Os tempos exigem que não nos cansemos de sublinhar o óbvio. Apesar de todas as teorias à volta da crise financeira, há muitos assuntos que não são directamente monetarista e que fazem a diferença entre a democracia e os regimes autoritários. A democracia exige uma permanente atenção aos detalhes e é uma construção diária. Há tempo escrevi assim:
"(...)O sistema iniciado na Grécia Antiga tem uma comprovação científica, por registo das ciências políticas, que lhe confere um lugar de primazia. Foi na democracia que se registaram os mais significativos progressos das sociedades.
De modo resumido poderemos caracterizá-la da seguinte forma:
- pela renovação e legitimidade dos mandatos de poder - com limitação do número consecutivo nos exemplos mais avançados e prósperos - e pelo sufrágio directo e universal;
- pela consequente divisão de responsabilidades, com aumento significativo da participação e da mobilização cívica e profissional;
- pela liberdade de expressão e de circulação de ideias, que proporcionam níveis elevados de inovação e de espírito empreendedor;
- pelos níveis de parcimónia, de transparência e de escrutínio na gestão dos bens comuns;
- pela repartição da riqueza, pelos progressos no bem-estar das pessoas e nos indicadores de esperança de vida;
- pelos inauditos níveis de desempenho profissional das pessoas e das organizações;
- pela afirmação de lideranças fortes, segundo o seguinte princípio de simultaneidade: "os líderes sentem-se capazes do seu exercício e os liderados reconhecem essa autoridade".
Sabe-se que as organizações que adoptaram regimes democráticos obtiveram melhores resultados; também no mundo empresarial. (...)"
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