É justo acusar a traquitana do MEC pelo excesso de má burocracia. Essa carruagem antiga precisa de fontes de energia e os professores não se cansam de colaborar. Não é só quando olham para cima para perguntarem com insistência pelo lado onde se coloca o selo branco, é também quando decidem criar instrumentos destinados a satisfazer o temor por uma fantasmagórica avaliação externa.
O estado descrito ficou patente na versão, a última, verão-outono da avaliatite de professores. Um dos artigos é taxativo: o relatório de auto-avaliação tem que ter três páginas. A sério que está escrito. É lamentável. Apesar de ser um atestado de incompetência para todos, não deixa de ser caricato ter de ser o MEC a proteger a saúde dos professores contra as malfeitorias dos pares.
O assunto da avaliação dos professores é um fetiche. Uma condução mais sensata e de longo prazo da educação não excita a libido da comunicação social e dos seus gurus, mais afeitos a jogos sexuais de pendor sado-maso (ver editorial do I de hoje) - por isso se nota uma certa saudade da ineficácia espalhafatosa e da desorientação confrangedora da dominatrix MLR. O que não vende é governação consciente do pouco valor relativo da avaliação nas prioridades da educação nacional. Imagine-se a histeria se Nuno Crato relegasse a avaliação para segundo plano. O que os sucessivos ministérios têm feito é gerir os assuntos quotidianos e - sobertudo - governar para as agendas das redacções dos jornais e das televisões. É como os filmes porno - muita acção e pouco argumento.
ResponderEliminaro dedo numa ferida
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