sexta-feira, 27 de abril de 2012

in tenebris / tróika city

 


 



 


 


 


 


Apesar do meu sportinguismo, troquei, ontem, o jogo pela estreia de mais uma peça do Teatro da Rainha. Não há sequer no que escrevi qualquer intenção de "pão e circo". Embora, e nos tempos que correm, tenhamos que reflectir sobre os modos que anestesiam a força da razão.


 


Os textos do então jovem Bertrolt Brecht são clássicos com oitenta anos e têm uma actualidade que vai ao osso. O Teatro da Rainha, para não variar, apresenta mais uma excelente produção. São sessenta minutos intensos que nos fulminam. José Carlos Faria, com uma espantosa versatilidade, e Victor Santos, sempre poderoso na colocação da voz, assinam interpretações inesquecíveis enquadradas pela encenação do primeiro e de Fernando Mora Ramos.


 


Deixo a ligação ao sítio na internet. Vale a pena navegar pelo site e apreciar a excelência do design. Por paradoxal que pareça, um dos momentos sublimes da peça é escrita a giz vermelho num quadro negro. Quando Victor Santos usa uma gravata para fazer o corpo de um T e começa a usar o giz nada se lê. Soube depois que o giz estava, intencionalmente, húmido. A leitura tornou-se progressivamente nítida e a ligação das letras era clara: Tempos das Trevas. Num tempo de tanta parafernália tecnológica, são brilhantes a simplicidade e o significado deste momento de encenação.


 


Pode saber mais aqui.

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