quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

democracia nas escolas

 


 


 


Percebo o Paulo Guinote quando classifica, neste post, como perdida "a guerra da democracia nas escolas" a propósito da recente mediatização da avaliação dos dirigentes escolares. Sei que está inerente ao seu desabafo a difícil conjuntura que envolveu o poder democrático das escolas nos últimos anos, mas também sabemos que estamos longe do fim da História e que a desistência não é conjugável com a razão. Apesar da adversidade actual que tanto abala a democracia, considero que é precisamente nestas alturas que se devem renovar os esforços na defesa do que é justo e inalienável.


 


Do que tenho lido, ressalvam alguns aspectos que ajudam a explicar a derrota momentânea. Se reparamos nesta declaração sindical "(...)Sindicatos da FENPROF, como o SPN, contestam o SIADAP, considerando que este tipo de avaliação “deveria ser uma extensão dos regimes avaliativos aplicáveis a todos os professores, com as necessárias adaptações.(...)" percebemos a "captura" sindical à kafkiana avaliação de professores, designando-a como um mal menor. Isso explica muito da derrota. A falta de convicção e o medo do lumpen, que foi manipulado pelo "eles não querem é ser avaliados", é um esclarecimento decisivo.


 


Nesta notícia também se percebe algum atirar de pedras entre os professores. O maniqueísmo exacerbado foi demonstrativo da ausência de ideias claras e de estudo.


 


Repare-se nos detalhes que seleccionei e nas incongruências. Todos os actores mencionados são professores e só não temos que nos envergonhar porque não são as profissões que fazem as pessoas. Convenhamos: assim não era nada fácil, mas também sabiamos que o belo é difícil.


 


"(...)A contestação ao processo de avaliação nas escolas tornou-se uma doença contagiosa. Começou com os professores, alastrou aos directores, que se revoltaram por não conhecerem os critérios, e atingiu por fim os subdirectores e adjuntos nas escolas da Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) que ontem pediram à tutela a suspensão deste processo por considerarem “arbitrários” os critérios para atribuir as notas de mérito.


O ciclo está completo. Não resta mais ninguém que possa vir à praça pública contestar a forma como o processo de avaliação está a ser conduzido.


“Quando na base da atribuição de quotas está uma diversidade de critérios aplicados ao gosto e sensibilidade de cada director, não pode haver uma avaliação justa”, defende ao i Fátima Inácio Gomes, adjunta da direcção da Escola Secundária de Barcelos e uma das subscritoras do protesto.


O resultado terá sido a confusão total e a adjunta da secundária de Barcelos dá um exemplo para ilustrar a “injustiça” que esta recomendação terá criado: “Os cargos de assessoria ou de vogal não contam para avaliação dos directores, o que já não acontece com a restante equipa da direcção.”


E foi assim que quem usou as regras da comissão de avaliação não terá permitido aos adjuntos ou subdirectores pontuar e, por oposição, quem decidiu utilizar os seus próprios critérios poderá ou não ter beneficiado os seus colegas com um bónus: “Não houve concertação da CCA no sentido de harmonizar os procedimentos”, denuncia a adjunta da Escola Secundária de Barcelos, acusando ainda o conselho de ter validado as notas de mérito com base em diferentes conceitos.


Na base desta queixa está portanto o uso de critérios subjectivos para avaliar dados objectivos, censuram os 18 subscritores da carta enviada à tutela: “Se avaliar o desempenho de funções pode acarretar alguma subjectividade, o mesmo não poderia nunca acontecer com informações curriculares como é o caso das habilitações académicas ou cargos ocupados.”

3 comentários:

  1. O erro foi alguns pensar que se safavam da "sorte malvada" da ADD.
    E depois em 2010 houve aquelas promessas durante o idílio entre o Nogueira e o Ventura...
    Pensaram que conseguiam qualquer coisa... mas estavam, a ser meros joguetes e arrastaram muita gente atrás do que nunca foi cumprido.

    Portanto, esta guerra foi, para mim, perdida.
    Talvez possa ser reaberta... MAs...

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  2. Concordo Paulo. Será reaberta, estou convencido disso. Quando e como é que é mais difícil de prever

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