Ficou célebre um vídeo publicado, algures em 2008, salvo erro, pelo blogger Miguel Pinto (não me apetece ir à procura e pode ser que o Miguel se lembre) em que um engenheiro que geria um programa de fundos estruturais no sistema escolar afirmou, de forma veemente, a sua indignação com o discurso anti-professores e anti-escola que estava enraizado no MEC.
Há muito que se conhece esse discurso. Existem algumas explicações e não se deve considerar que essa nefasta realidade não tem contribuído de forma determinante para a degradação do poder democrático das escolas (não tenhamos vergonha de repetir até a exaustão o substantivo, que a democracia é preciosa e só quem a perde é que se lamenta).
É natural que, num país tão centralizado e caótico na sua divisão administrativa, os poderes centrais se sintam protegidos por um qualquer ente e se atrevam a olhar com complexos de superioridade os inferiores hierárquicos espalhados pelo território dominado e que, em muitos casos, sofram da pavor do regresso às escolas e se atirem com desdém a quem por lá exerce funções ou à capacidade das mesmas para escolherem os caminhos que devem percorrer. Este privilégio de pequenos-poderosos-não-sufragados é desejado por muitos dos que estão nas escolas e temido por outros tantos. A coisa piora quando coincidem.
É também célebre o telefonema de um "responsável" escolar a perguntar pelo sítio lateral onde deveria colocar o selo branco. A experiência sempre me disse que há uma quantidade razoável de dirigentes escolares que passam a vida ao telefone, ou em presença física, com os poderes centrais e regionais. Estão sempre cheios de dúvidas, alimentam o discurso anti-escola e anti-professores, contaminam as estruturas como o Conselho de Escolas e são adeptos de tudo o que seja nomeação para cargos intermédios para formarem "equipas coesas". Têm pavor do contraditório e, em regra, deixam as instituições num estado pior do que o que encontraram. Nunca conheci alguém competente que desejasse esses meandros e isso explica muito do estado a que chegámos.
Ora aí está uma grande verdade!!!...
ResponderEliminarA competência não tem sido o critério de seleção dos dirigentes escolares. Regra geral, são representantes de "lobbies" e a sua missão é salvaguardar os interesses destes.
As escolas perderam o seu caráter institucional e têm vindo a tornar-se palco de iniciativas que apenas servem interesses individuais.
Concordo que, em regra, seja assim e que foi "aumentado" com o novo modelo de gestão escolar.
ResponderEliminarNão acredito, Paulo. Andei às voltas pelo meu blogue e não descobri o vídeo. Beemm, já sei onde recorrer quando precisar de pesquisar no baú. Abraço
ResponderEliminar... onde e a quem recorrer... para ser mais preciso. Abraço.
ResponderEliminarViva Paulo,
ResponderEliminarconcordando com a justeza da crítica à incompetência, não posso acompanhar-te na ausência de ação concreta para a combater.
Ontem já era tarde para agirmos...
sobre isso deixei um post (finalmente) no meu blogue.
Abraço
F.
Escreve Miguel Pinto na caixa de pesquisa do blogue :) Aquele abraço meu Caro.
ResponderEliminarViva Francisco. Deves andar em campanha eleitoral :) já lá vou ver. Obrigado. Boa sorte. Abraço.
ResponderEliminarTens meia razão, i.e., abordando a coisa de um ponto de vista genérico também estou a pensar que a forma de limitar os mandatos (sobretudo de quem consideramos pouco competente) é ir à luta e utilizar o instrumento ideal para mudar os protagonistas: o voto!
ResponderEliminarAbraço
F.
Então força aí. Quando não há essa limitação, e mesmo quando há, é sempre de elogiar quem vai a votos.
ResponderEliminarAbraço.