"Contra o fanatismo" é belíssimo. Este pequeno livro de Amos Oz é arrebatador e prova que ainda existe sanidade mental no meio do grave conflito israelo-palestiniano. Este escritor é natural de Jerusalém e apresenta uma iniciação racional para ajudar a resolver o problema. É fascinante o modo como Amos Oz penetra nos alicerces das manifestações fanáticas e radicais. É uma leitura obrigatória. Tem um alcance e uma lição de vida que deve ser útil para cada um de nós.
"A essência do fanatismo reside no desejo de obrigar os outros a mudar... O fanático é uma das mais generosas criaturas. O fanático é um grande altruísta"
Ai o nosso Sporting...
ResponderEliminarNem me fales, Ricardo Acontece tudo.
ResponderEliminarHá que não confundir "desejo de obrigar a mudar" de desejo de persuadir a mudar.
ResponderEliminarNo primeiro, não há altruísmo, mas subordinação do outro (até aos limites do inaudito) ao Mesmo.
No segundo, o desejo de persuadir - que pode sair frustrado dados os riscos da argumentaçao, o Outro a quem o mesmo se dirige conserva a sua alteridade inamovível. Mesmo persuadido, conserva intacta a sua independência, que lhe permite noutra situação tomar a iniciativa do processo.
A figura de hidra talvez dê conta do carácter multiforme do fanatismo. Há-o de muitos tipos e manifesta-se em todos os domínios da existência social.
O antídoto contra a hidra existe, mas também é multiforme. A imunidade ao fanatismo constrói-se seguramente com a educação, se ela fornecer ao indivíduo uma perspectiva universalista, no plano sincrónico e diacrónico, que o capacite a ver a sua opinião em sentido perspéctico. Este concretiza-se no hábito de submeter a nossa opinião à falsificação pela experiência e pelo debate.
Mas é preciso sobretudo buscar uma espiritualidade onde caiba o Outro como referência e matriz, sem a qual o eu sucumbe à autarcia e à tentação de anulação do Outro.
muito bem... buscar uma espiritualidade?...
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