10 comentários:

  1. Olá Paulo,

    Desculpa a ousadia mas fiz-te um desafio lá no meu blogue. :) Espero que aceites.

    Cumprimentos.

    ResponderEliminar

  2. Lindo, esclarecedor e oportuno. Não oodemos mudar, mas podemos descobrir o que presta e o que não presta nesta vida! ... ... ...
    Apetecia-me escrever tanta coisa, Paulo! Já escrevi e apaguei tanta frase! Mas não vale a pena. Este teu post diz tudo!
    Bjo grande

    ResponderEliminar
  3. Está tudo aqui! Como nós entendemos tão bem Miguel Torga e como ele diz tão bem o que sentimos!
    Bj

    ResponderEliminar
  4. Num cuntaba chorar carago! Esta coisa mixeu comigo.
    Abraço PGP

    ResponderEliminar
  5. Viva Elenáro.

    Claro que aceito. Como queres que faça? Posto aqui ou no teu?

    Aquele abraço.

    ResponderEliminar
  6. Não conhecia (mais) este belo poema do Torga.
    Muito bom!
    Vou copiar.

    Obrigada e boas férias.

    ResponderEliminar
  7. No teu Paulo. :) O post será para ti. O desafio é só nas perguntas. ;)


    Um abraço!

    ResponderEliminar
  8. Joana Ribeiro, Encarregada de Educação26 de agosto de 2011 às 17:46

    A vingança servir-se-á gelada, Prof. Paulo. Continue, por favor.

    Abraço.

    ResponderEliminar