O que é que move as pessoas que defendem de modo tão fervoroso a iniciativa privada no ensino não superior? Para além da privatização de lucros, argumento que raramente é confessado, a maioria apresenta a liberdade de ensino como um atributo essencial. Os diversos sistemas públicos garantem essa possibilidade através de contratos de associação e mesmo as escolas do Estado inscrevem a liberdade de ensinar e aprender como um princípio fundamental. A liberdade de escolha da escola é um eufemismo que em regra resulta no aumento das desigualdades.
Em Portugal, tenho reparado que existe um preconceito em relação às escolas do Estado que, invariavelmente, se refugia num suposto controle dessas instituições pelos partidos políticos da esquerda e pelos seus sindicatos. Era bom que apresentassem evidências empíricas. O nosso sistema escolar público tem provas dadas na excelência dos resultados, mas apresenta níveis que nos envergonham no abandono escolar cuja responsabilidade deve ser cometida à sociedade. Se quisermos estudar o despesismo e a redução de custos, veremos que a contenção orçamental não se relaciona com o tipo de iniciativa. Haverá sempre mais despesa se existir privatização de lucros.
Por falarmos em evidências empíricas, repare-se nas conclusões da Universidade do Porto.
Alunos vindos das privadas têm piores notas
Um estudo da Universidade do Porto concluiu que a classificação de entrada não permite prever o desempenho académico individual e que, em média, os estudantes provenientes de escolas privadas revelam pior desempenho do que os das escolas públicas.
A uns o dinheiro, a outros a colocação de professores sem concurso e aos últimos o fanatismo ideológico ou religioso.
ResponderEliminarA apologia da "liberdade de ensino" em escolas privadas financiadas pelo Estado é leviana de mais!
ResponderEliminarImportava, isso sim, conhecer quantas seriam as pessoas a defender "de modo tão fervoroso a iniciativa privada no ensino não superior" caso não existisse qualquer tipo de financiamento estatal.
Então, uns serão movidos pelos lucros, outros pelo "status quo" à sombra do qual se demitem de maior responsabilidade no processo educativo dos seus educandos.
Faltou-me um "achismo": o do lado dos professores que, de facto, serão movidos pela necessidade de emprego que não encontram no ensino público ou pela logística pessoal. (conheço casos exemplificativos)
ResponderEliminar
ResponderEliminarGostei de confirmar as minhas quase certezas - " os estudantes provenientes de escolas privadas revelam pior desempenho do que os das escolas públicas."
Que tal começarem também a fazer rankings só com as notas dos exames? Só por aí já dava para ver. Mas os lucros, meu Deus, os lucros.......
Põe no Facebook sff!
ResponderEliminarFeito
ResponderEliminar