sexta-feira, 18 de maio de 2012

a crise e o humor

 


 


 


Não sei se haverá povo tão eficiente na construção humorística como o português. Com o advento das redes sociais, o fenómeno parece funcionar por antecipação tal a celeridade com que aparecem elaboradas composições. Dá ideia que a crise, recheada de tragédias e de sofrimentos, se aconchega no humor. Para além disso, temos um rol de governantes, a começar pelo primeiro-ministro, que se afirma pelo disparate anedótico. Quando se anuncia que Passos Coelho se prepara para discursar, as rotativas humorísticas são ligadas de imediato. É o impensado em forma de nonsense, para nossa desgraça.


 


A Ana Sousa chamou-me a atenção para um pedaço sobre o ministro da economia. Não gosto de que lhe têm feito, mas parece que o senhor também se põe a jeito.


 


O blogue aventar publicou esta peça:


 


"Foi preciso importar um português do Canadá para confirmar que o grande problema de Portugal é o coiso.


Os mais puristas poderão censurar ao Ministro da Economia e do Emprego a utilização de um termo tão pedestre, mas a verdade é que não lhe resta outra solução. Na realidade, num país em que a economia está em coma e o emprego em extinção, só resta a Álvaro Santos Pereira ser ministro do coiso. Aliás, talvez antevendo a inutilidade do ministério a que ia presidir, foi ele próprio a pedir que não o tratassem por ministro: seria algo tão absurdo como chamar governo ao actual governo.


Finalmente, um país com tantos problemas já não tem designações que cheguem. É, portanto, natural, que se use “coiso”, a palavra que, em Portugal, é uma espécie de etc.


Depois de, há uns anos, termos seguido o cherne, resta-nos agora atentar no coiso.»"

2 comentários:

  1. Oxalá os leitores do Correntes e, claro está, do Aventar se riam tanto com este texto como eu me rio cada vez que o leio.

    Gosto particularmente de saber que “o grande problema de Portugal é o coiso”.

    O que vale é que, como faz lembrar o ditado: não há mal que nunca acabe, nem coiso que sempre dure! (Eh eh eh!...)

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  2. Não há mesmo nenhuma coisa pior do que o coiso. Seje este ou qualquer outro coiso...

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