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quinta-feira, 6 de novembro de 2025

A propósito da revolução em curso da extrema-direita

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A propósito da revolução em curso da extrema-direita - assente em demagogia e desinformação e com o voto de protesto de descontentes e injustiçados -, recorde-se os teóricos da simcult (“na simcult o essencial é o nada e o nada é o essencial” ou “a simcult é um simulacro de sociedade baseada em espectáculo, espaço e velocidade”): a revolução, na actualidade, pode ser tão rápida que nem damos conta.


E há sinais da contra-revolução? Há sempre sinais. Podem aparentemente não ter força, mas os Países Baixos, há dias, e os EUA, ontem, reforçam a possibilidade. Claro que nunca se sabe se uma contra-revolução será tranquila, mas espera-se que sim e igualmente rápida. Desta vez, percebe-se que as personagens da ideologia ultraliberal estão mais carregadas, que os seus teóricos renascem diariamente debaixo de quase todas as pedras e que ocupam o espaço mediático. E se muito do mal não é reparável, e se é mais rápido e fácil destruir do que construir, há duas irrefutabilidades sobre o que é revertível: não será com a mesma velocidade da queda, mas não depende de vontade divina.


Lembrei-me de José Bragança de Miranda em Queda sem fim, seguido de Descida ao Maelstrom de Edgar Allan Poe.



"(...)Com efeito, a tecnologia que foi introduzida para viabilizar a estruturação interna do mundo, ao mesmo tempo que se tornava indispensável para resolver problemas políticos, de justiça, económicos e outros, acabou por fazer da técnica algo incontornável, levando-nos a um ponto de não retorno. Hoje já não é possível voltar atrás, ilusão ainda forte dos "neoludditas" actuais, porque se alterou profundamente as condições da experiência. Como dizem Taylor e Saarinen, criou-se uma mediatrix por uma espécie de revolução despercebida. Dizem os autores de Media Philosophy: "Velocidade, velocidade e mais velocidade. Seria possível uma revolução ter lugar tão rapidamente que ninguém desse por ela?", cuja regra seria: "Na simcult, quem não for rápido está morto"(...)"


Fotografia de Marek Kokusin - Minimalista Photography

Afinal há vida onde tudo começa


"Com foco na economia, democratas recuperam eleitorados perdidos há um ano"


"Vitória de Mamdani abre debate “sobre o destino e a natureza do Partido Democrata”"


segunda-feira, 3 de novembro de 2025

É muito desigual a luta da democracia europeia contra os algoritmos das gigantes tecnológicas

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É muito desigual a luta da democracia europeia contra os algoritmos que as gigantes tecnológicas optimizam para viciarem os utilizadores de todas as idades. É desigual porque os algoritmos - que não identificam uma notícia falsa - viciam através do medo, do ódio e da irritação, que é exactamente o conjunto de conteúdos que historicamente interessa à extrema-direita. Aliás, há algoritmos das redes sociais concebidos para promover constantemente ideias de extrema-direita. Seleccionam para a visualização conteúdos racistas, anti-semitas e ofensivos e promovem a necessidade do líder único e "eterno" que trará a acalmia perante tanto ruído e acrimónia.


E como a extrema-direita consegue anexar a direita democrática e os grandes investidores - veja-se o exemplo, onde tudo começa, da administração americana, e do movimento MAGA, que anexou os republicanos e as gigantes tecnológicas -, coloca-se como um bloco contra todos os democratas.


De facto, os algoritmos ajudam a deslocar o centro de gravidade da política em direcção à extrema-direita, e o seu aparelho comunicacional vai-se alargando nos média. Descredibilizam qualquer acção opositora de esquerda. Em regra, classificam-na como ideológica e radical - até políticas que há pouco tempo eram de centro-esquerda ou sociais-democratas. Ou seja, a extrema-direita acicata o ódio e insulta, a direita democrática faz o jogo da densidade discursiva e os restantes democratas nada mais conseguem do que se justificar.


Agrava-se com a interferência digital das autocracias. Iniciou-se na Rússia e foi imitada em diversas latitudes por regimes chefiados por autocratas ricos que desviam fundos dos seus países para paraísos fiscais (e provavelmente para Portugal também, com incidência no imobiliário e nas infra-estruturas de turismo). É também assim que contornam as famigeradas sanções, gerando estruturas alternativas e ilegais para efectivar negócios.


A luta das democracias pela sobrevivência começou tarde, e se é que se iniciou verdadeiramente, porque mesmo os democratas informados estiveram demasiado tempo tecnologicamente inebriados por um intelectualismo vintage e pelas cedências ilimitadas aos mais ricos.


E o pior é que não seria a primeira vez que a democracia se apagava, e foi espantoso como, durante mais de uma década, houve quem o ignorou ou interesseiramente relativizou. Em 2020, e como exemplo, só em 2% das democracias é que 75% dos cidadãos estavam satisfeitos com o regime (leia-se Martin Wolf). E em simultâneo com esse crepúsculo, aumentou o número de territórios subjugados por autocracias e acentuou-se o risco de o poder cair, paulatinamente, em despotismos e delinquências. Veremos se foi fatal.


Há alguma esperança quando os eleitores, como se viu agora nos Países Baixos, começam a perceber que o discurso de ódio serve principalmente para esconder os negócios que avassaladoramente fazem dos ricos ainda mais ricos, e dos pobres ainda mais pobres, e com desinvestimento nas políticas públicas de saúde e educação.


Duas notas:


1. Numa das primeiras vezes que usei o chatgpt, em 07.02.2023, pedi-lhe um texto com 200 caracteres sobre a situação dos professores em Portugal. Mas pedi duas vezes: uma em tom moderado e outra em tom radical. E o algoritmo concretizou-o de imediato e com mestria. Para quem tivesse dúvidas, era o que se sabia há muito: os algoritmos das redes sociais identificavam o tom dos conteúdos e usavam os mais violentos, racistas, misóginos e xenófobos para adictar os utilizadores.


2. O partido da extrema-direita alemã é liderado por Alice Weidel. Alice é uma mulher loira, lésbica e casada com uma senegalesa negra. Os algoritmos tornaram-na popular entre os eleitores jovens no TikTok, principalmente homens. Ora sabe-se o que acontece a uma mulher com estas circunstâncias que seja de um qualquer partido europeu de esquerda.

segunda-feira, 2 de junho de 2025

segunda-feira, 26 de maio de 2025

O voto "estou farto" e de protesto do ponto de vista da cultura

- Não se aprende. Estou farto de ir a espectáculos financiados pelo erário público com os melhores lugares nas filas da frente vazios e reservados para convidados institucionais borlistas - dizia-me um amigo preocupado com o estado da democracia.
- Compreendo a indignação. Se bem me recordo, há umas duas ou três décadas houve um movimento cívico que acabou com isso. Todos os bilhetes pagos e reservados nas mesmas condições - acrescentei.
Era bom que se olhasse para todos os ângulos do protesto.

domingo, 23 de março de 2025

A culpa também é dos partidos políticos fundadores da democracia

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Candidatar, ou envolver em acções de campanha, cidadãos com comprovada falta de idoneidade para exercer cargos públicos (e para além da justiça lenta e ineficaz) degrada paulatinamente a democracia. Teimar nessas candidaturas assemelha-se à máxima do anti-democrático MAGA-trumpismo - um eleito nunca pode ser acusado e Trump, apesar de tudo, foi eleito e o exemplo parece replicável na Europa -e cria uma espécie de escola que corrói a democracia e que vai tomando o poder nos partidos políticos que estiveram na sua fundação. E se há culpas objectivas desses partidos (repare-se, e só neste milénio, nos casos que envolveram, e envolvem, funções governativas), existem também responsabilidades das diversas organizações, do Estado e não só, que fecham os olhos a situações de comprovada falta de idoneidade e dos eleitores que votam em candidatos nessa condição. Nestas alturas, convém sempre recordar que a democracia é o pior dos regimes à excepção de todos os outros.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2025

Dos eleitos, dos aeroportos e das bagagens

Estive, por dever cívico e num honroso convite de uns elevadíssimos peticionários, umas horas a assistir a um plenário da Assembleia da República nesta legislatura. Impressionei-me com a deseducação de vários deputados da bancada do partido do homem das bagagens. À barulheira infernal que impedia a audição, associavam-se impropérios. Dei comigo a pensar o que agora se reforça: sabemos de todas as circunstâncias históricas das democracias ocidentais e do estado do mundo, mas o poder mainstream tem que ter cometido muitos erros para que sejam eleitos deputados deste calibre.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024

Muita, muita desorientação


"Ferro apela a Marcelo intervenção na Justiça porque “não pode continuar” assim"


"O ex-presidente da Assembleia da República critica “irresponsabilidade” do MP e pede ao Presidente que convoque, antes das legislativas, o Conselho de Estado para discutir sector da Justiça."


quarta-feira, 31 de janeiro de 2024

Da lei de ferro das oligarquias; e como estamos quase dez anos depois?

Em 2014, escrevi assim:


É indisfarçável: qualquer troca de opiniões sobre política tem conclusões comuns: os poderes financeiro, económico, comunicacional e tecnológico apoderaram-se da democracia; os políticos profissionais já nem se caracterizam pelo apego à cor partidária: sobrepõe-se o interesse pessoal.


No dia 22 de Abril de 2014 viajei de automóvel entre as Caldas da Rainha e Lisboa. Ouvi na antena 2 uma entrevista a um recém-doutorado (pareceu-me que se apresentou como politólogo, mas não fixei o nome) sobre a lei de ferro das oligarquias (LFO) nos partidos políticos. Googlei o assunto. A matéria passou ao lado dos média mainstream. O conceito LFO foi primeiramente observado por um sociólogo alemão (Robert Michels) no início do século XX. Explicava o modo como se escolhiam as liderança partidárias nos partidos de governo. Mais do que os eleitores em geral ou os militantes partidários, as escolhas que originam as chefias dos governos são determinadas pela LFO.


O doutorado português olhou para o nosso momento e encontrou a LFO nos principais partidos aos mais diversos níveis. O PS e o PSD têm as oligarquias muito estruturadas.


Estas conclusões não são uma novidade. Parecem naturais e capazes de proteger as sociedades dos populismos. Partidos políticos, sindicatos e inúmeras organizações abertas são basilares para a democracia; e até os agrupamentos secretos.


A História diz-nos que os diversos tipos de sociedade tiveram um destino comum, por mais elevados que fossem os princípios ideológicos: o colapso. A dificuldade em fiscalizar a ganância deitou tudo a perder. Diito de outro modo, a prevalência do mal, e a sua construção sistémica, originou as quedas.


Percebe-se a preocupação com o estado da nossa democracia. Espelha-se nas mais variadas latitudes. A promiscuidade entre partidos e sindicatos, e entre os citados e as organizações secretas ou do mundo financeiro, associada à sofisticação tecnológica e comunicacional, entrou em roda livre. A incapacidade para mudar o estado das instituições existentes aumenta o receio de que a queda só termine com uma grande convulsão.


E como estamos quase dez anos depois?

sábado, 15 de julho de 2023

Da Reindustrialização (3)




  1. Que me lembre, a expressão "Paradigma perdido" tornou-se usual com Edgar Morin e com a crítica do afastamento do homem em relação à natureza; escrito assim para simplificar.


    Quando tanto se fala no desnorte em relação à selecção das áreas para a reindustrialização (que raio de palavrão), parecia-me curial regressar ao paradigma de Morin donde nunca se deveria ter saído: a cadeia de abastecimento no sentido mais lato, considerando o homem em todas as suas dimensões; tenho ideia que, por esse caminho, não haveria tantas bolhas originadas pelos negócios financiados pela banca que produzem muito para além da cadeia referida e que parecem dirigir-se também a outros habitantes do sistema solar.




sexta-feira, 28 de outubro de 2022

Da Reindustrialização (2)




  1. Que me lembre, a expressão "Paradigma perdido" tornou-se usual com Edgar Morin e com a crítica do afastamento do homem em relação à natureza; escrito assim para simplificar.


    Quando tanto se fala no desnorte em relação à selecção das áreas para a reindustrialização (que raio de palavrão), parecia-me curial regressar ao paradigma de Morin donde nunca se deveria ter saído: a cadeia de abastecimento no sentido mais lato, considerando o homem em todas as suas dimensões; tenho ideia que, por esse caminho, não haveria tantas bolhas originadas pelos negócios financiados pela banca que produzem muito para além da cadeia referida e que parecem dirigir-se também a outros habitantes do sistema solar.




segunda-feira, 26 de setembro de 2022

Défice Democrático

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É preocupante que profissionais da educação, e que exercem as funções mais diversas, não reconheçam o défice democrático das políticas educativas; e incluo no grupo deputados e governantes actuais ou antigos. Acredito que algo de sério está a acontecer quando a sociedade não se questiona sobre a perda de direitos fundamentais que tanto custaram a conquistar.

terça-feira, 20 de setembro de 2022

Será como nos anos 1930?

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"“Se nos mantivermos juntos, afundar-nos-emos juntos”: é assim que Tuomas Malinen, economista de uma consultora de macroeconomia com sede em Helsínquia, antevê uma União Europeia em rutura, sobretudo catapultada pela guerra. O professor, analista e economista nórdico garante que os próximos três ou quatro anos serão duros para os Estados europeus, que devem procurar individualmente as medidas que mais os protegem. Com a inflação galopante e a subida das taxas de juro devem seguir-se as falências em massa e só com força interna os Estados poderão amortecer os abalos, explica nesta entrevista ao Expresso.



domingo, 28 de agosto de 2022

Da Não Paragem do Tempo


A Europa está mergulhada na ideia de sobreviver e as suas organizações não escapam à incerteza no desenho do futuro. 


Há um conjunto de conceitos associado às novas realidades informacionais que requerem precisão conceptual para que a linguagem permita uma comunicação assente em bases sólidas. É, por exemplo, nuclear perceber a distinção entre um computador e um sistema de informação. O segundo é mais abrangente, uma vez que integra a tecnologia, os procedimentos organizacionais, os métodos e as políticas que tratam a informação, mas também as pessoas que exercem funções no seu seio.


terça-feira, 11 de janeiro de 2022

O Preço Da Desigualdade

 


 


1ª edição em 27 de Março de 2014.


Só o tempo ditará o alcance da última obra de Joseph Stiglitz (Prémio Nobel da Economia de 2001 - o que dá logo outro crédito -) "O preço da desigualdade". Mas o diagnóstico é tão certeiro, que se fica com a sensação, e à medida que o tempo passa, que o livro se tornará num clássico da economia política.


 


Na página 38 podemos ler uma asserção cada vez mais óbvia (o "Se tal não for feito...", refere-se a "(...)os mercados têm de ser mais uma vez domados e moderados.(...)")


 



 


 


Na mesma página, podemos precisar um recuo civilizacional que vai, como se constata, acentuando as desigualdades.


 



 


 


Na página 41 percebemos a quebra de um contrato.


 



 


 


Na página 42 reconhecemos os ingratos que não param de desmerecer a escola pública.


 


 



 


 


Na página 44 somos confrontados com um dilema de Joseph Stiglitz. Embora o autor considere a prevalência das forças económicas, acaba por imputar ao poder político a responsabilidade pelo estado a que chegámos e cujo preço total a pagar ainda é desconhecido.


 



 


 


Na página 50 encontramos o parágrafo escolhido para a contracapa do livro e que começa na frase que sublinhei com uma seta vermelha. O editor escolheu assim. Penso que não teria tido um escolha pior se tivesse começado pela frase que seleccionei com um seta verde.