sábado, 7 de janeiro de 2012

composição escrita num exemplar da gesta de beowulf

 


 


 


 


Pergunto a mim próprio que razões


Me movem a estudar sem uma esperança


De precisão, enquanto a noite avança,


A língua desses ásperos saxões,


Já gasta pelos anos a memória


Deixa cair a em vão repetida


Palavra e é assim que a minha vida


Tece e destece sua exausta história


Será (disse-me então) que de algum modo


Secreto e suficiente a alma sabe


Que é imortal e que o seu vasto e grave


Círculo abarca tudo e pode tudo.


Pra lém deste cuidado e deste verso


Espera-me inesgotável o universo.


 


 


 


 


Jorge Luís Borges (1961, p:51)


Poemas escolhidos,


Cadernos de poesia, 20,


Publicações dom quixote.

Sem comentários:

Enviar um comentário