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terça-feira, 29 de outubro de 2024

Um estudo descolado da realidade sobre a falta estrutural de professores

Em 2013, escrevi assim: Se me lembrar do consulado de David Justino, tenho bem presente a indignação que provocou a sua afirmação de que só não "contratava pessoas como João Rendeiro do BPP para gerirem escolas porque não tinha dinheiro para lhes pagar" ou uma inenerrável informatização de um concurso de professores, recheada de incompetência técnica e política, que descredibilizou de forma irreparável por uns bons anos todo o sistema escolar e que abriu portas aos sucessivos devaneios que se seguiram e que parecem não ter fim. Ou seja, só vão faltar professores "já em 2026".


Ora leia as ligações deste estudo surreal:



"País poderá não ter professores suficientes para substituir os que faltam já em 2026.


Professores precisam-se (e com urgência).


Falta de professores: “Não estamos perante um problema irresolúvel”, diz David Justino"


segunda-feira, 29 de maio de 2023

Os professores lutaram muito em 2013

 

Ao contrário do que diz o ministro da educação, os professores lutaram muito em 2013. Por exemplo, uma dificílima greve aos exames do secundário deu muito bons resultados.

Este post é de 29.06.13 e tem como título 

fmi contamina a troika





O FMI já se penitenciou, mas para já só na teoria, pelos graves erros austeritaristas e agora é a troika que sai de Lisboa com dúvidas por causa dos professores. Saúdam-se os progressos de quem só tinha certezas. Bem suspeitava que não faltará muito para Portugal agradecer aos professores por mais esta lição de cidadania. Serão mais 115 mil comendadores com a ordem da Espada à Cinta.


E aqueles, mesmo no seio dos professores, que diziam que não era preciso lutar porque não haveria mais uma vaga com milhares de despedimentos colectivos e de horários zero, é só lerem com atenção o resto da notícia.


 


Para quem não está nas mesas de negociação entra a troika e o Governo e entre este e os sindicatos de professores (SP), fica uma impressão difusa. Já não se percebe quem da troika está do lado dos SP, quem do Governo está do lado da parte da troika que é contra os do Governo que são do lado dos SP, quem do Governo governa a troika para anular os do Governo que parecem ser do lado dos SP e podíamos estar aqui a noite toda em exercícios associativos que chegaríamos sempre á mesma conclusão: a força da razão dos professores uniu como nunca os SP e desorientou a troika e o Governo. E depois não querem que os professores se achem escolhidos tal a evidência dos factos.


Como também já sabíamos os professores estão menos isolados, mas mantêm a desconfiança. Habituaram-se a esse tratamento. É claro que continuam a ler coisas que já só merecem um encolher dos ombros. O cronista Tavares do Expresso não desiste de um dos seus pogroms (celebrizados neste notável texto de de JL Sarmento em 27 de Janeiro de 2008), embora, e como se verá seguir, numa versão mais atenuada. É impressionante como o cronista passa por cima do despedimento colectivo de milhares (pelo menos 15 a 20 mil em dois a três anos) de professores contratados (o contratado é um eufemismo que permite despedir pessoas que foram precárias durante dezenas de anos de serviço docente) ao afirmar que não há um funcionário público despedido. A exemplo da semana passada, colo apenas o fim da crónica.



 


 


segunda-feira, 9 de janeiro de 2023

Das Escusas

Post publicado em 28 de Novembro de 2012.


Dez anos depois, nada mudou. Agravou-se porque as progressões na carreira estão sujeitas a cotas e vagas.


Escrevi assim:


A avaliação de professores entrou no desmiolo conhecido. Já cansa mesmo. A única informação relevante é sobre o pedido de escusa por parte dos possíveis avaliadores. Concordo e ponto final.


Só faltava termos os sindicatos a pugnarem pela consideração das aulas observadas no desmiolo anterior e na enésima simplificação do inclassificável. É a tradicional resposta no universo-alpaca: contra minutas luta-se com minutas.

domingo, 8 de janeiro de 2023

Faz de Conta Sem Limites

Post de 27 de Novembro de 2012.



O modelo hiperburocrático, brutalmente injusto e inaplicável de avaliação de professores inventado no consulado de Lurdes Rodrigues deixou marcas profundas.


O descrédito deste tipo de modelos associado à ideia de "escolher" os professores como troféu para o ciúme social criou uma atmosfera que nunca encarou de vez o ponto final do desmiolo.


Há anos que se assiste à teimosa simplificação do que nunca o será. A culpa é apenas do MEC? Não. Há demasiada gente no terreno que colabora activamente a começar pelo inenarrável Conselho de Escolas.


quarta-feira, 26 de outubro de 2022

Os 5 minutos escolares e os "Maluquinhos de Arroios" (2)


A profissão de professor é, de longe, a mais escrutinada em Portugal. Até o verniz da bancocracia estalar de vez, era a culpada pelo estado da nação. A devassa permitiu tudo.


Uma hora escolar foi de 50 minutos durante décadas. No final do milénio passado, a duração passou para 45 ou 90. Ou seja: a redução de 50 para 45 originou um imbróglio lusitano de 5 minutos (já vai quase em 20 anos sem solução à vista). Crato equacionou a possibilidade dos 50 (mas cheia de perversidades), sem eliminar os 45 e os 90. Se para que as escolas abram todas em Setembro não fossem suficientes alunos, professores, outros profissionais e horários, algumas estavam décadas a organizarem-se. 


Os ""Maluquinhos de Arroios", como lhes chamou, veja-se lá, Vasco Pulido Valente no Público, tiveram outra epifania: passar a hora escolar para 60 minutos. Andaram as escolas a operacionalizar a "possibilidade austeritária" que se esfumou de imediato por falta de racionalidade.


Se Vasco Pulido Valente escreveu (13 de Janeiro de 2013) o que pode ler a seguir, e que se mantém, é altura de interrogarmos o futuro imediato. 


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domingo, 27 de março de 2022

Do Histórico da Falta de Professores

Esta publicação é de 27 de Setembro de 2017 e podia ir muito mais atrás.


Ficaram professores por colocar? Sim; em poucos grupos de recrutamento (uma modernice vocabular recente e evitável) é um facto. Mas uma passagem pelas listas dos professores não colocados ou de reservas de recrutamento, regista um número reduzido (ou ausência) de candidatos para várias disciplinas. É uma tendência que se agrava e que abrirá telejornais. Com a "eterna" precarização dos professores contratados (há quase duas décadas nos vínculos e salários) associada ao estatuto de cobaia na avaliação kafkiana (e de moeda de troca entre governos e sindicatos) e passando por um processo de desconsideração profissional, é natural que os jovens desistam de "ser professor" e que os menos jovens optem por outra actividade no país ou no estrangeiro.


PS: se nada se fizer no estatuto dos professores do quadro, as condições de aposentação associadas ao burnout provocarão uma avalanche de insubstituíveis.


 


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quinta-feira, 18 de novembro de 2021

Da Deprimente Task Force para a Terceira Divisão

A educação é a terceira divisão da organização dos governos. Maria de Lurdes Rodrigues, "que trocou os professores pelos eleitores", começou os cortes a eito e Nuno Crato, o estatístico, agudizou-os. Sucedeu-lhes um enigma que deve ser de grande utilidade como adjunto do secretário de estado das finanças. Há várias declarações para a história. Repare-se na imagem de 2012.


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sábado, 24 de abril de 2021

Um Desafio de Economia

A desconfiança nos professores, que se instituiu em má burocracia, começou há quase duas década e disseminou-se a partir daí. O "eduquês organizacional" alimentou-se também do modo digital. Os ficheiros que circulam nas redes escolares são intratáveis e atingirão valores não mensuráveis. Aquele anúncio da PT, que afirmava a capacidade em sediar na Covilhã toda a informação do planeta, não considerou o MEC e o sistema escolar.


A cultura anti-professor desenvolvida nos serviços centrais generalizou-se e só se percebe se incluirmos no "modelo" a exigência de impressão de documentos para uma leitura atenta e imparcial. A impressão e a racionalização de tinteiros de impressoras explica a desconfiança nos professores que parece suportar a sua origem no que pode ler a seguir. Tem os resultados depois da imagem.


 


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Daniel Kahneman (2011:91), "Pensar, Depressa e Devagar". 


Temas e Debates. Círculo de Leitores. Lisboa.


É a 3ª edição deste post. 


 


Resultados: 5 e 47.

terça-feira, 24 de dezembro de 2019

"Prémio Nadador" Seria Melhor

 


"Prémio Nadador" seria melhor, e mais oportuno e adequado, em vez de "Prémio Ghandi " que tem contornos ainda mais risíveis.


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segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Dos Modismos no Escolar

 


 


 


Fui parar a uma entrevista de Agosto de 2016 de quem coordenou o perfil do aluno no final do 12º ano. 


Regressei, pela enésima vez, a este post


Começa assim: 



A febre reformista no sistema escolar em Portugal não é nova: é mesmo imparável. O que é engraçado, e com o passar do tempo, é que vemos recuperar ideias antigas como se de grandes novidades se tratassem. Parece um percurso circular. 


Escrevia, algures em 1998, uns textos para uma revista sobre educação e o coordenador pediu-me que inscrevesse algumas ideias sobre o assunto. Lembrei-me dos remédios. Fui ler a literatura do “Benuron” - medicamento para todas as dores e para todas as maleitas gripais e constipais - peguei no seu modelo organizativo e fui andando. Foi uma noite bem passada. Quase 16 anos depois, e aproveitando as competências do blogue, publico-as de novo. Só dois detalhes antes de começar: se em 1998 era possível este grau de má burocracia e eduquês, não é de admirar que com mais 17 anos intensivos isto tivesse chegado a este estado.



Republico apenas o perfil do aluno. Para os restantes medicamentos terá que ir ao original no link referido.


 


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Perfil do aluno. 

Registo da patente: equipa coordenadora dos programas escolares na reforma Roberto Carneiro em 1989. 

Composição: registo preciso e rigoroso do estado do produto aluno somados x anos de laboração. 

Indicações terapêuticas: impede desvios acentuados nos complexos processos de apreciação global dos alunos; facilita a criação de mecanismos rigorosos de análise transversal do desempenho de humanos sujeitos ao agressivo contexto escolar. 

Contra-indicações: pode provocar ligeiras dores de cabeça quando verificada a sua articulação com os programas escolares das disciplinas dos anos terminais de ciclo. 

Precauções especiais de utilização: não deve ser aplicado a alunos muito curiosos nem aos que se posicionem de frente ou de costas. 

Prazo de validade: um ciclo escolar, precisamente.


sábado, 22 de junho de 2019

"Passa Horas"

 


E não é que o mainstream político "passa horas" a discutir a dispensa de profissionais no 1º dia de aulas para o acompanhamento dos alunos. E há mesmo discussões acesas. Impressiona esta fuga do real e das prioridades.



"Rio propõe substituir 'folga' no primeiro dia de aulas por duas horas para todos. Governo apenas autoriza até três horas"


terça-feira, 2 de abril de 2019

A Espiar o Escolar?

 


 


 



"Finlândia acusa Portugal de violar o seu espaço aéreo. Força Aérea Portuguesa está a investigar"



É tal o fascínio, fundamentado, diga-se, com o escolar finlandês, que, às tantas, se desconfiará de uma espionagem a segredos de estado. Mas copiar nunca é solução e com a nossa força aérea a investigar talvez tenhamos conclusões lá para 2030.


 

sábado, 16 de fevereiro de 2019

Dos Rankings de Escolas 2018

 


 


 


 


Captei as imagens no Expresso online. É integrada a variável indicador de sucesso (regista o progresso dos alunos) que altera por completo o que acontecia na ordenação das escolas. Continua a ler-se sobre a inflação de notas internas e o injusto sistema de acesso ao superior que é uma das causas, talvez a principal, da comprovada exaustão de alunos e professores. Pode saber mais nas bases do dados do Expresso, Público (com a variável contextos) ou DN e fazer diversas simulações. Continua a não se conhecer o índice sócio-económico dos privados, enquanto que o das públicas é integrado em três escalões. Mas estes rankings, integrando as variáveis, já não satisfazem a tradicional publicidade dos colégios privados. Como há muito se sabe, os resultados dos alunos em exames não medem a qualidade de uma escola e este modo de mediatização tem mais efeitos perversos do que o contrário.


No secundário o primeiro colégio privado aparece em 11º.


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No básico o primeiro colégio privado aparece em 13º.


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Os dados do distrito de Leiria.


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Os dados do concelho de Caldas da Rainha.


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É interessante olhar para os números dos cursos profissionais em Leiria e Caldas da Rainha.


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sábado, 10 de novembro de 2018

Mais de 12 anos depois

 


 


 


 


Escrevi, em 27 de Março de 2006 (texto também publicado na Gazeta das Caldas), este texto sobre a carta educativa das Caldas da Rainha.


O texto é longo e quem quiser uma leitura integral terá de recorrer ao link. Intitulei-o "Piscina municipal: o espelho da carta educativa do concelho" e republico-o, em modo resumido, para discutir à volta da rede escolar e da descentralização de competências da educação para as autarquias. É um texto que pode ser útil para quem se interessa por estes assuntos (mega-agrupamentos, municipalização em curso e por aí fora), qualquer que seja o concelho onde viva.


Ouso afirmar que se se tivessem realizado políticas parecidas (a febre era avaliar os professores e sei lá mais o quê), talvez não estivéssemos neste estado financeiro e de desnorte organizacional nas escolas. Perdeu-se tempo e financiamento e estamos quase no ponto de partida. Digo quase porque os procedimentos organizacionais recuaram.



Escrever sobre a carta educativa do concelho das Caldas da Rainha, reduzindo o texto a uma dimensão aceitável sem que os argumentos se somem de um modo selvagem, é uma tarefa que requer um aturado exercício de síntese. Nesse sentido, escolho, como exemplo, a piscina municipal onde se verificam as mais expressivas características: ausência de capacidade de antecipação - a piscina aparece com uma década de atraso e é, agora, prejudicada pelo excesso de oferta -; o seu projecto é completamente imperceptível, resultando, também por isso, numa obra com um custo de manutenção insuportável, comprometendo vários investimentos durante os próximos anos. 

A carta educativa deveria acentuar as perspectivas de futuro e interligar-se com o plano estratégico do concelho. Poderia ser objecto de uma discussão séria, interessada, profissional e competente no conselho local de educação, com a realização de um fórum aberto a todos os interessados. Estabelecer-se-iam assim, políticas educativas ajustadas às necessidades da comunidade, com indicadores que não se deslocavam duma prospectiva emancipadora, sempre balizados pela preocupação de tentar apreender o novo e dar-lhe forma. 

É hoje consensual no país, que a principal prioridade passa por eliminar o sistema de desdobramento das escolas e os desajustados regimes de sobrelotação e de sublotação. Mas para além de fazer elencos de prioridades, a carta educativa deveria criar as bases organizativas que orientariam as políticas de administração escolar, numa época em que as redes de recursos administrativos e educativos são um imperativo exigido pela sociedade da informação e do conhecimento. 

Era fundamental, que, depois, a comunidade percebesse o caminho e identificasse ao longo do percurso o que claramente se quer ou não se quer. Os desestruturados e centralizados poderes central e regional "agradeciam". É notório. O sucesso das políticas terá sempre uma relação muito directa com a capacidade de ANTECIPAÇÃO. A educação deve ser a primeira prioridade para qualquer equipa política que se candidate à gestão de fundos públicos: e em qualquer nível de intervenção. 

Nas Caldas da Rainha assistimos a uma completa desorientação, que consubstancia a ideia iluminada de navegar ao sabor da ocasião. É grave, e a subsistir durante décadas, tornará muito difícil a sua necessária correcção. E não justifica argumentar no sentido que às autarquias está cometida a responsabilidade de “apenas” gerir a educação pré-escolar e o primeiro ciclo do ensino básico. A decisão de remeter para o nível concelhio a elaboração das cartas educativas para todos os graus de ensino, prova o contrário. É num esforço corajoso que, autarcas, responsáveis em administração escolar e encarregados de educação, devem consolidar as ideias de cidadania, autonomia e responsabilidade, impondo com clareza o que querem para o seu concelho, sem desrespeitar as opções estratégicas que o país venha a seguir. 

É neste “dever ser” que tudo se joga. 


(...)Vamos por partes. No primeiro ciclo da educação básica e na educação pré-escolar a questão que se coloca tem uma simples formulação: as instalações escolares existentes já não respondem aos desafios da actualidade. Esta constatação, começou a integrar as políticas educativas no final da década de oitenta, por altura da reforma “Roberto Carneiro”. 

No concelho das Caldas da Rainha construíram-se, então, duas escolas básicas integradas. (...)Tudo o resto ficou por fazer, procedendo-se, apenas, a pequenas obras conjunturais - pintura dos edifícios, reconversão de espaços, construção de espaços específicos (alguns de concepção inenarrável, como acontece com o pavilhão desportivo da escola básica da Encosta do Sol, na cidade). 

No final da década de noventa, teve início o processo para a construção de uma escola básica integrada na zona do complexo desportivo.

(...)Por responsabilidade do executivo da Câmara Municipal das Caldas da Rainha, o projecto não se realizou, tendo a empresa construtora recebido uma avultada indemnização paga pela Direcção Regional de Educação de Lisboa. Em lugar desta escola básica integrada, surge, em 2005, uma escola particular e cooperativa sem primeiro ciclo mas com ensino secundário, com a seguinte exigência: ou se constrói também uma escola semelhante em A-dos-Francos ou não se constrói escola nenhuma. 

Ao que julgo saber, estas mesmas escolas abrirão no próximo ano lectivo a valência de 1º ciclo, mas com o pagamento de propinas. Se a escola pública tivesse sido uma realidade, ficaria a cidade com a necessidade de requalificar as escolas básicas da Encosta do Sol e do Avenal (incluindo aqui os alunos que frequentam as escolas do Parque e de São Gregório). 

(...)A seu tempo, veremos se os financiamentos não contemplarão este tipo de soluções. Resolveríamos, também e assim, a completa trapalhada que se verifica no indizível processo de constituição de agrupamentos de escolas neste concelho e teríamos vários níveis de ensino a funcionar no mesmo espaço físico - ou no caso dos centros escolares, verdadeiros agrupamentos de escolas -, como é razoável, moderno e conhecedor. 

(...)Todos os anos lectivos os responsáveis das escolas do concelho são confrontados com um novo desenho de agrupamento de escolas, com toda a instabilidade que isso implica: novos regulamentos internos, novas eleições para os órgãos das escolas, novas comissões instaladoras provisórias, enfim... é como se todos os anos houvesse eleições autárquicas para eleger um executivo provisório, porque os concelhos estavam sempre a perder ou a ganhar mais uma freguesia. 

Um dos argumentos que mais se utiliza para fundamentar a necessidade de agrupar escolas que ocupam distantes espaços físicos, prende-se com a necessidade de racionalizar recursos administrativos. Os exemplos já conhecidos de experiências desse tipo, não confirmam a intenção. E porquê? Porque se mudam as pessoas de um lado para o outro, mas não se alteram os procedimentos. 

Nesse sentido, o que seria inovador, antecipador e gerador de credibilidade negocial, seria a ideia de se caminhar no sentido da criação do pólo de administração escolar concelhio, deixando nas escolas apenas os necessários recursos mínimos para o tratamento digital dos dados administrativos e de apoio social escolar. 

Quando se fala em portal da educação, fala-se de quê? Quando um governo decreta, em 2006, a exigência de se terminar com a renovação das matrículas dos alunos (prática em uso na escola básica integrada de Santo Onofre, desde finais do século passado, mesmo sem a necessária autorização do poder central), está a falar de quê? 

A possibilidade de num mesmo concelho existir apenas um único serviço em rede - como hoje existem lojas do cidadão, redes multibanco, ou entrega electrónica das declarações de IRS - que processe os vencimentos dos docentes, que passe os certificados de habilitações dos alunos, que apure em permanência os dados de frequência escolar, que execute a transferência digital dos alunos que mudam de escola, enfim... é só dar asas à imaginação e ao conhecimento, e que os divulgue em tempo real, é não só um imperativo, como é um instrumento essencial para estabelecer políticas modernas de gestão de recursos administrativos escolares. 

E de nada vale argumentar que isto ainda não se faz em lado nenhum, já que esse estafado argumento já é mais do que conhecido, e, só serve, para comprometer, consciente ou inconscientemente, ainda mais o nosso atraso colectivo. Nas sociedades modernas, a capacidade de inovar e de antecipar não são apenas palavras bonitas, são, acima de tudo, as únicas alavancas que garantem a credibilidade e a afirmação das autonomias responsáveis. 

Os segundo e terceiro ciclos do ensino básico e o ensino secundário beneficiariam muito do que já foi dito. As escolas da cidade viveram um asfixiante regime de sobrelotação desde meados da década de noventa do século passado, o que lhes conferiu uma elevadíssima taxa de insucesso e abandono escolar e o natural alargamento dos seus quadros de docentes. Ora, se a nova escola do complexo desportivo tivesse sido uma instituição pública, os docentes que agora vão passar a ter horário zero nos estabelecimentos de ensino já existentes, seriam transferidos para a nova escola. 

Com a decisão de se construir duas escolas em regime particular e cooperativo, nada disso pode ser feito. É bom que se diga, que os docentes das instituições particulares e cooperativas são pagos pelo estado. São contratados sem qualquer concurso público e não está previsto que os docentes do quadro, da escolas públicas, com horário zero, devam integrar os quadros das escolas cooperativas, nem que sejam piores profissionais do que os docentes que essas escolas contratam. Ou seja, o estado vai financiar docentes sem serviço que, deste modo, podem vir a integrar os quadros de excedentes da função pública. Numa época em que tanto se fala na redução de custos, esta solução, é, no mínimo, espantosa. É muito grave, e mais evidente se torna, se pensarmos nas dezenas de docentes dos quadros que aguardam há anos por uma colocação no concelho e que vêem assim esse objectivo quase definitivamente adiado. 

No ensino secundário a situação é, também, extremamente confusa, com tendência a agravar-se nos próximos anos lectivos. A oferta escolar neste nível de ensino para os alunos que se destinavam à frequência das duas escolas do concelho, aumentou exponencialmente - o que provocará o mesmo fenómeno de excedente de docentes com horário zero -: duas escolas particulares e cooperativas; consolidação dos projectos de várias escolas com ensino técnico-profissional - CENFIM, CENCAL, ETEO, pólo da Universidade Católica ... -; várias escolas profissionais nos concelhos vizinhos; abertura do ensino secundário na escola Josefa de Óbidos, em Óbidos. 

(...)Apenas para que conste.


sexta-feira, 20 de julho de 2018

dos modismos e do perfil do aluno

 


 


 


 


Fui parar a uma entrevista de Agosto de 2016 de quem coordenou o perfil do aluno no final do 12º ano.


 


Lembrei-me deste post.


 


Começa assim:  


 



A febre reformista no sistema escolar em Portugal não é nova: é mesmo imparável. O que é engraçado, e com o passar do tempo, é que vemos recuperar ideias antigas como se de grandes novidades se tratassem. Parece um percurso circular.

Escrevia, algures em 1998, uns textos para uma revista sobre educação e o coordenador pediu-me que inscrevesse algumas ideias sobre o assunto. Lembrei-me dos remédios. Fui ler a literatura do “Benuron” - medicamento para todas as dores e para todas as maleitas gripais e constipais - peguei no seu modelo organizativo e fui andando. Foi uma noite bem passada. Quase 16 anos depois, e aproveitando as competências do blogue, publico-as de novo. Só dois detalhes antes de começar: se em 1998 era possível este grau de má burocracia e eduquês, não é de admirar que com mais 17 anos intensivos isto tivesse chegado a este estado.



 


Republico apenas o perfil do aluno. Para os restantes medicamentos terá que ir ao original no link referido.


 


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Perfil do aluno. 

Registo da patente: equipa coordenadora dos programas escolares na reforma Roberto Carneiro em 1989. 

Composição: registo preciso e rigoroso do estado do produto aluno somados x anos de laboração. 

Indicações terapêuticas: impede desvios acentuados nos complexos processos de apreciação global dos alunos; facilita a criação de mecanismos rigorosos de análise transversal do desempenho de humanos sujeitos ao agressivo contexto escolar. 

Contra-indicações: pode provocar ligeiras dores de cabeça quando verificada a sua articulação com os programas escolares das disciplinas dos anos terminais de ciclo. 

Precauções especiais de utilização: não deve ser aplicado a alunos muito curiosos nem aos que se posicionem de frente ou de costas. 

Prazo de validade: um ciclo escolar, precisamente.