Sua Excelência vivia em permanente estado de graça - é arriscado atribuir um vivência ascética, mesmo que se trate de Sua Excelência -, mas sofria de uma síndroma muito comum: contestava a importância de tudo o que desconhecia. Também se considerava um primeiro: vivia na ânsia do arrebatamento dos seus contrários, uma derivação da síndroma que o turvava.
E assim era: Sua Excelência mantinha-se em estado de "ignorância triunfal" e desfazia-se em choros fingidos quando sentia a denúncia da sua condição.
(Rescrito. 1ª edição em 16 de Abril de 2006)
Brilhante!
ResponderEliminarplim!
ResponderEliminarÉ preciso ser onofrino para perceber?
ResponderEliminarOu está-me a escapar algo?
Fizeste-me rir. Sua Excelência tem o dom da ubiquidade e é intemporal. Este foi escrito em 2006. É natural que os onofrinos tenham tendência para localizar, mas os choros fingidos são muito humanos
ResponderEliminarNão te está a escapar nada
Penso que não é a primeira vez que o recuperas desde a escrita original.
ResponderEliminarÉ capaz. Volta e meia faz sentido
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