Numa interessante entrevista a uma professora finlandesa, aqui, que residiu na Foz do Arelho, encontrei algumas pérolas que passam ao lado da amálgama que tomou conta do poder na nossa democracia: as artes não são consideradas desperdício financeiro na Finlândia e o modelo de avaliação dos professores portugueses é considerado uma coisa "horrível".
GC: Qual a sua opinião sobre o sistema educativo português?
LK: Acho que o sistema português é bom e em muitas coisas similar ao finlandês.
Eu trabalho numa escola secundária mas aqui os alunos são mais velhos. Eu só ensino arte e noto que aqui é uma espécie de especialização enquanto que na Finlândia, toda a gente estuda arte. Os meus alunos têm entre 13 a 15, enquanto que cá são mais velhos. Na Bordalo Pinheiro têm a oferta de mais especializações.
GC: O que acha sobre a avaliação dos professores?
LK: Acho que a avaliação dos professores é algo horrível. Não temos isso na Finlândia. Creio que o sistema existente não leva a nada, a não ser à tristeza e isso não é bom. Não se avalia o trabalho de um professor mas sim a pessoa e a sua personalidade. Acho que até pode existir um sistema de avaliação mas contando com o próprio professor. No mundo das Artes, os professores são muito motivados e acho mal que exista um sistema como há aqui em Portugal. Gostaria de saber de onde vem isto pois deve ser de alguém que nunca esteve numa sala de aula.
"... na Finlândia, toda a gente estuda arte"
ResponderEliminarArte? Essa coisa eduquesa tão pouco ESSENCIAL que nem dá para aprender a calcular a percentagem de aumento dos impostos ou do corte salarial ou do número de desempregados?
Desde quando é que o Zé Povinho precisa de conhecer a Arte para fazer um manguito às agências de notação financeira?!
Arte é capricho de gente com falta de vitamina D, diria o prior do Crato.
Em vez disso, em Portugal preconiza-se a sensibilidade na sola dos pés: "fujam daqui, fujam, FUJAM!"
Tem de sobrar um espaço para sorrirmos Ana.
ResponderEliminarO modelo finlandês é estatal, as escolas pertencem às autarquias e quem seleciona os professores é o diretor da escola.
ResponderEliminarO nosso modelo também é estatal, mas sem nenhuma autonomia para as escolas que são controladas ao detalhe a nível central. Nem sequer podem contratar professores. Por isso, o modelo é burocrático, isto é, pretende desresponsabilizar os avaliadores que não têm qualquer poder. Para isso, pretende ser objectivo, baseado em parâmetros e escalas, duma complexidade intragável.