terça-feira, 6 de março de 2012

concursos de professores numa democracia em crise

 


 



 


O acordo assinado entre o Governo e alguns sindicatos de professores - tem aqui a versão integral via blog DeAr Lindo - é um bom retrato da crise profunda da nossa democracia.


 


Fico com a ideia que os aspectos elementares em relação à situação dos professores integrados na carreira são "compensados" com detalhes muito negativos para os professores contratados, como o comentador Aires denuncia aqui. Acrescento, por exemplo, a continuidade dos efeitos da farsa da avaliação do desempenho.


 


Não considero que a profissionalidade de um professor se possa estabelecer pelo posicionamento na carreira ou pela graduação profissional - por isso, derrubámos os professores titulares em defesa de uma carreira horizontal -. Mas têm de existir regras claras, mais ainda num país com a democracia em estado de sítio. A forma como este diploma trata os professores com ausência da componente lectiva (horários zero) é elementar, mas deve ser sublinhada. Quando existirem horários zero (a situação piora, pois passa das 3 para as 6 horas lectivas mínimas) num grupo disciplinar, quem não for voluntário para concorrer só tem de o fazer se a ordenação por graduação profissional o exigir.


 


Lamento que se tenha a necessidade de legislar nesse sentido. Por informações que me chegam, havia professores com cargos de direcção que tentavam afirmar uma liderança com a "ameaça" da atribuição do horário zero aos seus pares e recebiam por parte de muitos colegas uma veneração recheada de temor e de-mecanismos-de-atropelo-ao-próximo. Parece uma inverdade e quase que temos de nos beliscar. Temos, também entre os professores e muito naturalmente, a doença do caciquismo bem enraizada.

7 comentários:

  1. Concluo o mesmo. Basta uma visita pela blogosfera para se perceber a dimensão da coisa.

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  2. Sigo o seu blog há muito mas é a primeira vez que comento. Admiro a sua lucidez, sensibilidade e inteligência. Escreve muito bem e com uma coerência assinalável. A simbiose de factos com um toque intimista emociona. Os meus parabéns e torci pelo seu resultado no concurso do Aventar. Mereceu.

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  3. Gostei de ler o comentário de Valter, porque é justo, merecido e traduz o que penso. Por outro lado, contraria a tendência que o ser humano às vezes revela de se manifestar apenas pela negativa.
    Um aplauso aos dois.

    Sobre o post:

    Continuamos a ter uma escola com duas realidades que só o Ministério da Educação persiste em acentuar: a dos professores contratados (alguns com dezenas de anos de serviço) e a dos professores do quadro. Lamentável!
    Para além disto, as alterações para a atribuição de horário zero a professores do quadro só pecam por tardias.
    Aqui bem perto de mim, há até quem tenha reformulado os critérios de distribuição de serviço lectivo, lavrados no Projecto Curricular de Escola/Agrupamento, para que neles se encaixasse a possibilidade de correr com o professor "X", o que foi conseguido. E eis que o professor "X" foi corrido para uma escola vizinha, a escassos 200 metros de distância.
    Espanta-me é que em órgãos como o conselho pedagógico, a quem compete a elaboração destes documentos orientadores de escola, haja tanto "yes man" e falta de pudor: um caciquismo generalizado. (ou não me espanta, se atender à forma como os seus membros foram determinados, pois.)
    No meu agrupamento, o conselho pedagógico é composto por professores eleitos pelos seus pares e só depois nomeados pela directora, que respeitou a vontade dos docentes. Há muito que se vive uma paz quase única, invejada pela vizinhança (concelho com cinco escolas dos mesmos íveis de ensino).
    É possível... e desejável., mas não é motivada pela tutela.

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  4. Paulo G. T. Prudêncio7 de março de 2012 às 11:10

    Obrigado Ana. Muito interessante o comentário.

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  5. Nós também podíamos estar nessa paz!
    Comentário muito interessante, chamemos-lhe assim!

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