Depois do presidente da República ter a aplaudido a nossa "maturidade cívica", o escritor António Lobo Antunes prefere elogiar a "paciência inexcedível". Vou mais pela segunda, sem desconsiderar a primeira. Os professores, por exemplo, andam há anos a dar lições de civismo sem uma palavra elogiosa de Cavaco Silva. A maturidade cívica estava eliminada do seu vocabulário e alguns saberão a razão.
Diria, como na imagem, que é mais uma questão de peixes. Não de pregar-lhes o que quer que seja, que os tempos não estarão para isso, mas mais no sentido de se ter qualquer coisa para servir à mesa. Se os pratos ficarem vazios, os portugueses farão um delete à maturidade e à paciência?
Portugueses aguentam crise com paciência "inexcedível" - António Lobo Antunes
"(...) Numa altura tão difícil e injusta, que os portugueses têm aguentado com uma paciência que eu considero inexcedível, em que vivemos num neofascismo capitalista, que afasta ainda mais as pessoas da cultura e dos livros, estar aqui hoje é, também, um ato de protesto. (...)"
"... alertando para o excesso de lixo televisivo, a falta de programas culturais e a inexistência de bons livros."
ResponderEliminarConvenhamos que António Lobo Antunes foi bastante apoucado nesta análise.
Se por um lado, se socorreu de um argumentário muito "déjà-vu" quando se referiu às emissões televisivas, por outro lado contrapôs com a inexistência de bons livros, o que é falso, dando até a entender que a leitura não é uma alternativa credível à mediocridade televisiva.
Francamente, não há pachorra para estes intelectuais de marquesa!