domingo, 11 de março de 2012

é apenas das lentes?

 


 



 


Lemos as declarações do representante de uma das organizações de dirigentes escolares, ANDAEP, e concluímos, pela enésima vez, que as divergências em relação ao modelo de gestão escolar não são apenas provocadas pelo uso de lentes diferentes. Há matéria mais profunda que se relaciona com o estado da nossa democracia e com os desperdícios financeiros originados pela traquitana do Estado.


 


Já há tempos escrevi assim:


 


Por muito que custe ler o que vou escrever, a transição para o actual modelo de gestão escolar fez-se com naturalidade. A maioria das Assembleias de Escola passaram a Conselhos de Escola e os Conselhos Executivos a Direcções. Tudo na paz divina e para proteger os "cantinhos" dos males do mundo. Houve alguma discussão nos órgãos de comunicação social e na blogosfera, mas apenas um reduzido grupo de professores discutiu o assunto e sentiu na pela alguns efeitos discriminatórios. Houve um pico com as tradicionais ameaças de demissão, mas nada de importante aconteceu.


 


À medida que o modelo se desenvolve, conhecem-se as motivações mais profundas. Neste momento, são as associações de directores que dizem que o governo cedeu aos sindicatos ao apresentar uma proposta que vai no sentido da eleição dos coordenadores de departamento. É espantoso.


 


Para quem não saiba, não está em causa a equipa da direcção. Essa, e muito bem, é escolhida pelo Director ou por quem liderar uma lista candidata. Os coordenadores de Departamento são membros do Conselho Pedagógico, representam o seu Departamento e devem ser eleitos pelos respectivos professores. Fazem parte da equipa da instituição. Dirigi uma escola pública durante muitos anos e nunca senti qualquer necessidade dessas nomeações. Quem está confiante no seu projecto, e acredita mesmo na força da democracia, prefere trabalhar com pessoas legitimadas pelo voto. Se, como se verificou em muito casos, as eleições servem para "castigar" pessoas, também as nomeações podem ter efeitos perversos. A democracia não é perfeita.


 


Hoje, conheceram-se declarações do mesmo teor.


 


Diploma de autonomia das escolas" põe toda agente a mandar no director" - Directores de escolas públicas


 


"Só o diretor é que não manda em ninguém. O seu papel está mal definido nesta proposta do Ministério da Educação e acaba por fragilizar a escola pública", lamentou Adalmiro Fonseca, no final da Assembleia Geral da ANDAEP, que hoje decorreu em Leiria.


"O facto de, no novo diploma que está em discussão, se prever que os coordenadores dos departamentos nas escolas sejam eleitos e não nomeados fragiliza a liderança dos diretores, que não podem sequer escolher a sua própria equipa", exemplifica."

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