domingo, 3 de junho de 2012

editorial (14)

 


 


 



 


 


 


 


Quando iniciei o blogue estava longe de imaginar o que iríamos viver e mais ainda no sistema escolar. Se me tinha prometido a não escrever sobre assuntos escolares para descansar de cerca de quinze anos intensos à volta dessas matérias, a ideia foi progressivamente abandonada a partir de 2006, o registo entranhou-se e só o tempo ditará o que acontecerá ao blogue. Habituei-me desde cedo a não dizer nunca, em questões que não ultrapassem, obviamente, determinados limites e a responder pelos meus actos e pela minha liberdade.


 


Quando olho para trás, e para cerca de 5300 posts, não dou o tempo por perdido. Bem pelo contrário. Escrever organiza as ideias e o nosso mundo e é um exercício de risco. Gosto disso. A linguagem exprime emoções e não escapo ao registo intimista.


 


Escolho os assuntos de acordo com os meus critérios e não adopto o registo assim-assim ou o calculismo da publicação para agradar a quem quer que seja ou para me facilitar a vidinha. Dizem-me que, por vezes, sou contundente. Não me queixo do retorno, mas não raramente tenho de respirar muito fundo para não divulgar coisas "infantis" que aqui e ali vão aparecendo.


 


Sublinho o registo independente da linha editorial deste blogue, onde a defesa da liberdade e da democracia são, a par da escola pública, as primeiras preocupações.

8 comentários:

  1. Quando iniciou este blogue (que bem que fez, estou muito grata pela sua existência) ainda não tinha rebentado a guerra civil na Educação em Portugal.

    Por outro lado, quando começou a escrever sobre assuntos escolares, com certeza por força das circunstâncias, não deve ter previsto de todo as sucessivas motivações para a escrita que ainda estavam para vir.

    Ninguém imaginava um futuro como o que se tem vivido no sistema escolar (e não só!), desde essa ocasião (2005/2006) até aos dias de hoje.

    E o pior é que a incredulidade e a desconfiança que se foram apoderando de muitos (de nós) fazem temer que o amanhã não pare de nos surpreender pela negativa.

    E assim o seu blogue terminará apenas quando se sentir cansado demais...
    Será uma pena e uma perda, pois “o registo independente da linha editorial deste blogue” cumpre magistralmente um papel único na “defesa da liberdade e da democracia [...], a par da escola pública”.

    Respire muito fundo para continuar a proporcionar-nos as suas excelentes reflexões!

    Nos momentos piores, de cansaço suportável com infantilidades sem história, vale sempre a pena lembrar a sabedoria popular chinesa:
    “Não se pode impedir as aves da tristeza de voarem sobre as nossas cabeças, mas pode-se impedi-las de fazerem o ninho nos nossos cabelos.”

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  2. E eu gostaria de sublinhar, se o Paulo me permite, o seu sublinhado final, acrescentando que ser contundente, claro, simples (não simplista), sensível e "intimista", são das características que mais aprecio nas pessoas (e suas acções/criações) que não se limitam a ser inteligentes. Sobretudo que não se limitam a usar a inteligência(?) como se de uma simples esperteza se tratasse ao serviço da sua vidinha...

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  3. Parabéns, uma vez mais, pela excelente escolha dos temas, mas sobretudo pela estética e rigor que imprimes às reflexões. Impõem liberdade que convida a pensar... Muito obrigada

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  4. E eu sublinho a pessoa que és, a tua coragem e sobretudo a tua verticalidade.
    Beijo grande

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